A escritora argentina María Gainza escreveu um livro que se chama “El Nervio Óptico“. Em português chama-se antes “O Nervo Ótico“. Quer dizer que, na tradução portuguesa, o título deixou de se referir ao segundo par (II) dos doze pares de nervos cranianos, referente à visão, para se passar a referir antes ao oitavo par (VIII), referente à audição. Aí está como na tradução — ou na (des)ortografia acordista — se consegue deixar o leitor completamente perdido, até sobre a anatomia humana.
Lost in translation.
Luís Menezes Leitão,

Que grande estupidez.
Esta é uma das maiores imbecilidades do dito acordo.
Tiram o p de óptico (visão) e criam uma absurda homografia com ótico (audição).
Segmentando, com leviandade parola, uma respeitável família lexical. Pois mantêm o p em optometria ou optometrista, por exemplo.
Tanta burrice devia pagar imposto. Já teríamos reduzido o défice para metade.
Pedro Correia, eu não sou grande adepto do AO mas neste caso o imbecil é quem fez a tradução, já que o AO prevê que se mantenha a consoante quando no caso de ser retirada dê origem a uma palavra igual a outra já existente.
Caro Miguel, a imbecilidade é do próprio AO, que através dos seus “instrumentos interpretativos”, nomeadamente o autoproclamado “Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa” e o dicionário Priberam, considera “óptico” apenas “grafia brasileira”, fazendo tábua rasa da etimologia tal como sempre foi entendida deste lado do Atlântico.
Este é, aliás, um dos múltiplos casos, em que o putativo AO, em vez de “unificar”, separa o que nunca foi divergente.
É também um dos múltiplos casos em que se impõe uma revisão urgente do dito “acordo”, na linha do que já foi recomendado pela Academia das Ciências de Lisboa.
O poder político não pode continuar a fechar os olhos a isto. O Presidente da República deve designar uma comissão oficial de revisão do AO, composta por autoridades académicas, ainda durante o ano em curso.
Pedro, o AO não necessita de uma «comissão oficial de (urgente) revisão»; necessita, isso sim, de extinção, de eliminação, pura e simples.
Caramba, eu não queria apontar o óvio de Colombo, mas acho que isso explica, finalmente, a génese do Coiso: nervos a mais, sentidos a menos.
Já sabia, e já comentei:
http://horasextraordinarias.blogs.sapo.p t/a-arte-da-vida-449573?thread=6974501#t 6974501
Estou em desacordo com o acordo.
Curioso (ou talvez não) silêncio, aquele a que se remetem, perante evidências como esta, os fervorosos arautos do AO90. Incluindo – prolixo comentador neste blogue – um deles (verdadeiro e beato director espiritual) que não hesita, noutro “post”, em acusar de incitamento à pedofilia.
Costa
http://porticodalinguaportuguesa.pt/inde x.php/acordo-ortografico/esclarecimentos/i tem/vocabulos-opticaoptico-vs-oticaotico-u ma-questao-da-nova-ortografi
Um belo dia, uma Senhora natural de Vera Cruz, intrepelou-me em Belém e perguntou “Moça, a Senhora fala português?”. Ficou um tanto baralhada com a minha resposta”Se me deixarem, falo sim”, mas como entendeu em boa língua lusa as direcções que pretendia ficou satisfeita e agradeceu, não deixando porém de referir que quase todos os Lisboetas falam “como se estivessem com a boca cheia e não se entende”… precisamos seguramente de lições de dicção, de preferência sem consoantes mudas.
O mesmo se passa com a palavra “coacção”, “acto ou efeito de coagir”.
Segundo o “aborto ortográfico”, que manda cortar todas as consoantes mudas, coacção passa a coação. O dicionário em bom português diz que coação é o acto ou efeito de coar ou filtrar. Parabéns a todos os sábios iluminados nesta matéria.
Que importa os escritores discordarem do “aborto ortográfico”, se nada fazem para o aniquilarem? Haja coragem::
Façam um texto bem redigido, expressivo, e fundamentado àcerca deste “aborto ortográfico”.
Ponham-no a circular na NET, e à consideração do pessoal anti-acordista, que são aos milhares, e que se recolha o maior número de assinaturas, aliás penso que não são necessárias, basta juntar as assinaturas já recolhidas e identificadas noutras ocasiões em petições e para o referendo. O documento elaborado será então remetido ao Tribunal Europeu de Justiça, com conhecimento ao Parlamento Europeu, e às entidades importantes do País (Presidente da República, Presidente do Parlamento, Governo, deputados com assento parlamentar, Tribunal administrativo, Supremo etc… )
Não tenhamos ilusões, com o devido respeito pelas opiniões efectuadas em diversos blogues, que ninguém lê, andamos a perder tempo, aturando gente que não se conhece e sem escrúpulos.
O que acham desta proposta!
Cumprimentos