Mais duas notas rápidas


escafandro,

1. O Partido Socialista tem razões para estar satisfeito. Ainda que se mantenha fora do governo, a decisão do TC praticamente obriga a que a receita que vem defendendo (confrontar a Troika com uma exigência de renegociação) seja aplicada. Ganhaste, Tozé. Logo veremos os resultados.

(Eu aposto em mais um aumento de impostos.)

 

2. Seria bom que isto acabasse de uma vez por todas com a noção de que é possível aplicar receitas de direita, ou liberais, ou neoliberais, ou o que raio quiserem chamar-lhes, em Portugal. Se nem um governo que baseou a consolidação orçamental na recolha de impostos conseguiu escapar…

(Mas claro que não vai acontecer.)

18 comentários em “Mais duas notas rápidas”

  1. 820 milhões de euros (1300 milhões menos os respectivos impostos), são +/- 0,5% do PIB. É suportável em cima do défice, e a troika vai concerteza aceitar isso.
    Se o Passos Coelho souber trabalhar, tem aqui uma excelente oportunidade de implementar as reformas que está obrigado a fazer à sombra do parecer do TC.

    1. Duas perguntas exclusivamente técnicas .
      Porquê “menos os respectivos impostos” ?
      E se os 1300 milhões forem o valor bruto dos encargos em causa , porque é que a média ponderada de impostos que sobre eles recaiem é de 37% ?

      De acordo com o seu 2º parágrafo , independentemente do que se concluír sobre o 1º .

      1. Se o estado vai pagar 1300 milhões de salários, pensões e subsidios, vai daí arrecadar os respectivos impostos, como o IRS e a TSU. As pensões não pagam TSU, mas pagam IRS. Os vencimentos dos FP pagam 34,75% de TSU + o IRS respectivo.
        Admito que a conta é grosseira, mas é apenas uma estimativa. De qualquer modo não deve andar longe dos 0,5% do PIB, que segundo alguns economistas, como Ricardo Arroja, p. ex., já estará contemplado nos 5,5% de defice negociados com a troika para este ano; à cautela.

        1. Onde é que lhe disseram que o Estado paga 34,75% de TSU?
          É por estas e por outras que o país está mal: qualquer um arrota “postas de pescada”, mesmo de assuntos de que não sabe mais do que o abc.

          1. Tiro ao alvo,

            TSU: 11% do trabalhador+23,75% do empregador= 34,75%

            Mesmo que o estado não pague a si próprio, o efeito é o mesmo.

            Arrotar postas de pescada ao preço a que está a pescada?

          2. Gostei foi desta: “mesmo que o estado não pague a si próprio, o efeito é o mesmo”.
            O argumento é mesmo convincente: pagar ou não pagar a si próprio, é a mesma coisa, não há nada para ninguém.
            Apetecia-me escrever um palavrão, mas fiquemos por aqui…

        2. Muito agradeço a sua resposta mas como imagina a minha pergunta não era totalmente ingénua.
          Mas como sou dos que admitem que alguma coisa me tivesse escapado no meio disto tudo resolvi pôr-lhe a questão a ver se entendia .

          O que sabemos é que o “buraco” nas contas do Estado é de 1300 milhões de euros.
          Ora um “buraco” é sempre a diferença entre o que sai e o que não entra e , tal como numa empresa ou cá em casa , se precisar de mais X euros para equilibrar as contas tenho que ír ganhar uma verba que , expurgada dos impostos e outros encargos , dê aquele X.
          É o caso , que eu saiba e até melhor opinião , muito mal (ou muito pior) estaríamos que o Estado falasse num “buraco” de 1300 milhões mas já estivesse a contar com os trocos que lá ía buscar (não é assim que se fazem orçamentos , por piores que sejam).

          Agora olhemos para os dados da CGA e do CNP publicados a 14 de Março passado pela revista Visão e relativos a Dezembro de 2011 :

          1) Média das reformas do CNP : 481,69€ (1856621 pessoas)
          2) Média das reformas da CGA : 1263,51€ (453129 pessoas)

          As coisas não serão exactamente já assim mas em universos desta dimensão não se verificam diferenças aritméticas significativas no espaço de um ano .

          Basta consultarmos as tabelas de retenção na fonte , bastante adequadas para o caso dos reformados pois pouca coisa descontarão , de um modo geral , além das despesas de saúde e equivalentes .
          As taxas de IRS da enormíssima maioria dos pensionistas são zero ou pouco mais ,
          de resto um mais de 50% dos pensionistas não chegam a pagar nada após acertos .

          Daí perguntar-lhe como é que chegava a uma média PONDERADA global de 37% .
          Era bom , era , que os pensionistas lá chegassem …

          Quanto aos FPs eles não pagam aquela TSU , ainda que possa ser aquele o valor total descontado para o efeito mas como é o próprio Estado que tem que “avançar” com a maior parte dessa verba , isso só aumenta o “buraco” .

          1. Tiro ao alvo, parece que quem tem razão neste assunto sou eu. O impacto liquido nas contas publicas das decisões do TCsão entre 700 e 800 milhões depois de deduzidos o IRS e a TSU nos vencimentos e o IRS nas pensões. Você não come pérolas, não é porco concerteza, mas é seguramente imbecil. E ignorante já agora!

    2. Segundo algumas fontes, os 1300 milhões já levam em conta os impostos:
      http:/ economico.sapo.pt /noticias/gaspar-assume-impacto-de-1320-milhoes-no-defice_166411.html

      Esperemos que a Troika aceite mas eu não apostaria demasiado nisso. Primeiro, porque aumentar o défice significa mais dinheiro em cada um dos próximos anos e poderia, com ou sem boa vontade da Troika, levar a um segundo resgate. Depois porque esta decisão do TC põe em causa toda a estratégia de ajustamento, uma vez que não é possível cortar na despesa (despedir funcionários públicos é constitucional?). E ainda porque a Troika acabou de flexibilizar os objectivos e, numa negociação, ceder consecutivamente em toda a linha é arranjar problemas – nada mais será cumprido.

      1. Totalmente de acordo .
        Tudo isto tem muito a ver com a nossa maneira de estar na vida , mais um empurrãozinho , mais um jeitinho , o nacional-porreirismo em todo o seu esplendor .
        Só que isso só funciona aqui , que somos todos primos .
        E vai-se empurrando os problemas com a barriga , este ano já nos safámos , para o ano logo se vê e outras visões de futuro que tais .

        De resto é curioso o primitivismo de quase todas as análises que por aí se lêem , vai-se buscar a Islândia (pouco maior que a Madeira) para mostrar que não pagaram dívidas quando o que eles não pagaram foi aos holandeses e ingleses que tinham o dinheiro em bancos falidos , o resto pagaram tudo .
        E vai-se buscar o exemplo da Irlanda onde quase tudo o que foi feito e permitiu endireitar o país em tão pouco tempo nunca passaria aqui no nosso TC .

  2. Acho que é óbvio que o problema não é de contas.. é do próprio sistema. Há quanto tempo é isso evidente e que mais exemplos precisam para meter isso na cabeça? contra todos os meus interesses falo, mas uma constituição que defende que não se pode cortar um subsídio de férias a reformados (férias = reformados = ok faz sentido) é o quê?

    Um orçamento tem de se conformar à Constituição? apenas quando lixa funcionários públicos, porque quando é para foder o sector privado já ninguém saber de igualdade nenhuma. Aliás, o problema é esse. é que nesta merda de terra ninguém pensa no sector privado (o único que produz riqueza).

    O tribunal constitucional apenas reproduz o que a crise tornou óbvio: que Portugal não está preparado para ser um país desenvolvido porque tem instituições obsoletas e contraproducentes.

    1. Também sou dos que preferiam que me cortassem o subsídio de férias como pensionista : não tenho qualquer dúvida que ía acabar a ganhar com isso “à la longue” .
      De resto mais de 85% dos pensionistas do Regime Geral não eram afectados pelo corte pois não chegam a 600€ de reforma .

      De resto não lhe posso dar mais razão no resto .
      O sector privado que se lixe , há “um outro país” que parece achar aquilo útil mas decorativo e até por vezes incomodativo .

      E quando o sector privado morrer mais um bocadinho e ainda contribuír menos em impostos , esta troika ou outra qualquer der menos umas massitas ou não der nada e ninguém nos emprestar dinheiro no mercado , vai acabar o dinheiro para os encargos do Estado , como é evidente .

      Nessa altura , com tudo ao molho e fé em Deus a disputar as sobras , estaremos maduros para “salvadores” variados .

      No país mais envelhecido da Europa vai ser curioso verificar que o afinal o mundo não acaba à cadeirada mas sim à bengalada .

      1. “De resto não lhe posso dar mais razão no resto” é “resto” de mais em cima do “resto” que vinha de cima e só me “resta” pedir-vos desculpa pela redacção .
        É o que dá ír atrás e à frente enquanto se escreve o comentário …

    2. “Um orçamento tem de se conformar à Constituição? apenas quando lixa funcionários públicos, porque quando é para foder o sector privado já ninguém saber de igualdade nenhuma.”

      Claro. Estamos num regime socialista. Ou seja o discursos é kafkiano e fraudulento ao nível que Orwell tão bem retratou com “Todos são iguais mas há uns mais iguais que outros”
      Quando se passou em 30 anos de 15% do PIB em impostos para 40% do PIB em impostos ninguém falou de equidade.
      A equidade mediática hoje só existe com a colaboração dos jornais e jornalistas do regime.

    3. Também concordo consigo, quando diz que não faz sentido os reformados ou pensionistas receberem subsídio de férias.
      Defendo, desde há muito, que o valor do subsídio de férias, deveria se dividido em duodécimos e acrescentado ao valor da pensão ou da reforma.
      Digo isto por que, se é verdade que os reformados estão sempre de férias, e daí a incongruência do subsídio, também é verdade que o Estado exigiu e aceitou descontos para a SS sobre o subsídio de férias.

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