
Não perguntes o que o teu país pode fazer por ti, pergunta sim o que poderás fazer pelo teu país e obterás resposta igual para ambas as perguntas: nada.
Não esperes nada do teu País pois ele já nada tem para te dar.
Deu-te um berço, uma língua, uma identidade, a noção de pertença a algo grandioso que transcende éticas individuais. Deu-te a vã glória de integrares a história e as histórias daqueles que por obras valorosas se vão da lei da morte libertando. Deu-te liberdade e democracia. Deu-te valor.
E tu retribuíste, com o teu percurso de inclusão social, com a tua aprendizagem, com o teu estudo, a tua qualificação, o teu trabalho, com o teu suor, até com as tuas lágrimas. É chavão, é cliché, é legítimo.
Poderia dizer-se que se igualaram no dar e no receber, não fora a oligarquia que se impôs para te guiar e formular as leis que regem cada minuto do teu dia, ditar cada vez mais e o ditado ser cada vez mais draconiano e os mandos dos ditantes cada vez mais retorcidos de favores aos favorecidos.
Olhas em volta e, num hemiciclo de eleitos, não encontras um rosto que exprima rectidão, experiência, solução… tampouco honestidade cívica. Cada palavra é subliminar, repleta de sinónimos que são hiperónimos, hipónimos que são parónimos, antónimos que são homónimos. Cada frase é uma charada conotada com as máscaras da tragédia, onde com um sorriso te apetece chorar.
E tu olhas mas não vês, escutas mas não ouves, tocas mas não agarras, falas e nada dizes, porque te perdeste dos sentidos e já não consegues sentir mais nada. Até o desespero ou a raiva já se conformaram e segues com o rebanho, sem pastor nem pastagem, sem bússola nem compasso, indiferente aos pontos cardeais, porque afinal o que és tu senão mais um ponto colateral perdido nestas linhas tortas que ninguém sabe endireitar?

Dulce, não quero ser pessimista, mas é capaz de ter razão. Só discordo num aparte bem pequeno que se chama esperança. E não morre, ela.
Por enquanto a esperança está em coma induzido, mas acredito que recuperará, Bea.
Bom fim de semana!
Talvez recupere, Dulce, mas geralmente a seguir à esperança segue-se uma desilusão ainda maior
Onde andará o tal Deus que escrevia direito por linhas tortas? Talvez passeando na brisa de outra galáxia…
Bom fim-de-semana, Dulce.
⚘
Maria
E este seu texto é uma pérola.
Não espero ver mudanças Maria. Talvez a geração dos meus netos as vejam. É aqui que tenho um réstia de esperança de que sejam para melhor.
Um excelente fim de semana, Maria, e muito obrigada.
Gostei muito!!! Uma verdade dita com sabedoria, alma e…estilo!! Parabéns
Obrigada IO.
Bom fim de semana
Excelente texto, Dulce. Parabéns!
Obrigada Cristina!
Bom Domingo .