Se algum dia o (des)acordo ortográfico for capaz de transformar o Tony Carreira em Caetano Veloso, pode contar comigo. Até lá, sou contra.
Gosto de sentir a minha língua roçar
A língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar
A criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixa os portugais morrerem à míngua
“Minha pátria é minha língua”
Fala, Mangueira!
Flor do Lácio, Sambódromo
Lusamérica, latim em pó
O que quer
O que pode
Esta língua?

Lembro-me de uma aldeia perdida na beira,
a terra que me viu nascer
Lembro-me de um menino que andava sozinho,
sonhava vir um dia a ser
Sonhava ser cantor de cantigas de amor
Com a força de Deus venceu
Dessa pequena aldeia o menino era eu
(Refrão)
E hoje a cantar
Em cada canção trago esse lugar no meu coração
Criança que fui e homem que sou, e nada mudou
E hoje a cantar não posso esquecer
aquele lugar que me viu nascer
Tão bom recordar aquele cantinho
e os sonhos de menino
Tenho a vida que eu quis
Nem sempre feliz mas é a vida que eu escolhi
Infeliz no amor, mas no fundo cantor
A vida deu-me o que eu pedi
Se eu pudesse a voltar de novo a sonhar,
faria o mesmo podem crer
E aquele menino eu voltaria a ser
Caramba, Ana, assim de repente parece-me que nem é preciso fazer correcções ortográficas…
“Infeliz no amor, mas no fundo cantor”? Pois.
Mesmo lá no fundo, é verdade. Mas muito feliz no banco.