O XIX Governo era já o mais reduzido de sempre no nosso actual regime constitucional. E o terceiro com menor número de ministros em toda a União Europeia – um facto digno de aplauso, conforme aqui assinalei. Em política, os símbolos contam muito: não é possível pedir contenção, austeridade e sacrifícios aos portugueses sem começar por praticar isso mesmo no Executivo.
Mas há mais boas notícias.
Primeira: este é um governo mais jovem do que o anterior (a média de idades baixa dos 54 para os 47 anos). Numa altura em que é urgente aproximar os portugueses mais jovens das instituições políticas.
Segunda: no seu discurso de investidura, no Palácio da Ajuda, Pedro Passos Coelho anunciou hoje que não nomeará novos governadores civis – passo decisivo para a extinção deste cargo inútil que confirma uma promessa eleitoral do PSD e levou já pelo menos seis dos 18 actuais titulares a anunciar a demissão.
Terceira – e sem dúvida a melhor das boas notícias mais recentes: a Assembleia da República será pela primeira vez presidida por uma mulher, a social-democrata Assunção Esteves. Outro aspecto em que Passos Coelho inova, contrariando os “analistas” do costume, que vinham invocando os nomes de sempre para o lugar do rejeitado Fernando Nobre. Azar: voltaram a enganar-se nos palpites. A nobre causa do reforço das mulheres na política acaba de ganhar nova expressão – em actos, não em palavras – com a eleição da ex-magistrada do Tribunal Constitucional para o segundo posto mais importante do Estado português. “A senhora deputada foi a nossa primeira escolha”, afirmou, numa síntese feliz, Maria de Belém Roseira, líder parlamentar interina do PS.
Naquele momento, tenho a certeza, Maria de Belém falava pela maioria dos portugueses. Homens ou mulheres, tanto faz.


Sem dúvida que Passos, mesmo na derrota, tem conseguido sair reforçado na sua credibilidade e sinal de mudança, algo que pode ser muito importante para resistir aos tempos que se avizinham
Falar pouco e trabalhar muito. O lema tem de ser este. Lembrando sempre os exemplos positivos dos governos que souberam mostrar mais e melhor obra em Portugal. Governos como o de Sá Carneiro em 1980 e o de Cavaco Silva em 1985-87.
“Em actos, não em palavras”. Nem mais.
Sublinhado importante.
Acho que o ponto de viragem chegou, nesta matéria: tornou-se natural.
Espero muito deste Governo mais jovem nesta matéria (mau grado a descida percentual da representação feminina no novo executivo; mas isso, por si só, não vale nada).
Volto a ouvir um sinal positivo: Passos Coelho viaja amanhã para Bruxelas em classe económica, não em classe executiva.
Nem mais, Pedro: o exemplo. O poder do exemplo, sem mais, simplesmente e sem hipocrisias Aquilo que não tínhamos.
Bom dia Pedro,
Não posso estar mais de acordo. Os sinais são importantes, e nesse ponto PPC está a ganhar pontos a olhos vistos. Gostava muito que este Executivo promovesse uma verdadeira auditoria ás contas do Estado, e que divulgasse os resultados. E começar a trabalhar com base nisso, com o conhecimento de todos, com transparência. Chega de culpar o passado por tudo o que é mau. Todos têm responsabilidades. Se o sacrifício que nos pedem (e no qual já vivemos) for para a mudança então eu sacrifico-me! Mas quero ver mudanças, quero ver o fim de regalias injustificadas. Não quero deputados a reformarem-se antes da idade (até parece que desenvolveram algum trabalho desumano e merecedor de tal benesse ) e cheios de mordomias e regalias, não quero promiscuidade entre o interesse público e privado (em que o primeiro sai, regra geral, a perder), não quero uma justiça lenta e corrupta. Quero uma país que premeie o mérito, que combata a corrupção e pratique a justiça. Estarei eu a sonhar? Bem, se estou então termino dizendo que se for por esta mudança eu aceito o sacrifício !
Revejo-me nas suas palavras. Os sinais até agora emitidos são positivos. Mas o caderno de encargos, como acentua, é enorme: há que mudar a justiça e pô-la de facto ao serviço dos cidadãos. Há que terminar o regabofe existente em certas empresas públicas. Há que moralizar os salários de topo dos administradores públicos. E há que apoiar aqueles que verdadeiramente precisam. Lembrando sempre que, num país em recessão, as receitas públicas não chegam para tudo. É uma lamentável verdade – mas é a verdade.
A auditoria rigorosa às contas públicas está já em marcha, o que é um começo indispensável.
Menos delito mais camara corporativa.
Aqui não há cobardolas, “als”. Aqui há gente que emite opiniões e assina com nome próprio. Faz toda a diferença do mundo.
Ai , ai, als, que entropia negativa… Mas só um “delito” já diz tudo sobre si mesmo. – Não é muito mais pujante do que a rançosa ideia corporativa? Experimente.
é uma viragem significativa
Depois de MFL concorrer a PM, mais mulheres vão concorrer aos orgãos de liderança partidária.
Assunção Esteves apenas deu o toque…
Há poucos anos, foi notícia o facto de Maria José Nogueira Pinto ter ascendido às funções de líder parlamentar do CDS. Era a primeira vez que uma mulher liderava uma bancada política em São Bento. Que grande mudança registada desde então.
Exactamente, Pedro. Estou inteiramente de acordo. Agora é preciso trabalhar mais, discursar menos e cortar menos fitas.
Isso mesmo, Ana.
Os sinais de mudança são vitais. Entre eles, os da política de género. Sumamente importantes, mesmo.
Mas não nos podemos deixar levar, mais uma vez, pela mera aparência. Estamos fartos de palco e de actores de segunda divisão.
Claro, Laura. Mas se os sinais são positivos convém sublinhá-los. Para ir derrotando este endémico pessimismo nacional que vê sempre o copo meio vazio.