Uma excelente peça da SIC, inserida ontem no Jornal da Noite, honrou as melhores tradições da estação televisiva que se prepara para festejar um quarto de século de existência. Esta peça jornalística relata com minúcia toda a fita do tempo da tragédia de Pedrógão Grande, demonstrando sem margem para dúvida que as comunicações entraram ali em colapso, tornando ineficaz toda a estrutura da protecção civil.
Sabendo-se agora tudo isto, torna-se não só chocante mas até insultuosa esta pretensa mensagem de tranquilidade que na noite da tragédia o secretário de Estado da Administração Interna – com a ministra ainda ausente do local – dirigiu aos portugueses em geral e à população de Pedrógão em particular: «Houve falhas momentâneas de comunicação mas que foram restabelecidas. O SIRESP [Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal] está a funcionar com bastante regularidade e bastante bem.»
Tudo falso nesta declaração. As falhas nunca foram apenas momentâneas, a comunicação não fora restabelecida e o apagão das ligações mantinha-se no preciso momento em que Jorge Gomes falava assim ao País. O SIRESP – que revelou deficiências desde o início, como esta reportagem de Ana Leal, da TVI, já deixava evidente em 2014 – não funcionava “com bastante regularidade e bastante bem”: não funcionava, ponto final.
Este alerta não evitou que a 17 de Maio, um mês exacto antes de eclodir o drama de Pedrógão Grande, Jorge Gomes, depondo numa audição na comissão parlamentar de Agricultura e Mar, tenha ludibriado os cidadãos, tranquilizando-os com estas palavras que os factos não tardariam a desmentir: «Quero transmitir aos portugueses que temos um dispositivo capaz, devidamente estruturado e organizado, no qual temos plena e total confiança, para fazer frente ao período mais crítico dos incêndios florestais» (minuto 8 deste vídeo); «O País tem um dispositivo integrado, competente, forte e mobilizado para defender a floresta, o património e a vida dos portugueses.» (10′ 30” do vídeo).
Pior que tudo isto, ainda pior que manter-se sem censura política um membro do Governo em manifesta fuga à verdade num momento tão traumático, é termos hoje a certeza de estarmos perante uma deficiência estrutural gravíssima, com efeitos potencialmente tão irreparáveis como os ocorridos em Pedrógão.
É um problema tão alarmante que por estes dias voltou a estar em foco no grande fogo florestal de Alijó, levando o presidente da câmara local a apontar sem rodeios para novas falhas neste sistema onde o Estado português enterra 40 milhões de euros por ano: «Estive duas horas sentado só a ouvir e apercebi-me que a comunicação falha: não sabemos exactamente onde está posicionada cada equipa, onde está a arder. Às tantas, só recorrendo aos telemóveis é que se consegue comunicar.»
Como escreve o Manuel Carvalho na edição de hoje do Público, «o que torna a história de Alijó num caso ainda mais absurdo e inaceitável é que, sem ser necessário recorrer a comissões de inquérito independentes, podemos desde já suspeitar que as operações de combate foram marcadas pelo desnorte, pela incompetência e, uma vez mais, pela falha criminosa desse sistema delinquente chamado SIRESP».
O secretário de Estado ainda em funções teve agora ao menos a sensatez de permanecer calado.

” Às tantas, só recorrendo aos telemóveis é que se consegue comunicar.»”
Qualquer agente da PSP lhe pode confirmar que as operações que decorrem em cenário urbano à 10 anos que se baseiam nessa tecnologia de comunicações.
Muita sorte não terem de recorrer aos velhinhos ‘walkie-talkies’.
o homem é um desastre politico
o pres da CM de Pedrógão é outro
não houve estado de emergência
nem informa sobre o nº de mortos
a culpa é do morto
estava no local e horas erradas
Não vi a reportagem, mas quero vê-la assim que possível.
Todos se apressaram a dizer que nada mais poderia ser feito, o que infelizmente é sinal que sabiam que algo deveria ter corrido mal.
Pode ver aqui, Psicogata: agedia-em-pedrogao-grande/2017-07-17-SIC-r econstituiu-as-comunicacoes-durante-a-tr agedia-de-Pedrogao-Grande
http://sicnoticias.sapo.pt/especiais/tr
Prepare-se: é chocante.
Um mês depois, tudo na mesma.
Um mês depois, tudo na mesma.
Sem dúvida. Mas também estava tudo na mesma há um ano, e há dois anos, e há três e há quatro. Há muitos anos que vivemos com este SIRESP e durante esses anos todos já tivemos montes de incêndios, nalguns dos quais, presume-se, o SIRESP terá falhado.
Pergunta-se então, porque é que só agora se fala tanto das falhas do SIRESP? Somente agora elas foram descobertas? E porque é que ainda ninguém tentou pôr-lhes cobro?
Porque é que só agora se fala tanto das falhas do SIRESP? Talvez porque tenham morrido sessenta e quatro pessoas num incêndio (isto é só um palpite, claro).
Coisa pouca. Minudência. Pormenor de somenos.
Já estava à espera dessa resposta. Mas ela não cola.
Se já houve montes de grandes incêndios desde que o SIRESP existe, e se em alguns deles o SIRESP tiver falhado, porque é que só neste incêndio houve mortes (de civis)?
Não há qualquer indicação de que as pessoas tenham morrido devido à falha do SIRESP. A morte das pessoas foi um acontecimento único (apesar de já ter havido muitos grandes incêndios em Portugal, nunca tinham morrido mais do que 1 ou 2 civis em qualquer incêndio, que eu me recorde), que com toda a probabilidade se ficou a dever a causas únicas (uma evolução peculiarmente violenta e imprevisível do fogo) que nada tiveram a ver com o SIRESP.
É evidente que é grave o SIRESP falhar em incêndios. Mas isso não é a causa das mortes. E tão graves são essas falhas agora, como o eram há 2 ou 4 ou 6 anos atrás.
Meu caro Lavoura, parece que a Liga de Bombeiros discorda quanto à eficiência do SIRESP. A lógica do SIRESP é a mesma da lógica dos negócios dos Canadair, ou da venda de património imobiliário estatal e posterior arrendamento
desses imóveis pelo mesmo Estado. São Piadas Infinitas, dignas de Wallace. Concordo consigo quando diz que o SIRESP não matou ninguém. Ao que dizem foi o fogo
Porque são todos uns aldrabões.
Porque morreu muita gente seu grande idiota.
Gostava de saber se tivesses morrido tu lá no churrasco, se a culpa também era tua.
Já agora, tu que gostas tanto da Venezuela, porque no te callas ?
Há dosi tipos de anónimos: os que usam uma linguagem decente e os que usam uma linguagem indecente.
Caro Lavoura, não houve tragédia semelhante a Pedrógão no passado, porque deus fala português.
Quanto ao porquê de só agora se falar nas falhas do SIRESP talvez tudo se resuma a Incompetência Pátria. Também ninguém falava sobre o BPN até aquilo rebentar à grande e à francesa. E daí , que conclusão tirar?
Obrigada Pedro.
Estou à espera que seja chocante.
Felizmente alguém fez um trabalho bem feito e não está a deixar cair este assunto no esquecimento.
Ontem, enquanto fazia o jantar vi imagens de trabalhadores da Mota Engil, não investiguei, mas fiquei a pensar porquê essa empresa?
Isso não sei. Mas a SIC fez, de facto, muito bom trabalho. Todo o ‘Jornal da Noite’ de ontem, aliás, merece nota muito elevada.
Acredito, ainda há quem faça um bom trabalho na informação, mas é começa a ser uma raridade.
Quanto mais raros, mais elogios merecem os que se destacam pela qualidade. É o caso.
Sem dúvida.
S-sistema de falência gritante
I-inimputável por guarda vilões
R-replicada em sons de alerta
E-especialidade letal promiscua
S-sinais abjetos de pura fraude
P-promotores sujos e sombrios
A sigla da incompetência. Paga a 40 milhões por ano.
Por todos nós.
Só nos falta um macronzinho.
O BE não gosta da tropa, aliás a própria tropa não gosta dela senão dava-se ao respeito, o PC está novamente a respirar assentando praça nas empresas falidas que o “estado” ainda não transformou em PPP e o PR vai dar a estocada final nesta malta o mais tardar sendo louvado por “todos” por trazer o diabo novamente para o poleiro.
O Estado tem sido destruído vai para quarenta e tal anos e é cómico (trágico) ver quem o destruiu a clamar agora por mais “estado” ou a pôr as culpas numa empresa privada que estava cá antes, agora e depois (espero eu – porque até é a melhor no oligópolio existente) para ganhar dinheiro tal como todas as outras.
” A Nação não se confunde com um partido, um partido não se identifica com um Estado.”
https://www.youtube.com/watch?v=_cmgiys2 n1o
O Bloco de Esquerda não gosta de nada nem de ninguém e não esconde que abomina os que não partilham as suas ideias.
Um embuste!
Eu sou do Bloco e ainda não tinha topado. Vou sair já.
Continuam a passar esta manhã nas TV’s as declarações proferidas ontem por Costa. Dizia ele ser necessário que as linhas aéreas sejam enterradas e que haja redundância nas comunicações. Ninguém se atreveu a perguntar-lhe se isso não está previsto no contrato que ele assinou há 11 anos.
É a incompetência do nosso jornalismo que permite a impunidade dos nossos políticos.
E a melhorzinha do dia: tal como o contrato entre o MAI e o SIRESP desresponsabiliza este em situações de falha “por força maior”, também a PT é desresponsabilizada com a mesma cláusula no contrato entre esta e o SIRESP.
Caso para dizer: também quero esses advogados…
E entretanto a ineficaz, incompetente e inenarrável Desprotecção Civil parece mais preocupada em cortar a liberdade de expressão aos comandantes das corporações de bombeiros. Quase sem um protesto das bempensâncias do costume. dade/noticia/incendios-proteccao-civil-i mpoe-lei-da-rolha-a-comandantes-dos-bomb eiros-1779584
https://www.publico.pt/2017/07/18/socie
Infelizmente o (S) incendios tiraram Vidas … não tirão votos. A culpa passou por Passos Coelho e já está na PT…. Amanhã o que será?
PT… P
O que menos interessa em tudo isto são os votos. A perda de vidas humanas – e a necessidade de apuramento de todas as responsabilidade em torno desta tragédia – sobrepõe-se a tudo o resto.
De acordo – incompetência…e cumplicidade que raia a prostituição.
Que bom! Eu gosto tanto de prostitutas.
A sério que fiquei agradavelmente surpreendida com a sobriedade da reportagem. Muito bom. os portugueses já mereciam uma peça jornalística de grande gabarito como esta.
O seu texto complementa-a na perfeição. Excelente.
O Pedro é uma pessoa de bem. Isento e muito tolerante. Eu não teria tanta paciência.
A minha paciência já foi maior do que vai sendo por estes dias perante tanta estupidez, cara Dulce. Muito obrigado pelas suas palavras.
ontem tive que passar por Pedrogão Grande e, para além de um rapaz de bicicleta, as únicas almas vivas que vi foram quatro jornalistas da SIC. e vi muitos carros de televisões. Há que aproveitar o circo enquanto rende
Circo?
Sr Jorge Silva
Se um “filho” seu tivesse morrido no trapézio ou no arame… a esta hora estava a chamar fdp a alguem!
É preciso não ter uma pinga de sangue para chamar aquela tragédia ” circo”.
Pense um bocadinho e peça perdão a sessenta e tal almas!
vamos com calma! o circo não foi a tragédia das mortes e feridos. o circo é o aproveitamento político e comercial que se está a fazer em cima da desgraça alheia. e não venham com essa treta de “ai se fosse um filho seu”. vocês perceberam desde o início o que quis dizer mas é uma versão que não vos convém.
Relatar factos é montar “circo”, ficamos a saber. Preferiam então a lei da rolha, que parece já estar a começar a ser aplicada pela incompetente “protecção civil” aos comandantes das corporações de bombeiros. dade/noticia/incendios-proteccao-civil-i mpoe-lei-da-rolha-a-comandantes-dos-bomb eiros-1779584
https://www.publico.pt/2017/07/18/socie
Assim vamos regredindo também na liberdade de expressão. A isto não chamam vocês circo. Até devem achar muito bem.
desculpe mas continuo a discordar. descobriram agora que neste país existem 9.999.999.999 de especialistas em incêndios, 9.999.999.999 de especialista em distribuição de donativos, 9.999.999.999 de especialistas em planeamento florestal e por aí fora.
desculpe mas para mim isso é circo e, por mais que se queira transformar isso em proveito eleitoral de alguns, tudo isso não respeita a memória das vítimas. Não é sério
Isto não tem nada a ver com incêndios: podia ter a ver com inundações, ou com um terramoto.
Tem a ver com a (des)Protecção Civil. Que falhou em toda a linha, como hoje o País inteiro sabe.
Vou ser cinico…
” Para cinico cinico e meio”
Ainda ouviremos: – Certos fogos são úteis e provocados deliberadamente pelo mInisterio da Agricultura (sob controlo do MAI) para que uma vez por todas acabemos com os eucaplitos…
A história dos eucaliptos, no discurso geringoncês, substituiu o tradicional paleio da “luta de classes” com essas árvores a representarem a “classe opressora” e as putativas espécies autóctones a figurarem como “classe oprimida. dade/noticia/um-governo-a-leste-da-ameac a-que-paira-sobre-o-pais-1779384
O problema, como acontece com muitas fábulas, é a sua falta de adequação à realidade. O brutal incêndio de Alijó, esta semana, demonstrou bem como o fogo arde também de forma devastadora onde não há eucaliptos.
«Desta vez, o Governo não vai poder desvalorizar o incêndio de Alijó com a mesma negligência com que menorizou o assalto em Tancos. O pinhal que este fim-de-semana foi destruído no planalto do meu concelho era feito de árvores antigas, grandes, de enorme valor económico e ecológico. Era o pulmão verde da região, onde passei muitas tardes de Outono a apanhar cogumelos silvestres caminhando sobre uma manta húmida e fofa de musgos, onde as giestas e os tojos tinham por vezes dificuldade em sobreviver na penumbra permanente das copas frondosas», escreve hoje Manuel Carvalho no ‘Público’.
https://www.publico.pt/2017/07/17/socie
E a protecção civil agora proíbe os comandantes dos bombeiros de prestar declarações?! E eles acatam a ordem??? mas quem é esta gente? Uns pensam como canalhas socialistas outros pensam como escravos? Havia de ser comigo: além de terem de vir eles apagar o fogo, prestava logo uma declaração: para dizer que sou bombeiro, cidadão livre, e que não tenho que acatar ordens de ninguém e muito menos de fdpês do governo.
Revoltem-se. Não sejam escravos. Aquela gente merece ser destruída.
Porra, V! Ainda rebenta com uma carótida. Veja no YouTube um documentário chamado Zeitgeist. Vale a pena.
Quantas há? Se houver duas posso bem passar sem uma “só para mandar vir”.
64 é um número tão oficial como o comportamento conhecido por “lei da rolha” que, oficialmente, foi adoptado só mais recentemente.
Falharam? – Tudo falha, mas quando há cativações mais as falhas acontecem. A malta gosta mesmo é de mandriar e então quando apanham cativações – desde que não sejam no seu salário, porque dessas reclamam logo – ohh, é ouro sobre azul – são um óptimo incentivo para o desmazelo tomar conta do estado de prontidão e capacidade de resposta de toda a estrutura.
Não há dinheiro para isto ou para aquilo e todos os afectados pelas cativações dizem logo entre si coisas como: “assim não há condições para trabalhar!” E depois é um tal deixar arder.
Realmente é uma chatice não ter condições para trabalhar… O melhor disso é que nunca ninguém é responsabilizado e o posto de trabalho; o cargo; a pasta; enfim, o tacho estar sempre garantido e bem cheio por conta do Estado. Ou pelo FMI, como aliás já aconteceu.
Merece destaque.
E mereceu mesmo.