Luís Luciano Demée


Sérgio de Almeida Correia,

(Avenida Almeida Ribeiro, 1982)

 

Discípulo e amigo de George Smirnoff, arquitecto e pintor de origem russa que foi seu mestre na década de 40, viria a tornar-se num dos mais altos expoentes da pintura macaense contemporânea. A partir de 1950 começou a expor em Macau e em Hong Kong, sempre com bastante sucesso. Passou por Paris graças a uma bolsa da Fundação Gulbenkian e em 1961 tornou-se professor assistente da Faculdade de Belas Artes do Porto. Na primeira Bienal de Paris recebeu críticas honrosas e uma bolsa da Federação de Paris dos Críticos de Arte. Cidadão emérito de Macau, que lhe atribuiu a sua medalha de ouro, pintou como poucos o mar e o porto interior. Está representando em numerosos museus, entre os quais o Centro de Arte Contemporânea, Serralves, Museu Nacional Soares dos Reis, Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, Museu Luís de Camões (Macau) e Museu de Arte Moderna (Macau), e colecções particulares. Como escreveu outro grande senhor da cultura macaense, António Conceição Júnior, que foi o curador da sua última exposição no Museu de Arte de Macau (2006/2007), Demée foi “um dos mais importantes pintores portugueses da sua geração, que escolheu a via do recolhimento e da discrição para se exprimir, fugindo às ribaltas fáceis que sempre foram excessivas para o seu temperamento“. Deixou-nos ontem, no Porto, cidade que escolhera para viver os seus últimos anos, legando-nos toda a intensidade e simplicidade da sua obra. Como é próprio dos artistas intemporais.

(Juncos no Mar Alto, 1945)

2 comentários em “Luís Luciano Demée”

  1. Grande pintor, mestre Demée. Há muitos anos que era admirador da arte dele. Muito do nosso imaginário relacionado com Macau vai-se perpetuando através do tempo nas telas que nos legou. Lamento que a sua morte, por cá, tenha passado tão despercebida.

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