Look, man


Luís Naves,

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Alguns economistas famosos (Nouriel Roubini, Peter Schiff, entre outros) estão a fazer avisos sérios sobre a vulnerabilidade do sector bancário americano e a ameaça iminente de uma crise financeira, cujos efeitos provavelmente já estamos a sentir. O primeiro destes gurus fala em “crise de dívida estagflacionária”, ou seja, forte recessão com inflação, com os países endividados em dificuldades cada vez maiores, presos num pântano de areias movediças, onde se afunda o crédito, o consumo e a economia real. Nesse cenário, Portugal pode ter problemas. Os pessimistas mencionam a possibilidade de repetição da crise de 2008, mas numa versão de filme de terror, e há académicos a dizer que centenas de bancos americanos estão em dificuldades. Isto surge na pior altura: no meio de um conflito político interno nos EUA, de uma guerra na Europa e de enorme tensão com a China. A crise interna é profunda (até o New York Times critica os termos da acusação a Trump, “the rule of the circus”) e as dificuldades económicas prometem durar. Em 1960, a economia americana representava 40% da economia mundial; agora, a fatia é de 24%. Se houver colapso financeiro, os historiadores do futuro poderão dizer que a América tinha a hegemonia mundial e a moeda de referência do planeta e que, após uma sucessão de cinco péssimos presidentes, ocorreu um declínio rápido destas vantagens. Joe Biden ficará na História como o pior presidente americano, o velhinho dos gelados que perdeu a Rússia (Truman perdeu a China) e que, no plano económico, conseguiu até ser pior que Herbert Hoover.

imagem: Night Café

13 comentários em “Look, man”

  1. Joe Biden ficará na História como o pior presidente americano

    A culpa de uma eventual crise financeira não é de Joe Biden. É, primariamente, dos Bancos Centrais, que mantiveram taxas de juro demasiadamente baixas durante demasiado tempo.

    1. Os bancos centrais colocaram as taxas de juro demasiado baixas por pressão política. São falsamente independentes, ou com grande benevolência podemos dizer não vivem no vácuo politico. Basta ver quem nomeia os presidentes do bancos centrais…
      Quando no fim dos anos 90 do passado século os governos queriam mais e mais dinheiro dos impostos a solução foi aquecer a economia além de aumentarem impostos.
      A economia aqueceu principalmente com aquilo que é fácil para todos os humanos fazerem: construção civil. Com juros ultra-baixos a dimensão de crédito explodiu, crédito é criação de dinheiro.
      A bolha rebentou em 2008.
      A solução foi tapar-se a bolha com uma bolha maior.

  2. Foi o maior ataque que já vi às atuais lideranças da UE e da NATO, que apoiam cegamente a atual liderança senil dos USA…

  3. Em 1960, a economia americana representava 40% da economia mundial; agora, a fatia é de 24%.

    Mesmo este número 24% é muito questionável, porque se baseia em avaliações tradicionais do PIB, que atribuem o mesmo peso a produtos transacionáveis e não-transacionáveis e que favorecem países com níveis de preços muito altos, como os EUA. Se tivermos em conta que grande parte do PIB dos EUA tem preços inflacionados relativamente a produtos similares noutros países, e que grande parte do PIB dos EUA corresponde a produtos não-transacionáveis (por exemplo, cuidados de saúde ou serviços jurídicos a cidadãos dos EUA), então chegaremos provavelmente à conclusão que os EUA são ainda bem menos de 24% da economia mundial.

  4. Os sistemas redistributivos são feitos para primeiro dar poder aos redistribuidores, recompensam quem tem mais influência sobre estes e acabam sempre com problemas de estagnação uma vez que a criação é punida se não tiver influência dos redistribuidores.

    Como disse Ronald Reagan
    Government’s view of the economy could be summed up in a few short phrases: If it moves, tax it. If it keeps moving, regulate it. And if it stops moving, subsidize it

    Por isso aparecem os multimilionários PRR e os juros a 0%.

  5. Neste postal, leio que Biden perdeu a Rússia. Noutros lados leio observações semelhantes. Mas há duas coisas que não consigo ler em lado nenhum, nem sequer nos cronistas do “Observador”, de muito longe o melhor naipe da comunicação social portuguesa.
    1 -.Biden, por sectarismo ideológico e/ou apenas para contrariar Trump, conseguiu a proeza de pôr a Arábia Saudita de acordo com o Irão sob a égide da China. As primeiras consequências já estão aí: a OPEP reduziu a produção em 1,2 milhões de barris por dia, depois de ter já feito uma primeira redução de 2 milhões em resposta ao pedido de Biden para aumentar a produção. O novo choque petrolífero, segundo analistas americanos, deverá levar o “crude” para 150 dólares por barril. As consequências serão devastadoras para a Europa e darão um enorme alento à economia russa.
    2 – Aproximam-se as eleições na Turquia e o adversário de Erdogan, aparentemente bem colocado, é um azeri. A sua eventual vitória pode vir a facilitar um entendimento entre a Turquia e o Irão. Mais uma ponte comum, como já é, pelo prisma deles, o problema curdo. Se aí chegarmos é o fim da Europa como a conhecemos. Se calhar é mesmo por isso que ninguém fala no assunto.

    1. Excelente comentário. Turquia, Egipto, Irão e Arábia Saudita vão aproximar-se, parece evidente, o que muda o equilíbrio regional e baralha todos os dados sobre o Médio Oriente.

    2. Os Azeris não têm grandes relações com o Irão devido também à relação previligiada que têm com Israel.. É duvidoso que o Erdogan seja melhor.

      Quanto ao sr. Biden tal como antes o Obama é só desastres atrás de desastres.
      Mas o que é importante é como a esquerda e boa parte do centro politico no Ocidente pela seu apoio e ou cumplicidade com a desconstrução Marxista da Civilização Ocidental que incluí a vitória do Estado Redistributivo sobre o Estado Criativo vai colocar todas as outras culturas a rejeitarem boa parte da visão Ocidental sobre tudo.
      A que se adicionam as tácticas do Ocidente em aumentar a complexidade da economia – o “ambientalismo” destruiu qualquer capacidade de um país Africano desenvolver um carro nas próximas décadas por exemplo –

      1. “Os Azeris não têm grandes relações com o Irão devido também à relação previligiada que têm com Israel.”
        Não confunda. Quem tem boas relações com Israel é o Azerbeijão que usa a língua azeri – uma língua turcomana – e tem na sua população uma minoria étnica azeri. Há que ter presente que os turcos sempre foram pragmáticos e, apesar de sunitas, nada têm a ver com o whanabismo da Arábia Saudita. Mesmo a aplicação que fazem da lei islâmica, não é radical. Nem cortam mãos a ladrões, nem enforcam homosexuais, as mulheres herdam em paridade com os homens e o seu testemunho em tribunal também iguala o de um homem.
        Por seu lado os azeris são xiitas, também não radicais. Por exemplo as mulheres rezam em conjunto com os homens. Na Turquia existe uma minoria azeri que muito ajudou a Turquia sunita, a apoiar o Azerbeijão xiita no último confronte de Nagorno-Karabakh (onde os “drones” turcos recentemente cedidos à Ucrânia) se mostraram muito eficazes.
        A regra de que sunitas e xiitas são necessariamente inimigos, já tinha uma aplicação difusa na Turquia e foi agora afastada com o acordo Irão-Arábia Saudita. Ora os azeris serão cerca de 30 milhões, dos quais aproximadamente 2/3 vivem no Irão. Por isso considero que um presidente turco azeri, poderá ajudar a fazer um entendimento com o Irão. Note-se que o Irão está próximo da China e da Rússia e que a Turquia de Erdogan tem uma política dúbia em relação à Rússia. Assim um eixo Arábia Saudita-Irão-Turquia e Egipto, terá necessariamente uma orientação anti-ocidental. Por outro lado, a sua dimensão humana e de meios é de tal forma dominante que atrairá/dominará todo o restante Médio-Oriente islâmico. O acordo Abraão – a jóia da coroa da política de Trump no Médio Oriente – irá à vida e a hipótese de uma guerra com Israel cresce exponencialmente.
        Só doentes como a Greta e tarados como o Galamba acreditam que as energias verdes podem substituir os hidrocarbonetos nos próximos 10 anos. A fissão nuclear pode ainda demorar 20 anos e sempre mais de 10. Mesmo centrais nucleares demoram 2 a 5 anos a construir e são caras. Depois, no dia em que um grupo radical ocupar uma central, será pior do que na Covid. O estado policial será uma realidade muito provável. Por isso acho que não exagero ao dizer que a Europa pode nunca mais ser a mesma.

  6. Muito bom post, Luis Naves e excelentes comentários.
    Assinalaria o que todos bem sabemos: quando o complexo produtivo, industrial, dos EUA começou por um lado a usar as vantagens da mão de obra barata na China e, no início do século, essa mesma (gigantesca) China começou a ser gradualmente admintida na WTO obviamente que ao fim de duas dezenas de anos o resultado não poderia ser outro.
    O eixo da economia global está, já hoje, no pacífico. Até já é autosuficiente, vive com produção/consumo interno, necessitando cada vez menos do mercado externo EUA e Europa.
    Qualquer veleidade militar seria (será?) demasiado destrutiva para ambos.
    Politicamente esta deslocação de Macron, Ursula VdL demontra-o. Curiosamente Trump, candidato presidencial, menciona-o.
    O “team” Biden sempre foi pró (e dependente) do CCP.

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