
Leio nas “redes sociais” que há gente ofendida por o governo ter proclamado luto nacional pela morte da rainha Isabel II. E há gente surpreendida. Entre os militantes do resmunguismo, os republicanos fundamentalistas, os ainda ressentidos com o ultimatum e os combatentes anticoloniais, pois há um pouco de tudo nesta amálgama “contestatária”.
Enfim, nesta era digital é necessário cuidado com a informação a que se acede. Por exemplo, a wikipedia não é “editada”, a informação ali colocada não é totalmente fiável. Mas ainda assim serve para balizar as nossas dúvidas iniciais, e amainar irritações. Aqui deixo ligação à página dedicada aos “lutos nacionais” declarados em Portugal – e será de atentar em dois factos:
– o primeiro é que a proclamação de “luto nacional” pela morte de alguém vem em crescendo nos últimos 12 anos, vulgarizando a medida e nisso apoucando-lhe o conteúdo simbólico (já de si pequeno, pois este “luto” não se acompanha de quaisquer medidas efectivas);
– o segundo é que desde a implantação deste regime já foram declarados “lutos nacionais” em homenagem a vários chefes de Estado estrangeiros (Sadat, Samora Machel, Hirohito, Hassan II, João Paulo II).
Assim sendo, não será muito relevante discutir esta “vénia estatal” que é a declaração de “luto nacional”. Mas se se quer discuti-la então que se faça com termos (quais os critérios, que pertinência, que medidas associadas, etc.). E não só este resmunguismo, insuportável (digo eu, resmungão encartado).
Ou seja, e com esta me calo, pelo menos vão ler a wikipedia. Pelo menos isso.

A wikipedia é aquilo que se manda sempre os outros ir ler, mas quando os outros dizem que leram algo lá, goza-se com eles por terem andado a ler uma coisa tão inexata.
Se és o produto de séculos de incesto, tens direito a três dias de luto.
Se foste o pior genocida da história da humanidade, tens direito a três dias de luto.
Se derrubas uma ditadura à qual dá lugar a democracia tão querida pela quase totalidade do povo português, tens direito a zero dias de luto.
A lógica da política portuguesa. E a direita aplaude.
1º Se derrubar a ditadura fazemos luto à morte da ditadura? Ou festejamos, tal como aconteceu?
2º A morte de Hitler foi em 1945, Salazar ainda não tinha caído da cadeira. Gesto político porque Salazar apoiou sempre pela sombra os aliados.
3º O que é direita?
Já ouviu falar em Salgueiro Maia? Quantos dias de luto teve?
Pensava que te referias ao Otelo. Esse merecia 6 dias de luto (por causa das duas viúvas).
Já agora: quantos dias de luto houve pelas vítimas das FP-25 de Abril?
José Carlos Menezes sabe escrever e sabe o que é o 1º. e o 2º. parágrafo e não sabe o que a direita?
Sabe com certeza, mas muito habitual, principalmente por quem ou quer conversa ou sente-se muito importante, atirar com um mais ou menos ‘você sabe lá o que está a dizer..’
Idiotas, só isso. A palavra ofende? Chame-lhes imbecis. É uma prática comum entre Estados, e muito antiga. Nada tem a ver com repúblicas ou monarquias, mas tão só com o respeito e consideração por outro Estado com o qual há relações diplomáticas. No tempo de Salazar a coisa chegou ao ponto de terem colocado a bandeira à meia haste quando Hitler morrei, um escândalo.
No caso da Rainha Isabel II a atenção não é só para com o Reino Unido mas também para com o Canadá, a Austrália, Nova Zelândia e outros Estados de que foi Chefe de Estado.
A prática é que tem mudado, e para pior. Como sou velho, ainda me lembro do que sucedeu com Paulo VI e João Paulo I. Por cada um foi uma semana de luto, espero não estar enganado, e música clássica na RTP o tempo todo. Nesse tempo ainda não havia televisão privada para apresentar um documentário à meia noite, por exemplo, sobre a vida das “trabalhadoras sexuais” nos lupanares, com imagens picantes. Quando morreu João Paulo II declararam luto logo após o anúncio, mas só se aperceberam mais tarde de que o enterro era dali a uma semana. Resultado: o luto foi atrasado para coincidir com o dia do enterro.
Uma coisa é certa: comparando com as glórias caseiras, vivas e mortas, não estou a ver o povo esperar oito horas para prestar homenagem a qualquer glória nacional, daquelas que foram, são, ou se pensa que podem vir, despachadas para Santa Engrácia.
O luto nacional não acarreta nenhuma benesse para os funcionários públicos?
Então também não concordo.
Eu cá queria que segunda fosse feriado para poder ver a telenovela da família real britânica em directo. Se são decretados três dias de luto, então os trabalhadores deveriam ter direito a esses dias.
Os suíços vão ter feriado na segunda. Malta esperta…
Se Portugal tem três dias de luto, então Quarteira, Albufeira e quejandos terão de ter um ano. No mínimo.