As redes sociais funcionam com surtos virais de pequenas e micro indignações. Alguém sopra uma coisa via telemóvel, o sopro salta para o twitter ou o facebook — e é quanto basta para se assemelhar a ignição de fogo pronta a incendiar a pradaria mas que afinal se limita a chamuscar uns canteiros. Mal as chamas irrompem num determinado local, logo outro foco se propaga noutro sítio com o mesmo grau de aparente intensidade do anterior e com a mesma duração média, que raramente ultrapassa a extensão dos dias úteis. Até porque o domingo se fez para o descanso.
E assim sucessivamente. Tudo macro indignado. Até à micro indignação seguinte.

Ao Domingo não se trabalha, as redes sociais são uma pasmaceira e os blogues idem. Para que se alimentem nada como usar as horas de trabalho.
Pois, Leonor. E tanta indignação avulsa, com prazo de validade, acaba por redundar em nada.
A única coisa que nos sobra é a indignação, Pedro. Esse ‘surto’ de indignação é um sinal do estado do país e do descontentamento das pessoas, legítimo, digo eu. Dá que pensar. Devia dar, pelo menos.
até um dia, até um dia…
Espere sentado. De preferência, num sofá bem confortável.
Este país precisa de outro tipo de indignação. Uma indignação saudável que permita discutir o que temos e para onde vamos.
Sim. Mas passamos o tempo a debater o soundbite do dia. Dia após dia, semana após semana, mês após mês.
Isso. Só isso.