O Lello tem um gosto requintado. O Lello nunca anda despenteado. O Lello ama o bello. O teatro, a pintura e a esculltura, tudo isso o Lello aprecia. O Lello já comprou uma serigrafia. O Lello é um artista mas, por modesto, recusa ser sullista. O Lello ouve música erudita. O Lello faz parte da cllientella restrita. Nas inaugurações é o Lello que corta a fita. Na lliteratura, o Lello seria um cllássico. O Lello tem de Pessoa o tripllo do perímetro torácico. O Lello compra livros que nunca saíram do prello. Se fosse um instrumento, o Lello seria um violloncello. E o arco um martello. Quando pragueja, o Lello verseja. A palavra é folleira? O Lello adorna. A situação está feia? O Lello contorna. E um trambolhão transforma-se em anomallia. O Lello converte acidentes em tecnollogia. Uma só frase do Lello é um tratado de fillosofia. A casa do Lello devia ser um castello. O Lello não respira, opõe-se à apneia. O Lello não come, saboreia. O Lello não grita, canta. O Lello não escorropicha, decanta. O Lello não emborca, desfruta. Se fosse uma fruta, o Lello seria um marmello. Muito amarello, o Lello. Dita por Lello, uma acusação fica mais fina e chama-se llibello. O Lello vê para llá do que a vista allcança. Quando era Secretário de Estado das Comunidades o Lello até foi a França. O Lello nunca descansa, repousa. O Lello apoia o Engenheiro Pinto de Sousa. O pé do Lello nunca sai do chinello. O Llello come pão com gelleia. Ao allmoço, ao jantar e à ceia. O Lello não desafina, trauteia. O Lello não duvida, titubeia. Quando anuncia, o Lello proclama. O Lello veste robe de chambre quando anda em pijama. O Lello descansa numa chaise llongue quando se llevanta da cama. É assim o Lello e, como se vê, não tem parallello.


Hahaha excelente!
Tem razão, José. Lello é um caso de allegria e excellência.
Magnífico.Desllumbrante.
O Lello é mesmo assim, Eva. Hillariante.
Um texto com muita piada. Parabéns. Rellê-llo é um prazer.
Parabéns.
O mérito é todo do Lello, Carlos II.
Excelente. Parabéns pelo texto. O Lello deveria agradecer-lhe tamanho ellogio.
Elle é homem para isso, JMVFaria.
Paralelepípedo (geometria) = “ParaLellopípedo” (política lusitana)
Belo paraLLellismo, Gonçalo.
إلهة العظيمة
Estou convencido que afinal isto é allelhu akbar.
E até é verdade, com um ‘piquena’ e “arreliadora deficiência tecnológica”
O Lello é imenso, Carlos Alberto. Nunca vai akbar.
Aahahahahahaha. ao menso que volte o bom humor.
É essenciall, Lourenço.
Não sei se umas livrarias ali à rua das Carmelitas no Porto e à rua do Carmo aqui em Lisboa, pensarão em mudar de nome…
É possível, Fernando. Livrarias Valter Lemos seria uma opção de bom nível.
Rui,
Bem esgalhado, mas quer-me parecer que lhe estás a dar demasiado “tempo de antena”.
O tipo não tem categoria, nem estatuto, que mereça mais do que uma brevíssima referência no rodapé parlamentar. Como muitos mais, infelizmente, da direita à esquerda.
Sim, Sérgio. Tens seguramente razão. Mas, há momentos em que não sou eu que escrevo. Foi seguramente uma influência de um mundo para-Lello.
Uma autêntica prosa digna de um Alexandre O’Neill! Pensando melhor, talvez faça mais justiça a um Alberto Pimenta…
Nem para as solas de um, nem para os calcanhares do outro, Fernanda.
O José Lello é um “foleiro”. Ops, desculpe sr. dr. José Lello, mas estava a usar o seu português “redondo”.
O Lello sempre foi “foleiro”, mas agora parece que está mais foleiro que nunca.
O Lello é o exemplo das más companhias com que anda o sr. primeiro ministro, bom, mas também parece que estas conversas foleiras são frequentes entre os amigos do sr. primeiro ministro, ainda se lembram quando gravaram a conversinha dele com o amigo Vara e falavam da “Velha”… é melhor terminar este comentário que está a ficar foleiro!
Carlos Pedro
Nada disso, Carlos Pedro. O comentário foi muito certeiro.
Digno de Um Almada Negreiros.
A influência está lá, claro, Helena. Infelizmente, é só isso. O Dantas teve muito mais sorte pois foi vergastado por um mestre.
A Helena Maria Marques tem razão. Foi exactamente do Dantas que me lembrei. Brilhante!!! Este texto vai ficar para a história.;)
Demasiada bondade sua, Fátima. Obrigado.
Fabulloso texto, mas estás a ser tão arrelliador como a tecnollogia que tramou o Lello…
Encore, encore!!!
Grande posta caro Rui!!!
Obrigado, Pedro. Um abraço.
Como dizia um outro Vicente, ridendo castigat mores , dellirante posta, Rui!
Obrigada, Ana.
Uma coisa é certa. O Lellito mereceria prosa assim se não um reles lelo.
Aim!
Foi um texto one shot. Não dava para acertar em dois tipos de Lello. Optei pelo alvo maior.
Brilhante, este seu “Manifesto Anti-Lello”, Rui. O Dantas ao pé do Lello, é um autêntico ‘menino-do-coro’. Se ele já existisse ao tempo de Almada, teria ofuscado por completo o Dantas. Aliás, “Danttas”…
Em abono da verdade, Luís, o manifesto Anti-Dantas é uma peça literária brilhante mas, algo injusta, por excesso, para o seu destinatário. Injustiça que eu só poderei encontrar por defeito naquilo que escrevi.
Bello naco de prosa, Rui. E bella foto, que deve ser delle.
É mesmo elle, João. Em pelle, carne e osso.