Ah, como trazia translúcida a nossa Língua. E como via a luz em lugares escuros, na mais dura realidade da vida. Atesta-o bem este “Se Tivesse de Recomeçar a Vida”, que acaba assim:
“(…) Só a luz! só a luz vale a vida! A luz interior ou a luz exterior. Doente ou com saúde, triste ou alegre, procuro a luz com avidez. A luz para mim é a felicidade. Vivo de luz. Impregno-me, olho-a com êxtase. Valho o que ela vale. Sinto-me caído quando dia amanhece baço e turvo. Sonho com ela e de manhã é a luz o meu primeiro pensamento. Qualquer fio me prende, qualquer reflexo me encanta. E agora mais doente, mais perto do túmulo, busco-a com ânsia. Ouço dizer que os turcos deixam um buraco nos túmulos ao pé da cabeça dos mortos. Será por um sentimento de piedade – para que também eles participem, na escuridão tremenda, desta luz esplêndida que é a vida?…
O futuro é Jesus no alto da montanha.”
Obrigada, Pedro Correia, por lembrares Raul Brandão!
E que bem cantou ele a minha praia de infância, o Baleal: “Vou primeiro ao Baleal, que é a mais linda praia de terra portuguesa. Não passa duma grande rocha desligada da costa e fundeada a trezentos metros – mas esta rocha é uma ossada, e talvez o último vestígio da Atlântida, saindo do mar azul a escorrer azul e presa à terra por um fio de areia que nas marés mais vivas chega a desaparecer.”
Só por Húmus o Nobel seria merecido, é um dos romances mais belos, estranhos e – sim! – hilariantes que alguma vez li. Devia haver todo um livro sobre o Gabiru, uma das personagens mais bizarras da nossa literatura.
Alguns, são-no de esqueletos… guardam-nos em armários…
… E fecham à chave a porta do armário e deitam fora a chave.
Sem espinhas.
Grande frase, grande verdade.
Ah, como trazia translúcida a nossa Língua. E como via a luz em lugares escuros, na mais dura realidade da vida. Atesta-o bem este “Se Tivesse de Recomeçar a Vida”, que acaba assim:
“(…) Só a luz! só a luz vale a vida! A luz interior ou a luz exterior. Doente ou com saúde, triste ou alegre, procuro a luz com avidez. A luz para mim é a felicidade. Vivo de luz. Impregno-me, olho-a com êxtase. Valho o que ela vale. Sinto-me caído quando dia amanhece baço e turvo. Sonho com ela e de manhã é a luz o meu primeiro pensamento. Qualquer fio me prende, qualquer reflexo me encanta. E agora mais doente, mais perto do túmulo, busco-a com ânsia. Ouço dizer que os turcos deixam um buraco nos túmulos ao pé da cabeça dos mortos. Será por um sentimento de piedade – para que também eles participem, na escuridão tremenda, desta luz esplêndida que é a vida?…
O futuro é Jesus no alto da montanha.”
Obrigada, Pedro Correia, por lembrares Raul Brandão!
Obrigado eu pelo teu comentário, Gui.
E que bem cantou ele a minha praia de infância, o Baleal:
“Vou primeiro ao Baleal, que é a mais linda praia de terra portuguesa. Não passa duma grande rocha desligada da costa e fundeada a trezentos metros – mas esta rocha é uma ossada, e talvez o último vestígio da Atlântida, saindo do mar azul a escorrer azul e presa à terra por um fio de areia que nas marés mais vivas chega a desaparecer.”
Sempre tão simples a dizer as coisas.
Só por Húmus o Nobel seria merecido, é um dos romances mais belos, estranhos e – sim! – hilariantes que alguma vez li. Devia haver todo um livro sobre o Gabiru, uma das personagens mais bizarras da nossa literatura.