Mais do que fazer perguntas


oanonimoanonimo,

Uma ligeira discordância em relação ao excelente post do Pedro Correia, logo abaixo, sobre o poder dos jornalistas. Apenas para dizer que aos jornalistas incumbe mais do que fazer perguntas – cumpre-lhes obter respostas, mesmo quando as perguntas não são respondidas. Ou, sobretudo, quando elas não são respondidas. Ou quando são mal respondidas. É o que se chama de jornalismo de "investigação". Que, aliás, anda a ser muito mal tratado entre nós.

7 comentários em “Mais do que fazer perguntas”

  1. J. M.

    O problema é quando os jornalistas não sabem fazer as perguntas certas.

    Quanto ao verdadeiro “jornalismo de investigação” em Portugal, acho que alguns jornalistas que o tentaram ficaram isolados das fontes de informação (ou percebi mal?)
    Cumprimentos
    Ana

    1. Ana: fazer perguntas certas é uma arte, claro. Sobretudo dos jornalistas. Mas, quando não são respondidas pelos poderosos, é preciso ir para a rua, para as repartições, para os tribunais, para a vizinhança, para o caixote do lixo…
      Cumprimentos

  2. Meu caro, o meu ponto é esse: para obter respostas há que fazer perguntas. As perguntas certas. Não interessa perguntar por perguntar. Se não houver resposta, insiste-se. Até ser possível desocultar os factos. Esta é a essência do trabalho jornalístico: a insatisfação permanente perante as ‘verdades’ oficiais ou oficiosas que tantas vezes funcionam como biombo para ocultar evidências. E a mais complexa investigação jornalística também tem sempre como ponto de partida a mais simples das perguntas. Insistindo sempre pela obtenção de resposta.

    1. Pedro:
      A mais complexa investigação jornalística pode até não ter por base nenhuma pergunta. Pode ser um tropeção, um acaso, uma coisa que se ouve inadvertidamente. É claro que perguntar bem e insistentemente é um dever. Mas, muitas vezes, é preciso mais do que perguntar – é preciso ir atrás, ir por outras vias. Como o condicionamento das fontes que é cada vez maior, há que ser criativo.

  3. Perguntar bem não é fácil. É preciso dominar a matéria…

    [A maior parte das vezes, em vez de fazerem perguntas e de colocarem questões, fazem umas questões e, e….]

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