Lisboa antiga (66)


Pedro Correia,

 

ALCÂNTARA

«Seguiu pelo Terreiro do Paço, pelo Aterro, quase até Alcântara. Ia como um sonâmbulo, sem reparar na gente que o acotovelava, nem na beleza da tarde de Verão, que morria num esplendor de ouro vivo.»

Eça de Queiroz, Alves & Cª.

Foto: blogue Monumentos Desaparecidos

4 comentários em “Lisboa antiga (66)”

  1. Dá licensa que acrescente umas pequenas informações ao texto?
    Obrigado!
    O aqueduto foi mandado construir por D. João V, o mesmo que mandou construir o convento de Mafra, que deu origem ao livro de José Saramago, o “Memorial do Convento”.
    Naquele tempo, chegavam ao reino, ouro e diamantes provenientes do Brasil (só uns séculos depois é que começarama achegar raparigas, ao Elefante Branco) que o rei achou por bem, gastar em calhaus e com eles deixar obra construida.
    Este aqueduto, serviu durante bastante tempo para conduzir a água que abastecia a maior parte da cidade de Lisboa e que “desaguava” nos xafariz municipais, como por exemplo o do Rato, ou das ratas, do Rossio do Cais do (mouro) Sodré, etc.
    Mas o aqueduto não serviu somente para fazer chegar a água de Belas até às Amoreiras. Serviu também como passagem de bens e pessoas que demandavam a capital, essencialmente lavadeiras e pesoas do campo que pretendiam vender os seus produtos.
    Foi então que apareceu por lá um sacana de um espanhol, marado dos cornos, que deu em assaltar o mulherio e, não contente, atirar com elas do ponto mais alto (65 mts) para o local onde hoje passa o eixo norte-sul.
    Este gajo, foi o último em Portugal a ser condenado à pena de morte e a ser executado por enforcamento.
    Pimba!

    1. … caiu o Carmo, a Trindade, até as milenares Torres de Hércules em Cadiz, mas o Aqueduto não!

      Ficou como memória da dimensão e selectividade das quedas no abalo de 1755…

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