A Câmara Municipal de Lisboa diz que pretende tirar os carros do centro da capital e tudo tem feito nesse sentido. Esperar-se-ia que, em consequência, a rede de transportes colectivos melhorasse. Nada disso. Pelo contrário, o metro nunca funcionou tão mal. De tal maneira que se torna infrequentável em dias de maior afluxo de público, como sucede invariavelmente quando há jogos de futebol do Sporting e do Benfica. E aconteceu ontem, com o cenário de caos ocorrido a propósito do início da chamada Web Summit em Lisboa.
A administração da empresa, eventualmente confrontada com o congelamento de verbas destinadas à manutenção e ampliação da frota, mostra-se incapaz de adequar a oferta à procura.
A paciência dos utentes está a esgotar-se. Não passa um dia sem ocorrência de avarias na rede do metropolitano, que força sucessivos atrasos, relatados sem cerimónia a todo o momento nos avisos sonoros das estações. Quando as carruagens chegam às plataformas, vêm em regra sobrelotadas: não é rara a circunstância em que os passageiros são forçados a aguardar pelo transporte seguinte, tão lotado como o primeiro.
Estes episódios são mais frequentes na linha verde, que liga o Cais do Sodré a Telheiras. É a mais movimentada da rede do metro, pois passa em estações tão procuradas por residentes e visitantes como a Baixa-Chiado, o Rossio, o Martim Moniz, a Alameda e o Campo Grande. E no entanto, apesar disso, é a que dispõe de menos carruagens: três por comboio, em vez de quatro como seria de supor dada a dimensão das estações.
Não por acaso, o metro lidera a nada honrosa lista das queixas de passageiros sobre o mau funcionamento dos transportes apresentadas à Autoridade da Mobilidade e dos Transportes ou no livro de reclamações da empresa: 878, só no primeiro trimestre de 2016.
Como utente diário do metropolitano de Lisboa, tenho assistido às cenas mais lamentáveis, afectando geralmente estrangeiros que nos visitam. Mães forçadas a levar carrinhos de bebés ao colo por avaria dos elevadores. Pessoas muito idosas obrigadas a subir a pé dezenas de escadas por avaria sine die da escadaria rolante, aliás inexistente na grande maioria das estações. Deficientes que desembarcam em plataformas sem elevadores e não avistam um só funcionário da empresa disponível para lhes prestar informações.
Já para não falar no lixo que se acumula em diversos acessos às estações. A do Campo Grande é um dos piores exemplos – talvez por estar fora dos habituais circuitos turísticos e não aparecer tanto nas fotografias. Fernando Medina, que tanto gosta de discorrer sobre política internacional nas suas tribunas mediáticas, bem podia um dia destes pronunciar-se sobre toda esta degradação.
O congestionamento do metro implica por sua vez enchentes noutros transportes, que também funcionam de forma cada vez mais caótica – com destaque para a frota da Carris, que raramente cumpre horários e suprime carreiras sem avisar, indiferente aos indignados protestos dos passageiros.
Não pode haver pior cartaz turístico do que este. Nem pode haver maior incentivo à utilização do automóvel na capital.
É chegado o momento de fazer a pergunta que se impõe: foi para isto que o Governo de António Costa se apressou a anular as concessões a grupos privados dos transportes públicos de Lisboa?

![Metro-de-Lisboa[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2016/20040108_8L7K9.jpeg)
Queridos lisboetas, deitem-se na cama que fizeram.
O senhor presidente da Câmara, que tanto gosta de falar sobre tudo e mais alguma coisa, incluindo política internacional, sobre esta matéria quase nada diz.
Ele não ignora a situação caótica da cidade. No subsolo e à superfície.
A CGTP caladinha.
Para os comunas até a morte tem desculpa, a culpa é dos outros.
Agora o Costa entalou-os, ficam caladinhos.
Entaladinhos-da costa!
Entalados andamos nós, os utentes do metro. É uma vergonha. Nunca funcionou tão mal.
A resposta é «sim». Porque para a Esquerda é mais importante satisfazer os sindicatos do que servir os consumidores, os utentes, os cidadãos.
O grande prejudicado é o cidadão comum. O menos privilegiado, que não tem carro ou não tem dinheiro para trazê-lo para Lisboa.
Os cidadãos mais privilegiados, que têm carro, também se vêem à rasca para entrar de Lisboa (ou sair dela) à hora de ponta. Um colega meu que reside em Cascais, por exemplo, tem que sair de casa todos os dias às sete da manhã para poder chegar ao trabalho a horas (isto é, para escapar à hora de ponta).
O problema não é os transportes coletivos funcionarem mal. O problema é toda a gente querer utilizá-los à mesma hora. E esse problema tanto se aplica aos transportes coletivos, como às autoestradas.
Os rtansportes coletivos de Lisboa estão longíssimo de ser uma maravilha, mas, mesmo que o fossem, dificilmente poderiam suportar uma hora de ponta em que toda a gente quer chegar ao WebSummit à mesma hora.
Não aceito factores atenuantes para a contínua degradação da rede de transportes de Lisboa, visível a qualquer observador que a frequente. Acho ainda mais inaceitável que uma Câmara apostada em dissuadir a entrada de viaturas no centro de Lisboa seja incapaz de proporcionar transportes públicos eficazes como alternativa.
Se não conseguem pôr isso em prática, privatizem a Carris e o Metro.
Acho inaceitável a Câmara apostada seja incapaz de proporcionar transportes públicos eficazes
A Câmara de Lisboa não tem, que eu saiba, autoridade sobre os transportes coletivos de Lisboa. Essa autoridade cabe ao governo central.
privatizem a Carris e o Metro
Não estou em desacordo com tal proposta. Somente faço notar que a privatização não levará forçosamente a quaisquer melhorias. A não ser que a privatização seja acompanhada de um bom caderno de encargos e de uma fiscalização rigorosa (coisas nas quais o Estado português geralmente não é muito bom).
Como é que a Câmara, seja esta ou outra (filiação partidária),pode impedir o tuga de vir de pópó? A maioria só traz 1 passageiro,há pessoas que podem comer mal mas não largam o carro! Basta ver nas notícias que o aumento da compra de carros foi mais de 10% este ano.
Se não trouxerem o carro como se deslocariam em Lisboa se os transportes públicos funcionam cada vez pior?
Imagine se que estado ainda mais caótico atingiriam esses transportes se todas essas pessoas que trazem carros para Lisboa passassem a utilizá-los também.
Quando eu era aluno e estudante, ia todos os dias para as aulas de transportes coletivos. Eu, e todos os meus colegas, uma das quais, diga-se, foi a filha de um alto dignitário do Estado nesse tempo. E os transportes coletivos, posso assegurar, eram muitíssimo piores do que são agora. O metro e os autocarros de Lisboa andam hoje em dia vazios, comparados com o que andavam nesse tempo.
Como é que pode comparar se você mesmo diz aqui em baixo que “a [sua] experiência de transportes coletivos é pouca”?
Convém cada um só falar sobre aquilo que sabe.
Sendo o Lavoura um galã (o), muito me admira não ter casado com a filha do Alto Dignatário do Estado!
Devia ser um cambalacho!
…..
Este camarada tem a sua piada…. ele já se convenceu que só dizendo mal de tudo e de todos ( menos dele, claro) é lido… é assim do tipo Pacheco Pereira, salvo as devidas proporções !
Em que época foi essa?
E em que planeta?
É um facto que a minha experiência de transportes coletivos é pouca, mas, das poucas vezes que os utilizo, metro ou autocarros, quase sempre arranjo lugar sentado. E nunca, mas mesmo nunca, tenho que empurrar para entrar, ao contrário daquilo que tinha que fazer quando era um miúdo de 15 anos (ainda me lembro bem de, com essa idade, andar no metro completamente espremido).
Mas prontos, também é verdade que, quando ando, não é à hora de ponta.
Sorte a sua. Assim não passa pela dura experiência de grande parte das pessoas que vivem ou trabalham em Lisboa.
No problema! Os sindicatos, mais o Sr. Arménio, mais o Sr. Jerónimo arranjam já umas greves consecutivas que vão resolver este assunto e outros tantos mais. E mais umas de surpresa, para o pessoal andar à nora horas e horas nas plataformas, à espera de quem nunca chega. Isto resolve-se rapidamente, vai ver. O Pedro Correia e nós todos.
Greves só quando vier o próximo governo, Fátima. Enquanto este durar, os transportes podem continuar num caos sem que isso preocupe o patronato sindical do sector dos transportes.
Nem uma para amostra.
O facto de não haver greves já é, só por si, uma grande vantagem.
Uma grande “vantagem”, de facto. Assegurados os “postos de trabalho”, mesmo que o trabalho seja de cada vez pior qualidade e por estes andar ainda acabe por não ser prestado. Assegurados os direitos adquiridos, as legítimas expectativas, e toda essa tralha – porque tralha se tornou de tão egoisticamente invocada – do pior do funcionalismo público que os outros, todos os outros cidadãos, pagam e pagam duramente (de facto os portugueses “aguentam, aguentam”).
Mas o regime foi-lhe dedicado e o poder fará tudo para o manter feliz. E com isso manter-se no poder.
Costa
O verdadeiro proprietário dos transportes colectivos de Lisboa é a CGTP. E trata da sua propriedade à moda dos velhos senhores feudais.
“O facto de não haver greves já é, só por si, uma grande vantagem.”
Toda uma exibição de cinismo e provocação nesta frase.
Típico de um privilegiado, que não frequenta transportes públicos. Faz lembrar a Maria Antonieta: “O povo não tem pão? Que coma brioches.”
Ora aqui está um exemplo de cinismo pra ninguém botar defeito … não precisa falar mais nada, tudo dito.
Que os cidadãos mais desfavorecidos e desprotegidos, aqueles que não têm dinheiro para ter ou para usar carro, sejam profundamente prejudicados pelo péssimo serviço de transporte público em Lisboa é matéria totalmente irrelevante para o Senhor Feudal, apenas interessado em dar agasalho e sustento aos seus vassalos.
Esse teu paralelismo entre os sindicalistas e os senhores feudais é do melhor que há. Assenta-lhes que nem uma luva 🙂
A casta, como lhes chamaste em tempos, Teresa. E muito bem. 01296.html
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/41
Temo bem que sim.
E, sendo gigantesca a hipocrisia desses g@jos, pressinto um grande alvoroço.
Pois.
A última frase do post sugere que, se os transportes coletivos tivessem sido concessionados a privados, estes problemas de subinvestimento não se registariam.
Mas isto não é, em princípio, verdadeiro. Ainda ontem ouvi um secretário de Estado a falar na Assembleia da República sobre o subinvestimento da BRISA nas autoestradas que lhe estão concessionadas. (Lembremo-nos, por exemplo, que durante muitos anos o troço da A1 entre Lisboa e o entroncamento com a A23 esteve saturado de tráfego, sem que a BRISA se dignasse alargar esse troço para três faixas, como era sua obrigação.) Em todos os lados, as empresas privadas têm interesse em subinvestir, desde que não tenham concorrência.
Não é para mim nada claro que os problemas que agora se registam não se registassem igualmente caso o metropolitano tivesse sido concessionado.
Isso não faz o menor sentido. O caderno de encargos dos contratos de subconcessão previa – como é lógico – investimentos avultados nas empresas, tanto no que se refere à recapitalização como à melhoria da frota disponível.
É o que sucede aliás em grande parte do serviço de transporte público existente em todo o País – excepto em Lisboa e Porto.
Um serviço público que não deixa de o ser por estar confiado a privados. Tal como sucede com o serviço público de televisão, que também é assegurado por empresas privadas sujeitas às regras determinadas no alvará público (por exemplo, a SIC e a TVI).
Tal como sucede com o serviço público de televisão, que também é assegurado por empresas privadas sujeitas às regras determinadas no alvará público
Precisamente o caso da televisão é um bom exemplo de como as regras da privatização são regularmente violadas, perante a complacência do Estado. A começar pelos tempos de publicidade excessivos.
Tal como eu disse, também as autoestradas foram privatizadas (a BRISA é uma empresa privada), e o que se viu foi subinvestimento sob o olhar complacente do Estado.
A SIC e a TVI cumprem serviço público, tal como a RTP.
Não vejo qualquer diferença.
Serviços privados de transporte que funcionam bem? Existem, sim senhor. Um exemplo do qual usufruo: Fertagus (comboio da ponte – margem sul).
Na hora de ponta (7:00 às 9:30, 17:00 – 19:30) funciona como um relógio, com comboios sem atraso de 10 em 10 minutos. Aliás, quando regista atrasos, é sempre porque o IC da CP de manhã que vem do Alentejo e à tarde que regressa provoca os mesmos.
A Fertagus é um exemplo de como o serviço privado de transporte funciona e pode ser considerado como referencia nesta área.
Só tenho pena é que a Refer, por motivos políticos e comerciais associados à CP, não permita que a Fertagus alongue a sua carreira até à estação de Oriente. Garanto-vos que poucas pessoas voltariam a utilizar a CP e o metro nas suas deslocações entre a Expo e Entrecampos se tal acontecesse.
Enquanto os lisboetas se queixam da falta de transportes e tudo mais, o resto do país está cada vez mais deserto. Portugal é grande e temos espaço e riqueza para todos nós Portugueses vivermos bem.
Se tivesse-mos governantes com perspectiva de futuro já teriam feito uma nova lei das sesmarias ao contrário e distribuído um milhão de lisboetas pelo interior da Nação, bastava deslocalizar de Lisboa uma miríade infindável de organismos do Estado pelo país….
Fica a sugestão. Não pense, no entanto, que Lisboa está livre de problemas. Muito pelo contrário, acredite.
Excelente proposta. Já várias vezes pensei nisso.
Nomeadamente, o ministério da Agricultura em Lisboa que sentido faz isso?Porquê não Évora/Santarém.
Justiça? Porquê não Coimbra
Economia? Porque não no Porto
…..
Meu caro
S.m.o. todas as estações do Metropolitano de Lisboa podem receber 6 carruagens excepto a de Arroios, que vai ser objecto da adequada remodelação a partir de meados do próximo ano.
É por causa daquela limitação que na linha verde só circulam com 3 carruagens.
Aqui há uns tempos pôs-se a hipótese de encerrar já a estação de Arroios e assim permitir que os combóios circulassem desde já com 6 carruagens mas várias “forças vivas” opuseram-se.
As estações da Av. Almirante Reis até estão relativamente próximas umas das outras, no sentido em que a entrada norte de cada uma está próxima da entrada sul de outra.
Mas talvez porque a de Arroios é a que serve a Praça do Chile e a Morais Soares não foi para a frente essa ideia que duplicaria a capacidade dos combóios mesmo antes das tais obras de ampliação.
Como o meu Amigo sabe, apesar de eu ter carro e meios para o usar, só ando em transportes públicos em Lisboa e acontece que uso a linha verde todos os dias pelo menos uma vez, pelo que sei bem do que fala.
O meu caro Amigo sabe então bem do que falo. Esta linha, em particular, tornou-se infrequentável. É um absurdo ver a todo o momento dezenas de pessoas – muitas delas com malas ou com bebés – forçadas a correr para a extremidade de uma plataforma pois as carruagens nunca são em número suficiente para abrangê-la por completo.
Um cenário terceiro-mundista, agravado pelo facto de as sucessivas e intermináveis deficiências de funcionamento da linha fazerem atrasar os comboios, o que contribui para tornar as enchentes nas carruagens inevitáveis. A chamada “hora de ponta” estende-se durante horas a fio nos dias que correm. Isso somado aos elevadores que não funcionam, às escadas rolantes que estão paradas, às estações desprovidas de elevador, aos funcionários que nunca estão disponíveis para atender o público, tornam o outrora exemplar Metropolitano de Lisboa um dos piores ao nível europeu.
Em perfeito contraste com as estações bonitinhas, decoradas por alguns dos nossos melhores artistas. Contraste total.
É exactamente como diz.
Aquelas “coisas suspensas” que nos informam que horas são e quanto falta para o próximo combóio também dizem que os combóios naquela linha só circulam com 3 carruagens.
Ora essa é uma informação inútil para quem não conheça as peculariedades da linha e portanto não tome as suas precauções: chegar-se á zona final do cais.
Acaba portanto muita gente por ter que correr e enfiar-se na 1ª carruagem que encontra e que é a última da composição.
Como isto acontece em todas as estações aquela carruagem é um inferno ainda mais infernal que qualquer uma das outras.
Seria muito mais interessante que em vez de dizerem quantas carruagens tem o combóio dissessem “por favor posicione-se na 1ª metade ao fundo do cais”…
Por vezes os altifalantes dizem isso, é um facto, mas desconfio pelo que observo que já ninguém ouve nada daquilo, escrito era melhor.
Há ainda que notar que a estação da Alameda da “linha verde” é a interface com a linha vermelha, que une S. Sebastião à Expo e ao Aeroporto.
Ora um número considerável de turistas que chegam e que partem usa o Metro, normalmente carregados com aquelas malas enormes com rodas ou sem rodas, malas essas que não só ocupam o espaço de uma pessoa como complicam a já caótica e quase nula mobilidade da malta toda.
Como se isto tudo não fôsse já suficiente temos ainda que a linha verde vai até ao Cais do Sodré e portanto é ligação directa com a linha de Cascais da CP.
Poderíamos ainda falar da proximidade da estação do Rossio com a linha de Sintra mas não quero exagerar…
“Seria muito mais interessante que em vez de dizerem quantas carruagens tem o comboio dissessem “por favor posicione-se na 1ª metade ao fundo do cais”…
Por vezes os altifalantes dizem isso, é um facto, mas desconfio pelo que observo que já ninguém ouve nada daquilo, escrito era melhor.”
Ora aí está. Tantas vezes tenho pensado nisso também.
O que tem sucedido nos últimos meses é claramente uma total incapacidade da oferta de transportes em Lisboa face ao aumento da procura, nomeadamente em consequência dos novos fluxos turísticos.
Resultado: ninguém é bem servido. Nem nós, que cá vivemos ou trabalhamos. Nem eles, que nos visitam.
O presidente da Câmara de Lisboa faria bem melhor em preocupar-se com estas questões do que em estar a pronunciar-se sobre política internacional nas televisões e nos jornais.
Aquilo que você diz ilustra bem que uma parte do caos na linha verde se deve aos utentes, os quais (1) a utilizam para carregar malas, (2) a tomam para aceder ao aeroporto, quando poderiam tomar a linha azul ou a amarela, (3) não aprendem que têm que se posicionar no fundo do cais.
Ou seja, temos um caso de utentes estúpidos ou ignorantes (os turistas não têm culpa neste caso) ou desprevenidos, mais do que de uma administração incompetente.
Também o caso muito falado da ausência de papel nas máquinas para forncer bilhetes é um disparate, pois qualquer utente, mesmo que ocasional, do metro deve saber que se pode comprar bilhetes com antecedência (como eu faço, eu que só utilizo transportes uma ou duas vezes por mês).
Já tem abaixo o que penso de si e neste momento não está fora de hipótese que lho venha a dizer pessoalmente, até porque me movo – como já deve ter percebido – em meios que não estão longe dos seus, ainda que agora naquela posição cómoda de discreto conselheiro (adivinhe de quem!) e não de tarefeiro.
É como acabam os engenheiros IST do fim dos anos 60 e princípio dos 70 quando não passaram a vida às ordens de outros…
Tomar a linha azul ou a amarela para aceder ao Aeroporto é uma sugestão que, mais uma vez, mostra toda a sua gloriosa estupidez no seu esplendor.
De qualquer modo relembro-lhe que uso a tal linha todos os dias por opção apesar de ter carro(s) e nenhum impedimento em andar com ele(s).
Acontece que, como já disse aqui várias vezes, quem não anda de transportes públicos (especialmente autocarros) não conhece nada do país onde vive.
E eu tento conhecer esse país e vai havendo quem o aproveite.
E teria notado se não fôsse o interlocutor apatetado que é que eu nunca me queixei dos empurrões, me limitei a fazer sugestões e não teci quaisquer considerações pessoais sobre o tal fecho da estação de Arroios que, como qualquer pessoa minímamente esperta imaginaria, não foi ideia minha.
Mas saber que V. acusa de incompetente a administração de uma empresa de capitais maioritáriamente públicos (na prática uma empresa pública) pelo que foi exposto é no entanto uma boa notícia pois nem os trabalhadores nem os sindicatos foram alguma vez tão longe.
A linha tinha que ser Verde:)
Portanto: há caos na linha verde (e só nessa!) porque as pessoas preferem esse caos a prescindir de uma estação. Isto, quando essa estação está muito próxima de duas outras. Toda a gloriosa estupidez do povo português no seu esplendor. As pessoas preferem andar ao empurrão no metro do que andar 300 metros para o tomar.
Você é um idiota, um idiota chapado que não sabe ler nem interpretar.
Trocou o sentido de tudo o que eu disse como bem lhe apeteceu, distorcendo a lógica do meu texto e demonstrando assim toda a sua gloriosa estupidez no seu esplendor.
E está V. a trabalhar onde está e convencido que não há aqui ninguém com CV mais que suficiente para lhe entrar pelo gabinete dentro quando bem lhe apetecer.
Deve achar que por aqui só andam uns pobres diabos que não têem voto em nada de jeito…
mas vocês são contra a CGTP porquê ?
Não sou contra nem a favor, embora ache um anacronismo ver uma organização marxista-leninista como principal “voz” dos trabalhadores portugueses no século XXI. Isto talvez explique porque há cada vez menos sindicalizados em Portugal.
Inaceitável é ver uma central sindical definir a política oficial dos transportes em Portugal.
Terceiro-mundismo puro e duro.
querias o metro privatizado? espera sentado..
Não quero nem deixo de querer.
Quero um metro que funcione. Quero que os transportes públicos funcionem em Lisboa.
O que hoje não acontece.
A Cristas já vai por tudo a funcionar…..
Os comunistas, claro, são contra a municipalização dos transportes públicos: 33257/
http://www.avante.pt/pt/2140/nacional/1
Querem manter intacta a sua coutada sindical, à maneira dos senhores feudais.
Não faço ideia se “a Cristas” fará ou não com que tudo funcione. Sei, de tão gritante a evidência, que aqueles que lá estão agora, na câmara – e com eles o poder central, no que seja de sua (in)competência – não só não estão a fazer com que funcione, como permitem que as coisas consistentemente piorem, como parecem viver francamente bem com isso.
Talvez por contarem com gente, alguma comentando por aqui com exuberante profusão, que afirma – consegue afirmar sem se cobrir de vergonha – que a culpa do caos do tráfego em Lisboa se deve, também se deve, à opção da multidão que vivendo nos subúrbios se desloca todos os dias para a cidade. E vai mais longe: a coisa ficaria resolvida se essa legião de egoístas alterasse a sua “opção” e fixasse domicílio na cidade.
Como se se escolhesse viver num subúrbio, as mais das vezes deprimente e urbanisticamente tão ou mais caótico do que a grande cidade, e o associado e diário calvário, despesa e cansaço das cada vez mais longas “horas de ponta”, por gosto. Como se o preço do imobiliário, comprado ou arrendado, fosse na cidade um factor absolutamente irrelevante. Como se fosse da responsabilidade de quem assim “optou” o verdadeiro e monumental crime urbanístico, impune, continuadamente cometido e muito rendoso, para o estado e autarquias desde logo, na Grande Lisboa (e não só) ao longo de décadas e décadas.
Como se mesmo na cidade a malha e a frequência dos transportes públicos não fosse o que se sabe: largamente insuficiente quando operando em pleno, pior ainda – como por aqui se descreveu já – por estes dias.
Eis o poder de turno apoiado, enfim, na mais hilariante e ofensiva (consegue sê-lo em simultâneo) capacidade de mentir e distorcer. E a mentira, bem o sabemos, de tão repetida…
Costa
Sabe concerteza que os transportes de Lisboa não dependem da Câmara Municipal.
Essa é aliás uma das grandes revindicações da Câmara nos últimos anos: que a gestão do Metro e da Carris seja entregue à CML. Mas se isso acontecesse não eram privatizáveis, o que tem levado sucessivos governos a impedi-lo.
Mas é curioso como a Cãmara aparece no seu post como primeira responsável sem nenhuma referência às gestões, presentes e passadas da Carris e do Metro. Gestões que são e eram de nomeação direta do governo.
Sei que os transportes públicos não dependem da Câmara Municipal. Mais um motivo para Fernando Medina não andar a propagar que quer tirar carros do centro da cidade. Se não tem instrumentos ao seu alcance para melhorar a oferta de transporte público como alternativa a quem vive e trabalha em Lisboa ao menos que não infernize os automobilistas. A menos que pretenda ver toda a gente a pedalar, já que tem enchido a capital e ciclovias. sboa-bandeira-do-mundo-livre-8906206
Se os transportes não estão sob alçada municipal, seria talvez útil que Medina desse uma palavrinha sobre o assunto ao seu amigo António Costa. Suponho que será fácil conversarem, já que um sucedeu ao outro na presidência da câmara.
Como residente e contribuinte em Lisboa, eu preferia ver o nosso alcaide mais preocupado com situações concretas que afectam o cidadão comum do que andar entretido nos canais televisivos a discorrer sobre política internacional ou comprometer o município em ridículas iniciativas de propaganda em “amaricano”, ainda por cima com erros ortográficos que de algum modo nos envergonham a todos:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/li
Sei que os transportes públicos não dependem da Câmara Municipal.
Se sabe, não castigue a Câmara por ela não melhorar esses transportes, como faz neste post e respetivos comentários.
ao menos que não infernize os automobilistas
Discordo. A maioria dos automobilistas não são residentes (nem contribuintes, nem votantes) em Lisboa, portanto Fernando Medina não faz mal em chateá-los. Mas, sobretudo, Fernando Medina tem que defender os interesses de todos os utilizadores da cidade, a maior parte dos quais anda a pé ou de transportes públicos. Fernando Medina tem que beneficiá-los, o que implica, frequentemente, prejudicar os automobilistas (os quais, repito, são em grande parte forasteiros).
Estou de acordo com as restantes críticas a Medina.
“A maior parte dos utilizadores da cidade anda a pé.”
Em que planeta você habita?
Eu escrevi “a maior parte dos utilizadores da cidaade anda a pé ou de transportes públicos”. Você truncou a minha frase, falsificando-a.
Há estudos feitos sobre o assunto, os quais indicam que, em Lisboa, um terço das pessoas se desloca no seu dia-a-dia essencialmente a pé. Juntando as que se deslocam de transportes públicos, obtem-se a maioria.
Você soma os que “andam a pé” com os que utilizam os transportes públicos porquê? ltas-e-estacionamento-vao-contribuir-com-1 5-milhoes-de-euros-para-financiar-a-carr is-1747092
E em que dados se baseia?
E quem opta pela bicicleta fica em que grupo?
E acha lícito Medina “chatear os automobilistas” (elegante expressão sua) quando estes contribuem com 15 milhões de euros para o financiamento da Carris?
https://www.publico.pt/local/noticia/mu
Os dados encontram-se na internet (estudos do INE e outros). Eles indicam que os transportes em automóvel dos residentes em Lisboa, só os movimentos pendulares (isto é, descontando as idas às compras e quejandos, que são muito importantes para a população idosa, a qual constitui boa parte dos residentes em Lisboa, e que são feitos mais a pé), são cerca de 40%. O restante, é a pé ou em transportes coletivos.
As bicicletas são residuais. Não têm visibilidade na estatística, sequer.
Somo quem anda a pé com quem anda de transportes públicos porque estes últimos também andam geralmente parte do percurso a pé e porque são em geral predominantemente beneficiados por benefícios à pedonalidade.
E, sim, acho totalmente lícito chatear os auomobilistas. Acho mesmo que, quanto mais chateados eles andarem, melhor. Talvez assim se decidam a deixar de usar o popó…
Como quer que os automobilistas deixem de utilizar os carros em Lisboa se os transportes públicos funcionam cada vez pior?
“Benefícios à pedonalidade” é paleio tecnocrata, sem qualquer tradução prática. Lisboa está transformada num enorme estaleiro, onde é quase tão impossível transitar a pé como transitar de carro.
Como quer que os automobilistas deixem de utilizar os carros em Lisboa
Vindo viver em Lisboa. A maior parte deles usa o carro porque optou por habitar longe de Lisboa.
Lisboa está transformada num enorme estaleiro, onde é quase impossível transitar a pé
Falso. É cada vez mais fácil (ou menos difícil, se preferir) transitar a pé em Lisboa. Passeios que eram estreitos foram ou estão a ser alargados. Calçada “portuguesa” está a ser substituída por pavimento menos escorregadio e mais regular. Há mais ruas pedonais, ou ruas nas quais o trânsito automóvel foi restringido. O estacionamento “à balda” em cima dos passeios e nos atravessamentos pedoais já foi em grande medida eliminado.
Não procure atirar-me areia para os olhos, Pedro. Eu ando a pé em Lisboa há mais de vinte anos. Sempre. Todos os dias. E tenho perfeitamente visto a evolução das coisas. Que tem sido para melhor. Sobretudo durante a presidência de Medina, diga-se, na qual se tem feito uma aposta mais ou menos consistente em eliminar os favores aos automobilistas que vereações anteriores fizeram.
Conversa de chacha.
Fala no abstracto, sem dados factuais.
Respondo-lhe com dados factuais. Ainda ontem à noite caminhei entre o Campo das Cebolas e o Terreiro do Paço, e havia troços onde era quase impossível transitar a pé.
Tudo com o trânsito pavorosamente engarrafado a poucos metros e as ruas transformadas em crateras.
Sucedeu-me o mesmo na véspera, entre a João Crisóstomo e o Campo Pequeno, caminhando na lateral poente da Avenida da República.
Isto ainda sem chuvas. Imagine-se quando tudo estiver transformado em lamaçal.
Balanço do momento: trânsito automóvel cada vez mais bloqueado, transportes públicos congestionados e sem capacidade de resposta, percursos pedestres prejudicados por toda a série de obras em curso, numa altura em que quase não há um bairro de Lisboa que não esteja esventrado.
Naturalmente que, enquanto há obras, a situação piora, por vezes muito.
Mas interessa sobretudo considerar se as obras são para melhorar, ou para piorar.
No passado, em vereações anteriores, fizeram-se muitas obras péssimas, que transformaram a cidade num esgoto para automóveis e deixaram os peões bem lixados. Veja-se o estado em que estava a Fontes Pereira de Melo e o largo do Saldanha (ambos um verdadero pavor), e muitas ruas estreitas. Em todos os locais, sistematicamente, os peões foram sacrificados em avor dos automobilistas.
Hoje em dia está-se a fazer obras que beneficiam os peões. Passeios são alargados. Calçada portuguesa é eliminada. Isto é muito importante.
Repito, é fácil dizer que as obras incomodam. A mim também me incomodam. Mas tenho observado que, quando a obra é concluída, há melhoramento. Coisa que não era habitual em vereações anteriores.
“Benefícios à pedonalidade” é paleio tecnocrata
Não, não é. Benefícios à pedonalidade é o seguinte:
– Alargar passeios que tenham largura demasiado pequena. A atual vereação tem feito isto.
– Colocar nos passeios um bom pavimento (sem irregularidades e com boa aderência – na prática, significa eliminar a calçada dita portuguesa). A atual vereação tem feito isto, embora ainda reste imenso para fazer.
– Eliminar o estacionamento em cima dos passeios (isso foi feito em grande parte pela EMEL).
– Garantir locais de atravessamento de ruas seguros (isto falta em grande parte fazer, mas já há algumas melhorias).
– Eliminar obstáculos dos passeios, tais como esplanadas (infelizmente neste campo tem havido um enorme retrocesso) e MUPIs.
– Limpar os passeios de caca de cão (felizmente este problema está a diminuir fortemente devido ao menor incivismo dos proprietários de cães).
Isto tem sucedido onde?
Em que cidade você vive?
Eu todos os dias deparo com passeios que servem de estacionamento e onde qualquer mãe ou avó com um carrinho de bebé é forçada a caminhar na faixa automóvel.
Estrume de cão em canteiros relvados e jardins públicos é aos montes. Só não vê quem não quer.
Estacionamento em segunda fila é uma constante, a qualquer hora, em qualquer lugar.
Eu todos os dias deparo com passeios que servem de estacionamento
Nas zonas da cidade onde a EMEL regula o estacionamento, isso quase não há.
OK, sem dúvida que aidna há muitos carros estacionados em passeios. Certo. Mas há muitíssimo menos do que havia há cinco anos. Ou há dez. Ou há vinte. A evolução tem sido para melhor. Mas é claro que os problemas não se resolvem de um ano para o outro.
Estrume de cão em canteiros relvados e jardins públicos é aos montes.
Sem dúvida. Mas já foi pior. E, sobretudo, isso não prejudica quem anda a pé – conquanto a caca não esteja no passeio, mas sim nas áreass relvadas.
Estacionamento em segunda fila é uma constante
Pois é. Mas isso prejudica sobretudo os automobilistas. São os automobilistas a prejudicar-se uns aos outros. Aos peões quase não faz mossa (apenas retira a visibilidade algumas vezes que se quer atravessar a rua).
Bem aqui no Porto, levo menos tempo a fazer 10km, a correr, que o Metro (Porto-Maia). Não é preciso chamarem o burro…eu ofereço-me
Não é preciso chamar burros, de facto. Já há cá de sobra.
Meu caro
Tenho tido que me deslocar diáriamente para a zona do Marquês de Pombal por volta do meio-dia, saio de casa pelas 11 da manhã, apanho a linha verde algures na Av. Almirante Reis e mudo para a azul na Baixa-Chiado.
Ontem cerca das 11.20 da manhã o placard anunciava uma espera de 17 min e 20 seg na Baixa-Chiado e como já lá estava gente imagino que o último combóio tivesse passado há 1 ou 2 mins.
Claro que ainda tinha tempo para esperar, mas uma hipótese era que algures naquele intervalo de tempo viessem a “reposicionar” o tempo de espera, não seria a 1ª vez.
Assim saí da estação e fiz a pé o caminho pois eu posso-me dar a esses luxos, não tenho horários apertados (nem desapertados!).
Mas devo-lhe dizer que desde a passada 5ª ou 6ª feira notei que os placards das estações da linha verde estão a transmitir as informações “Use a primeira metade do cais” e “Use first half of the platform” com uma frequência de 3 a 4 vezes por minuto e sem interrupção, o que é de saudar.
Não digo que não aconteça há mais tempo mas eu teria dado certamente por isso se fôsse com esta frequência.
Quanto às requalificações urbanas estou, como também sabe, bem colocado para falar disso dado o bairro onde vivo: o prazo total previsto já acabou e nem 1/3 está feito.
Mas é assunto em que me fico por aqui, não tarda nada está gente que nem sabe como se vem cá ter a querer discutir comigo que cá vivo há 40 anos e uns mesitos…
É isso, meu caro: as chamadas “requalificações urbanas” são muitas vezes propaganda para iludir papalvos.
E – no caso de Lisboa – manter a cidade em estado caótico ao som dessa música propagandística.
Resta ver a que montante ascenderá a factura final – e quem irá pagá-la. A menos que já tenha sido descoberto petróleo no Beato.
Onde param os cartazes, cornetas e alto – falantes do Sr. Arménio e das BEs, às portas do Metro, para reclamar todo o caos que se vive sobretudo em horas de ponta? Têm-no feito (barulho) por muito menos. Viajei na passada 4ª f, pela manhã, antes das nove, entre Sete Rios e Oriente com transbordo em S. Sebastião, no dia do Web Summit (Expo); no 1º troço consegui embarcar no segundo comboio, e numa amálgama (des) humana saí em S. Sebastião agoniada, pisada, amarrotada … no segundo troço consegui ir sentada arcando com alguns haveres de passageiros que iam em pé, mas lá cheguei inteira a Oriente. Deixo aqui uma inquietação muito primária:
– As centenas de €s que todos os anos desembolso em impostos, quotas, taxas e taxinhas são aplicadas exactamente aonde?
Uma excelente questão, que tenciono destacar no blogue.