Dou por mim nos últimos tempos a usar os termos de indignação que usei nos tempos do governo de Sócrates e que muitos dos que agora dão vivas a Passos Coelho usaram. E não porque é meu hábito ou prazer ‘malhar’ nos governos, mas porque como tem sido amplamente noticiado este governo falta à verdade tal como Sócrates faltou, usa estratégias rasteiras para atraiçoar os cidadãos que os elegeram e todos os dias se lembra de nos surpreeender com propostas que a terem sido no tempo socrático teriam chovido meteoritos de críticas. O Sócrates pelo menos era mais giro que Passos Coelho, porque em termos de carácter estamos na mesma: faltar à verdade parece estar inscrito no ADN dos políticos portugueses. E isto magoa, achincalha, humilha. O meu país dói-me.
Mágoas
cronicasnofeminino,

Talvez o problema não esteja nem neste governo nem no anterior mas num sistema que suporta os dois e quem mais vier. A trapaça como instituição faz parte da normalidade dita democrática. De forma que ou nos condenamos à indignação permanente ou apontamos o extintor à base do fogo. Não vejo outra saída, Leonor. Aliás há anos que não a vejo.
Apontemos então o extintor à base do fogo, Fernando. Não suporto mais. Estes ainda menos.
A nossa democracia é uma coisa grotesca e inepta. A lei eleitoral tem de ser mudada. Enquanto for o que é, não existe qualquer controlo sobre a gentalha que está em S. Bento – que podem, com a maior impunidade e falta de ética – fazer o que quiserem sem dar conta aos eleitores. São impunes eles e os governos, que deviam vigiar e não vigiam.
Uma corja.
Podiam começar por reduzir o número de deputados, por exemplo. Já que estamos em tempo de vacas magras seriam bom cortar na despesa do Estado também por aí. O que ganham em ajudas de custo só para ir trabalhar é uma vergonha. Fiz uma vez as contas: um deputado que tenha residência nos concelhos de Mafra, Torres Vedras e Caldas da Rainha recebe mais 1.500 euros, mais coisa menos coisa, só para se deslocar à Assembleia. Se for fazer trabalho externo ganham ainda mais. A maior parte dos portugueses não recebe isso por mês. Não me venham depois dar lições de austeridade. Poupem-me a discursos baratos.
Mas atenção, não acho que seja um problema da democracia, é um problema de quem nos governa, disso não tenho quaisquer dúvidas. Já chegam as medidas impopulares, não precisamos de ser tratados desta forma. Não achas que merecíamos mais dignidade?
Talvez “falta de dignidade” seja também um dos termos da equação…
Lembro-me daquele caso do navio que vinha de França, o Prestige e que acabou por naufragar em frente à costa Galega, derramando largas toneladas de crude.
Nas reportagens mostradas nas televisões, vimos os pescadores espanhóis , uns, metidos nos seus botes, outros espalhados pelas rochas e pelos areais, de balde na mão a recolher conforme podiam, a quantidade de crude que podiam.
Quando eram entrevistados e questionados pelos repórteres das televisões, na sua humildade e no seu maior ou menor analfabetismo, toda aquela gente foi unânime; estavam perante uma calamidade e que não podiam esperar que o governo enviasse os meios técnicos para o resolver, por isso avançaram, como forma mais rápida de debelar o problema e garantir o menor prejuizo possível para o meio ambiente de que dependiam económicamente, mas, que iriam em seguida, exigir ao governo a compensação pelos seus esforços.
Uma lição de humildade, de inteligência e sentido de cidadania.
Coisa que aos portugueses falta em abundância…
A começar pelos governantes. Quem mente não tem dignidade e quem perante a mentira nem sequer tem a humildade de o admitir não merece respeito. Já o disse muitas vezes aqui. Não me importo de fazer sacrifícios se for para o bem do meus país, mas não admito que me mintam, não admito que haja excepções, não admito que a verdade mude de acordo com as conveniências, que se use a Troika para justificar tudo ou que não haja transparência na actuação do governo.
«…não admito que a verdade mude de acordo com as conveniências…»
Esta pecha, tem sido desde há demasiado tempo, a peia que impede o nosso país e a nossa gente de adquirirem a dimensão correspondente às capacidades que possuem.
Na conjuntura actual, é imperativo compreendermos esta evidência, deixar de esperar que do nada, surjam milagres e acreditar no poder da renovação, da reinvenção. Precisamos de sacudir as teias-de-aranha do preconceito, da mesquinhez, da maledicência e do subterfúgio na inverdade e assumirmos quem somos, o que somos, e o que queremos construir e não admitir que nos manipulem.
E para isso, não precisamos de revoluções armadas, sanguinárias. Precisamos de organização cívica e civil, e da reestruturação económica interna, adoptando o sistema da troca, ou da venda directa, não passando pelo crivo das finanças. Talvez assim quem nos governa, compreenda que os governados possuem consciência da força que detêm e que são as peças mais importantes do puzzle…
‘Precisamos de sacudir as teias-de-aranha do preconceito, da mesquinhez, da maledicência e do subterfúgio na inverdade e assumirmos quem somos, o que somos, e o que queremos construir e não admitir que nos manipulem.’ Isso mesmo. É isso que espero do governo dest país.
Acho. Como também acho que o problema não é a democracia. O problema é a falta dela.
Bem visto. Eu é que ando iludida.
“O meu país dói-me”. -em-crise’.”
Leonor,
que expressão… Entendo-a perfeitamente. Ainda hoje quando lia sobre o aumento dos combustíveis, pensava: “caramba, aumentam os transportes, aumentam os combustíveis, diminuem os transportes públicos, diminuem os ordenados, tudo em nome de uma crise que é alimentada por aqueles que não a vivem a não ser na especulação e no ‘pseudo-sofrimento-de-governante-que-está
Entendo-a tão bem. Dói, sim, dói tanta desonestidade intelectual, cívica, política, levando a um desespero por parte de quem quer viver com integridade e coerência. Sempre desviados por falácias anteriormente utilizadas.
Espero que a (nossa) dor passe rápido!
Um Abraço!
Muito obrigada pelas suas palavras, Paulo. Hoje estou muito negativa, todos os dias as notícias negativas sucedem-se. Gostaria muito que esta dor passasse rápido.
Aguentemos firme. Abraço.
Abra os olhos, Leonor.
Foi, fomos deformados nas nossas mentalidades quando jovens.
Como eu passei a ver a realidade há uns anos (Ex Dr Cavaco e toda a elite das oligarquias partidárias, quando evocam o “interesse nacional”):
“O código cósmico” (a física quântica como linguagem da natureza)
«Se é que existe uma tal consciência colectiva, não faço a menor ideia de como comprovar a sua existência. Aqueles que apelam para uma consciência colectiva como «a vontade do povo» fazem-no geralmente para servir os seus interesses ou as suas opiniões políticas ou sociais»
Heinz R. Pagels, Gradiva (Lisboa)
Subscrevo na íntegra, e levei.
Samuel, sei que não é só a mim que o país dói.
Verdade. E para aqueles, como eu, que ainda tinham uma réstia de esperança que Passos Coelho seria um pouco diferente, quanto mais não seja do ponto de vista moral, ainda dói mais, ao ser a confirmação do que tão bem expressou, Leonor.
Um abraço
Samuel, mesmo não tendo votado nele, inspirava-me alguma confiança e sempre achei que depois do que nos aconteceu com Sócrates este seria incapaz de trapaças semelhantes. Enganei-me.
Abraço
Pois, eu claro que votei CDS, mas também esperava que Passos Coelho fosse um pouco diferente do habitual.
É claro que limitar o poder económico dos políticos não entra nas considerações.
Alguém me esclarece onde diabo vamos buscar dinheiro para pagar salários e pensões, se o aldrabão do Sócrates mergulhou o país na bancarrota? Com os mercados a fazerem-nos um imenso manguito, como é que vai ser, afinal? Não era o aldrabão do inefável Sócrates que nos dizia de Paris (onde só de renda de apartamento de luxo paga mensalmente 7 mil euros e frequenta os melhores restaurantes italianos de Paris, onde uma refeição é mais cara do que a pensão miserável de milhares e milhares de portugueses) que as dívidas não são para pagar? Não deixou o sujeito dívidas de que, em 2050, os nossos netos e bisnetos ainda continuarão a pagar juros elevadíssimos aos credores? Ora bolas!
E portanto porque o Sócrates deixou o país na miséria, e obviamente não contesto, este governo pode dizer e desdizer à sua vontade. Sejam honestos e falem a verdade!
Explique-me senhor Beirão porque é que se julga diferente de Sócrates uma vez que também precisa dos mercados para pagar salários e pensões?
Porque, simplesmente, o aldrabão do Sócrates esbanjou, de uma maneira irresponsável e criminosa, os dinheiros públicos, gastando à tripa forra em auto-estradas inúteis (às moscas), por exemplo, acumulando dívidas sobre dívidas até levar o país ai ratting de ‘lixo’. Quem não é irresponsável e sabe gerir as contas e a vida, senhor luckluky , sempre há-de acabar por sobreviver de cabeça erguida.
Leonor: não é só no ADN dos políticos portugueses. Vê as promessas irrealistas que os candidatos presidenciais franceses (e, em especial, Hollande) andam a fazer.
E isto não pretende desculpar quem quer que seja – como poderás constatar por um post que tenho praticamente pronto e devo publicar amanhã.
Com os outros posso eu bem, jaa, estou-me nas tintas para os franceses. Olha, na Alemanha, por exemplo, Christian Wulff arranjou uma série de patranhas e demitiu-se. Vês a diferença? Mas como dizia, numa altura destas é particularmente grave. Até tenho medo de ir dormir, nunca se sabe se pela calada da noite para que ninguém saiba me extingam o lugar.
Leonor,
a sua frase ” o meu país dói-me”,expressa o estado de espirito de muita gente incluindo o meu.
Para um politico o que hoje é,amanhã já não é,e isso tem de mudar urgente,as pessoas já não aguentam tanta mentira tanta trapalhada.
Pedro Passos Coelho conseguiu fazer tudo ao contário do que tinha prometido antes das eleições.
Eu e muitos acreditámos que era o governo que iria mudar,mais uma vez enganei-me.
Uma boa semana.
Isabel, foi muito sentida a minha frase, perdi a esperança neste governo.
Uma boa semana também.
…pois é D. Leonor.
tocou ao lado de um ponto importante,mentiroso por mentiroso, o socrates era mais giro. Eu acrescento: e não era moralista!É o que me irrita sobremaneira,neste actual governo: o ar padreca , santo-do-pau-oco!
Não me penso mais esperta do que ninguém, mas fico logo de pé atrás quando ouço alguém dizer “-eu cá não minto”,”-eu cá sou muito honesto!”.Porque estará de certeza a mentir,algum dia. todos mentimos, todos somos desonestos,ás vezes.De contrário,seriamos perfeitos,como só Deus o é.Como não conseguimos ser perfeitos todos os os dias…
Que me mintam, já o esperava, que me roubem idem…mas o que me tira mesmo do sério, é que me preguem sermões…e que me digo que vivi acima das minhas possiblidades !!Isso é que não.
Para terminar: Socrates teve muito azar…e nós também.Melhores tempo hão-de vir,d . Leonor, e nossa história o mostra.Porque não mal que não se acabe 🙂
Rosa, não me trate por dona que até me sinto velha 🙂
Não tenho saudades nenhumas do Sócrates, nenhumas mesmo, mas o ar padreca também me irrita muito e o ar de intocável honestidade.
Esperemos por melhores dias, sim.
🙂 acredito.Mas faz-me impressão tratar por “Leonor” alguém que não conheço de lado nenhum.
Não se preocupe, se não tenho de tratá-la por D. Rosa 🙂
Neste país tentar viver com integridade e coerência, como alguém sublinhou é candidatar-nos a viver na pobreza. E nesse aspecto este país realmente doí demasiado.
Mas não devia ser assim, o problema é que cada governo não acrescenta nada ao anterior, só prolonga a inverdade e a traição ao eleitorado.
Este país dói a todos nós, excepto talvez àquela ínfima percentagem de privilegiados que estão sempre a salvo de todas as dores. Mas tens razão: pagarem-nos sacrifícios com mentiras ou “verdades adaptadas”, que ainda são piores do que as primeiras, é chamarem-nos idiotas. Pobres e idiotas. Os portugueses têm-se portado exemplarmente, não merecem ser tratados como cidadãos imaturos que só servem para pagar impostos sem o direito de saber para onde eles vão. Nesse aspecto, este governo não tem feito melhor do que os anteriores. Mas não o comparo com o de Sócrates, apesar de tudo… essa criatura foi o pior e o mais nefasto primeiro-ministro de que tenho memória. Giro?? Livra!
Ana, para mim é comparável ao de Sócrates porque usa a mesma estratégia de enganar os portugueses sem o menor pejo e com a agravante de o ter começado a fazer mais cedo, o que em si pode até nem ser mau de todo. Dá para perceber quem se elegeu e que afinal nutre pelos portugueses a mesmíssima falta de respeito, o que considero pior tendo toda a situação em que estamos e a esperança que o elegeu. Passos Coelho foi eleito porque as pessoas depositaram nele a esperança de dias menos mentirosos desonestos, de que apesar da situação difícil que atravessamos iriam ser tratados com a dignidade com que Sócrates não nos tratou. Não está a acontecer. Não me importo que me cortem os subsídios se for para melhorar os meu país mas importo-me que haja permanentemente excepções e que me mintam.
A lata e até o ar de riso com que Passos Coelho explica aquela estratégia vil de proibir as reformas antecipadas é um insulto a todos nós bem como propor que os contratados a termo não sejam informados de que vão ser despedidos. Onde ficam as pessoas afinal para esta gente?
Comparar Passos Coelho a José Sócrates nesses aspectos é como comparar um carteirista desajeitado com um assaltante violento de bancos e casas.
Os dois com boas intenções.
ahh…e quem é quem? não será Socrates o nosso bode-expiatório?
O Sócrates nunca poderá ser desculpabilizado, não é admissível o estado em que deixou o país, mas em verdade se diga que quem tem governado o país nos últimos 30 anos, PS, PSD e CDS, tem-se governado e também é aí que está o problema.