Não sei quem foi o primeiro, aquele por quem esta acta deveria começar. Mas, se tivesse de fazer um palpite, diria que foi a Leonor a primeira a entrar naquele princípio de verde que é a casa da Ana. Uma pessoa entra, imaginemos a Leonor, de tarte de lima na mão e determinação no gesto, e dá de caras com a serra. Poderia ser uma parede de serra, daquelas que nos trava, mas não: é um começo de serra e de verde, mesmo.
Mas voltemos aos restantes autores do Delito, que chegaram enquanto eu, aliviado, discutia Hélia Correia com a Ivone, e ela, compreensiva, me dava a conhecer a Teresa Veiga. Quem chegou depois? Depois, talvez para temperar aquele sobressalto que a Leonor não disfarça, deve ter chegado a Teresa, que trouxe bolo de caramelo, imagino que para nos convencer, sem sucesso, que a doçura lhe tinha escorrido toda para o bolo. A Teresa e a Leonor as primeiras a chegar, é o que imagino, numa espécie de equilíbrio que terá confortado a Ana: tudo no seu lugar, o céu e o inferno em paz, o Delito em começo de festa. E estava tudo no seu lugar, de facto.
O Pedro, porque se sente responsável, não deve ter demorado muito mais. Há ali uma liderança que se pressente e que o antecede. Poderíamos chamar-lhe de carisma mas nós temos por hábito chamá-lo de Pedro. E ele, que não sabe da confusão do nome próprio com o substantivo, nem dá pela coisa, distraído talvez com a determinação do Luís, que lhe fez companhia. E é bom ter o Luís por perto nestes almoços. Por vários motivos e por mais este: o sossego de saber que há quem já tenha pensado e concluído sobre como vai este país (era o senhor contente ou o senhor feliz?).
Se o Zé Navarro só chegasse depois de compilar tudo o que sabe, não teria sido o seguinte. Nem teria chegado a tempo, sequer. Mas deve ter sido ele a entrar, logo a seguir ao Pedro e ao Luís. Não por competição, mas porque as histórias que o Zé tem para contar não cabem num fim de tarde e convém chegar cedo. Se quiserem ver o Delito em movimento, convidem o Zé. São dezenas de posts, um a um, a surgir à nossa frente, num convite ao plágio. O Zé André, que publica posts, e livros daqueles a sério, resiste bem a isso do plágio. E até aos seus próprios temas, que ficaram em suspenso, para nos fazer lembrar, vem daí lamechice, que é bom ver alguém feliz, e não necessariamente pelo pleno ‘árvore, livro e filho’.
E foi este o grupo que, com uma hora de viagem, eu e a Ivone encontrámos. Pontualíssimos, apesar de tudo, porque lá estávamos para receber a Gui. A nossa caloira, sem a timidez dos caloiros, arranjou logo forma de escapar à praxe. De igual para igual, sem espaço para hierarquias. E nós fomos na conversa, que acabámos a oferecer ao Zé Maria, que chegou depois, o estatuto de caloiro. Não que a idade não justificasse e os recados trazidos da mãe não provocassem, mas a verdade é que nos deixámos levar pela mestria da caloira. E ficou assim: Gui 1, Zé Maria, também Gui, 0.
Vá lá que o Gui caloiro trouxe arroz doce, daqueles que poderiam ter dizeres a canela: Delito de Opinião, por exemplo. Mas não tinha, por causa de uma desculpa qualquer. De qualquer forma, os dizeres alinhados a canela não teriam durado outro tempo que não o de exibição, que o João Campos, embalado pelas raízes do Alentejo, atacaria o dito sem vergonha, entre a ficção científica e o liberalismo clássico (curiosa combinação, bem sei). E assim começou mais um almoço do Delito.
Do que se falou e de quem por lá passou, naquele dia de Reis, prometeu-se o segredo, que agora cumpro, deixando esta acta confundir-se com uma mera lista de presenças em casa da vital Ana. E que isto sirva de lição aos faltosos. Acabou-se isso de faltar e ficar a saber tudo pelas actas.
Ah. E o almoço foi um caril, que estava daqui.


A avaliar pela fotografia, eu diria que têm tod@s excesso de peso…
Se houvesse prémio Nobel da paciencia,era sem dùvida para os autores deste blogue.Não há paciência para os seus comentários Luis Lavoura.
Parece, mas não é verdade, que plagiei o seu comentário, Isabel!
Eu sei,escrevemo-lo ao mesmo tempo.
O Luís Lavoura não sabe que as fotos dão assim mais ou menos 5 kgs a mais, e a TV cerca de mais 8? Tem muito que aprender.
Mostre-nos lá o seu perfil anorético… mas life.
OK?
Ainda bem que o peso, em excesso, não tira espaço à paciência, que a temos de sobra.
Está a ver mal. @ de blusa vermelha manifestamente não tem.
Sim, é uma exceção que confirma a regra.
E penso que o Adolfo M. N. também não tem peso a mais, a avaliar pelas vezes em que o vejo na televisão.
Infelizmente, porém, a aparência global do grupo é mesmo a de um conjunto de pessoas a caminho da obesidade.
Em compensação, Lavoura, eu diria que os seus comentários são sempre muito elegantes.
Elegância é coisa que não tenho nenhuma, Ana…
Cela va sans dire… Tenho pena, por si. Valeria a pena investir nessa mudança, acredite.
Todos muito bem parecidos. Gostei.
Cumptos.
Que discriminação sexual para ali vai! Meninas todas num grupinho, não fosse aos machos passar-lhes algo de mau pelo pensamento.
Eu gostava de os conhecer, é engraçado associar as palavras aos rostos, por isso coloquei o ratinho em cima das fotos…mas nada… ohhhhhh

Cr, aceitam-se apostas no “quem é quem”. Assim tem mais graça, mas o jogo só vale para quem não nos conheça. 🙂
Ah, estamos bem. Larguras e comprimentos pouco interessam, importa é o alcance.
Obrigada ao fotógrafo e ao cronista 🙂
Um abraço e venham mais encontros!
Faço minhas as palavras da oradora precedente.
Muito bem, Adolfo, e obrigada por me julgares pontual 🙂
Estava tudo muito bem, tens toda a razão.
Achhh.. Grrrr… que danação!
E quanto é horrível esta minha agenda impeditiva, de que, por acaso, hoje mesmo, e em parte, me libertei…
Estão lindos, meus queridos delituosos! Todos, sem excepção!
E que fundo de paisagem; e que belos pés de mesa; e que convidativa lenha, ali a meio…
O rapaz à direita também é jeitoso, não sei bem se o reconheço.
Para a próxima. Para a próxima será 🙂
Laura, é engraçado que refiras aquele pé de mesa. É histórico, sabes? Sobre aquela mesa de café conversou, tomou “bicas” e até, muito provavelmente, escreveu… Fernando Pessoa! É uma mesa da antiga brasileira que resgatei de uma cave, restaurei e guardo com carinho. O tampo de mármore tem um canto partido mas nem lhe toquei, é o original. 🙂