O primeiro-ministro tem razão. O desemprego é uma oportunidade. E a boa notícia é que há cada vez mais oportunidades. Com tantas e novas perspectivas, assistiremos em breve a uma alteração profunda do mercado de trabalho e das próprias designações das actividades profissionais. Na verdade, muitas profissões cairão em desuso e serão substituídas por novas e desafiantes ocupações. Os Solicitadores, por exemplo, serão substituídos pelos Imploradores. O Médico do Trabalho, por seu lado, dará lugar ao Terapeuta Desocupacional. Também muito solicitado será o Técnico de Higiene e Insegurança (angustiados mas asseados). Nas tarefas administrativas, os novos tempos trarão profissionais altamente qualificados: os Desempregados de Escritório. Igualmente na primeira linha do mercado de trabalho do futuro encontraremos os Terapeutas da Falta, os Mestres de Sobras e os Técnicos Oficiais de Pontas. No domínio da saúde, os Dietistas continuarão em alta. Todavia, as estrelas nesta área serão, sem dúvida, os Anestesistas. Na construção, o mercado proporcionará excelentes oportunidades para os Semtectos Paisagistas e para os Engenheiros de Infra Estruturas, estes últimos especialistas em pequenas obras como a reabilitação de vãos de escada e o recondicionamento da parte de baixo das pontes. As preocupações com a ocupação do espaço darão lugar a tudo o que diz respeito ao preenchimento do tempo, com oportunidades desafiantes para a Engenharia de Batalha Naval. Os Engenheiros Magrários e, em geral, todos os que trabalham nos diversos ramos da Magricultura e da Engenharia Magro-Industrial têm boas razões para encarar os próximos tempos com confiança. Na área comercial, o novo mundo será dos Tácticos de Vendas. Encontrar um cliente será tão difícil que vender deixará de ser uma técnica e passará a pressupor vastos conhecimentos de perseguição e emboscada. Nas ciências, destacar-se-ão os Físicos Teóricos. Embora sem a mesma garantia de sucesso, haverá também lugar para os Químicos Inorgânicos. Com boas perspectivas, surgem também as áreas da Matemática Discreta, da Nicklesbiologia (evolução da Microbiologia e da Nanobiologia) e da Citologia (o estudo das citações será fundamental para entreter o tempo). Na educação, serão criadas as novas profissões de Professor do Ensino Básico (o ensino será mesmo muito básico), de Professor do Ensino Secundário (assumindo definitivamente que o ensino é tudo menos prioritário) e, naturalmente, de Professor do Ensino Inferior. No que diz respeito às profissões ligadas à História, apesar de, em geral, as coisas não se apresentarem risonhas, aparecerão novas ocupações como a de Engenheiro Alimentar (o estudo dos alimentos integrará o ramo da arqueologia) e de Especialista em Parasitologia (persistirá, apesar de tudo, alguma curiosidade em perceber como chegámos até aqui).
Mais desemprego, novas oportunidades
Rui Rocha,

200% de acordo. Provavelmente o futuro que nos espera não andará muito longe do que descreve no seu post.
Esqueceu-se no entanto de referir um pormenor: vai deixar de haver ordenado minimo, para passar a haver ordenado máximo, que deverá andar aí pelos 30 contos!
E eu também concordo consigo, Alexandre. Num duplo sentido. No de que os salários serão fixados em escudos e de que serão ditados pela lei da oferta e do desespero.
Agridoce.
Concordo. Com excepção da parte do doce.
Milhares de empregos só existiam* devido à Dívida – a Dívida pagava 25% das pensões e ordenados da função publica no fim do Governo Sócrates – agora está por 14%…
E claro como estes compram coisas nos privados também pagavam uma boa parte do que os privados vendiam.
Os portugueses quiseram mentira Socialista em todas as suas variantes(Direita e Esquerda) agora levam com a verdade de chofre.
Como os portugueses odeaim empresas, empresários e lucros ficarão cada vez mais sem empregos.
Decadência Neo-Soviética é o caminho.
*E continuam a existir porque cá está a troika.
Ela vai embora e o défice é zero num ápice.
Lá isso é verdade. Sem troika deitamo-nos num dia cheios de problemas e acordamos no outro com o défice resolvido.
Caro Rui
Hoje estou sem sentido de humor. O seu post é exactamente o oposto. Está a gozar, e muito bem.
Mas vejamos as coisas sérias: Apregoa-se, sei lá, se calhar com razão, que o mundo exige uma rápida mudança, uma grandiosa capacidade de adaptação. Por isso existem licenciaturas em estudos babilónicos ou em engenharia parasitária.
Sejamos reaccionários. Antigamente existiam licenciaturas em ciências, em engenharia (não serão, estes, cursos técnicos?), em medicina (técnico também?), em letras (no qual se incluem os estudos babilónicos) em história, sobretudo a contemporânea mais as interpretações clássicas, modernistas ou marxistas, etc.
Se o “mundo exige rápida mudança”, então as licenciaturas devem ser, o mais possível, generalistas. Poderá haver engenharia textil neste contexto? Ou licenciaturas em ensino de …?
A sociedade caminha para o liberalismo, não vejo outro remédio. As universidades aderiram à procura sem o paternalismo estatal, depois é lá com eles. Mas nós, portugueses, ainda acreditamos no estado (até quando?), portanto uma licenciatura fornecida pelo estado, deve ter empregabilidade e deve servir para qualquer coisa. O pior é se não serve para nada, nem para gozo pessoal.
Mas pior ainda estão as licenciaturas, doutoramentos, MBA’s, feitos lá fora nos países (mais) liberais. Pela sua actividade profissional, já lhe apareceram MBA’s na Universidade de Austin (EUA), sem qualquer credibilidade no país de origem, mas muito conceituado no nosso recanto provinciano.
Num país em que o primário, por ser primário, passou a básico por que é básico, as criadas passaram a ser empregadas domésticas e contínuos das escolas são sistemas operativos, perdão: assistentes operacionais.
Bem. Está bem.
No início da década de 90 fui cortar o cabelo. Perguntaram-me onde tinha cortado o cabelo da última vez. Respondi que tinha sido num barbeiro no Porto. Ficaram muito indignados e exigiram que os tratasse por cabeleireiros. Creio que a crise começou por essa altura.
Por um momento, até pensei que você era brasileiro…
Satirizando se demonstra a realidade, é isso mesmo, não tem jeito, tudo isto que vemos/vivemos é uma palhaçada sem destino.
Temo que sim, P&A.
Muito bom, Rui. Só te esqueceste dos deputados, que com a falta de utilidade passarão a… deportados.
Exactamente, Ana. Mas, se não vires inconveniente, não lhes dizemos já. Para não criar ansiedade.
e o primeiro ministro vai passar a primeiro sinistro porque, em homenagem aos seus antecessores, há-de ser o primeiro a dar o corpo ao manifesto quando a fome aperta.
Não tenho qualquer dúvida.
muito embora seja humor de fino recorte, não é para rir
Pois não, Marta.