Ora estando eu muito bem, a coisa foi de repente, telefonaram-me do arquivo da câmara de Lisboa a perguntar-me o que é que eu era a José Cândido d´Assumpção e Sousa, assim mesmo, que parentesco era o nosso, e eu que era bisneto, e a seguir a anunciar-me que iam homenageá-lo com a exposição das fotografias que tirara à cidade, com um sócio, Arthur Júlio Machado, entre 1898 e 1908. Sentei-me para ouvir o resto, uma história incrível, agora à vista de todos na Rua da Palma, 246, com o título lisboa, uma grande surpresa. Aconteceu então que andando há anos a tentar identificar os autores de milhares de fotografias do primeiro levantamento fotográfico sistemático da cidade, investigadores da CML deram com o meu bisavô e um amigo dele, o avô do Carlos Avilez, esse mesmo, o do teatro de Cascais, que palmilharam a capital durante dez anos para a fotografarem antes que uma parte viesse abaixo – como aliás aconteceu. Eu não sabia de nada e o neto do Arthur ficou tão pasmado quanto eu. Mas o que interessa mesmo é que a memória da cidade está a salvo.


Conheço algumas dessas imagens. São d’outro tempo, parecem d’outro mundo. Até aqui apareciam com auctor não identificado no archivo photographico da Camara. Pois agora já sabemos.
Essa que poz aí é do largo do Intendente. Bellissima!
Sim, muito boa, na verdade. E com gente dentro. É uma das 3700, que agora já sabemos quem tirou. E há tantas, tantas mais. Obrigado, Bic.
O Arquivo Fotográfico da CML tem um espólio imenso e muito interessante. Visitei esta exposição há algumas semanas e gostei bastante. As fotografias permitem-nos ver ruas e edifícios que, em muitos casos, já não existem mas nelas está quase sempre presente o elemento humano o que é bastante enriquecedor e nos dá também uma perspectiva mais social.
Interessante.
Aqui está uma ideia a partir de um mapa na cidade de Filadelfia
http://skookul.com/now-and-then/
Outra ideia é tirar fotos da mesma posição no presente e fazer a justaposição: cenes-from-d-day-then-and-now/100752/
http://www.theatlantic.com/photo/2014/06/s
Sim, seria curiosa a comparação entre as fotos apresentadas e outras tiradas hoje do mesmo ângulo. Isso implicaria no entanto, penso eu, outro tipo de exposição.
Mas que bela surpresa, Fernando! Direi mesmo invejável 🙂
Sim, Teresa, para mim e para além do valor intrínseco da mostra foi também o reconhecimento de uma pessoa, o meu bisavô, sobre quem pensava saber muitas coisas. Também aprendi muito com isto. Bjo
Afinal, os serviços público, vilipendiados por tanta gente, sempre servem para alguma coisa.
Os serviços públicos são a certa altura o que são as pessoas que lá trabalham, penso eu. Neste caso os dois fotógrafos tiveram a sorte de o seu trabalho ir parar às mãos de investigadores notáveis, por exemplo a historiadora e investigadora Isabel Corda, a quem se deve, bem como a toda a sua equipa, esta surpresa.