Llellillismo


Rui Rocha,

 

O Lello tem um gosto requintado. O Lello nunca anda despenteado. O Lello ama o bello. O teatro, a pintura e a esculltura, tudo isso o Lello aprecia. O Lello já comprou uma serigrafia. O Lello é um artista mas, por modesto, recusa ser sullista. O Lello ouve música erudita. O Lello faz parte da cllientella restrita. Nas inaugurações é o Lello que corta a fita. Na lliteratura, o Lello seria um cllássico. O Lello tem de Pessoa o tripllo do perímetro torácico. O Lello compra livros que nunca saíram do prello. Se fosse um instrumento, o Lello seria um violloncello. E o arco um martello. Quando pragueja, o Lello verseja. A palavra é folleira? O Lello adorna. A situação está feia? O Lello contorna.  E um trambolhão transforma-se em anomallia. O Lello converte acidentes em tecnollogia. Uma só frase do Lello é um tratado de fillosofia. A casa do Lello devia ser um castello. O Lello não respira, opõe-se à apneia. O Lello não come, saboreia. O Lello não grita, canta. O Lello não escorropicha, decanta. O Lello não emborca, desfruta. Se fosse uma fruta, o Lello seria um marmello. Muito amarello, o Lello. Dita por Lello, uma acusação fica mais fina e chama-se llibello. O Lello vê para llá do que a vista allcança. Quando era Secretário de Estado das Comunidades o Lello até foi a França. O Lello nunca descansa, repousa. O Lello apoia o Engenheiro Pinto de Sousa. O pé do Lello nunca sai do chinello. O Llello come pão com gelleia. Ao allmoço, ao jantar e à ceia. O Lello não desafina, trauteia. O Lello não duvida, titubeia. Quando anuncia, o Lello proclama. O Lello veste robe de chambre quando anda em pijama. O  Lello descansa numa chaise llongue quando se llevanta da cama. É assim o Lello e, como se vê, não tem parallello.

38 comentários em “Llellillismo”

  1. Não sei se umas livrarias ali à rua das Carmelitas no Porto e à rua do Carmo aqui em Lisboa, pensarão em mudar de nome…

  2. Rui,

    Bem esgalhado, mas quer-me parecer que lhe estás a dar demasiado “tempo de antena”.

    O tipo não tem categoria, nem estatuto, que mereça mais do que uma brevíssima referência no rodapé parlamentar. Como muitos mais, infelizmente, da direita à esquerda.

  3. O José Lello é um “foleiro”. Ops, desculpe sr. dr. José Lello, mas estava a usar o seu português “redondo”.

    O Lello sempre foi “foleiro”, mas agora parece que está mais foleiro que nunca.

    O Lello é o exemplo das más companhias com que anda o sr. primeiro ministro, bom, mas também parece que estas conversas foleiras são frequentes entre os amigos do sr. primeiro ministro, ainda se lembram quando gravaram a conversinha dele com o amigo Vara e falavam da “Velha”… é melhor terminar este comentário que está a ficar foleiro!
    Carlos Pedro

      1. A Helena Maria Marques tem razão. Foi exactamente do Dantas que me lembrei. Brilhante!!! Este texto vai ficar para a história.;)

  4. Brilhante, este seu “Manifesto Anti-Lello”, Rui. O Dantas ao pé do Lello, é um autêntico ‘menino-do-coro’. Se ele já existisse ao tempo de Almada, teria ofuscado por completo o Dantas. Aliás, “Danttas”…

    1. Em abono da verdade, Luís, o manifesto Anti-Dantas é uma peça literária brilhante mas, algo injusta, por excesso, para o seu destinatário. Injustiça que eu só poderei encontrar por defeito naquilo que escrevi.

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