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Tenho esta cabeça há uma data de tempo e tem-me servido bem.
Fora da garantia e à beira de passar do prazo, tem-me mantido tranquila e ponderada quanto baste para percorrer paulatinamente esta estrada cinzenta de adobos que me levará à terra mágica de Oz(io), onde os passadiços são amenos e cativantes, convidando ao passo leve e fresco como se a infância nos sorrisse em cada raio de sol.
E é isto que está formatado neste disco rígido que me inicia diariamente desde que nasci. É por isso que se impõe sair asinha desta cabeça atrofiada por ideias projectadas em pensamentos socioculturais adquiridos por osmose e empiricamente apenas porque sim.
Se a vida em determinado momento me der limões em vez de prados verdejantes prenhes de leite e mel, faço o quê? Resumo-me ao desespero que esta distopia criou e enterro a cabeça no chão, debulhada em lágrimas de tristeza e em fervorosas preces de esperança, ansiando que cada dia seja o dia, desligada de toda e qualquer realidade e imbuída de um burlesco sofrimento por antecipação.
E que tal aceitar os limões e dizer para comigo “olha, limões!”? Até são bons, têm vitamina C, ajudam a digestão, melhoram o humor e reduzem a ansiedade, ajudam a manter o peso (hum…), fortalecem o sistema imunológico, sei lá, um sem-número de benefícios que provam que o limão está subvalorizado e tem muitos prós naquele báratro de contras que nos cega à primeira impressão.
Transformar fel em ambrósia é possível. Sair da cabeça para ir pensar lá fora e voltar mais arejado, é meio caminho andado. Pode demorar o seu tempo. Algum. Muito. Mas fazer parte dos Desditosos Anónimos ou dos Profissionais da Queixa só pode ser opção quando o fundo carece verdadeiramente de profundidade.

Não estamos em época de limões. Os do meu limoeiro ainda estão todos verdes. Só a partir do Natal é que se pode começar a utilizar um ou outro. Madurinhos, só em abril. Nessa altura é que são deliciosos, doces e sumarentos.
O meu limoeiro calhou serôdio. Quando menos se espera surge pejado de esperança esbatida.
Haja limões para cortar as mansidões de vidas estéreis.
E sabedoria, como diz a Maria Dulce, para ‘transformar o fel em ambrósia’.
É dar a volta à proverbial limonada, Isabel.
Substitua limões por corrupção e veja no que dá. Ou por pobreza, etc etc Faltará verdadeira profundidade a quem se queixa disso?
Tudo isso e tanto , mas tanto mais, faz parte dos limões com que a vida nos pode surpreender, Isabel.
N’a minha longa e variada experiência de vida, tirei conclusão contrária à sua. Mas cá estou tranquila, vendo o bem onde está o bem e tentando, dentro das minhas capacidades, combater o que não está bem. Deduzo que, por mérito seu e com uma boa dose de sorte, teve uma vida privilegiada. Felicitações.
Quanto azedume, caramba.
A sorte constrói-se também. Trabalhei e trabalho muito. Tenho um cargo que chefia que alcancei não por ser mulher, gorda, caucasiana e disléxica, mas porque sou muito competente.
Tenho efectivamente muita sorte em ter trabalho, concedo.
Posso asseverar que ser gorda, caucasiana e brutalmente disléxica não é garantia de cargo de chefia. Longe disso.
It’s an injustice ! It is.
Sob o signo de Calimero, tudo é possível
Para não variar, esqueci-me de assinar.
Onde é que vê azedume?
Lucidez e experiência de vida reflectida não têm nada a ver com azedume. Pelo contrário! Proporcionam uma tranquilidade e uma capacidade de descobrir ironia onde antes se via diferença que tornam a vida bem mais divertida.
Se acha que sim, fantástico.
Não acho, constato eu e todos os que lidam comigo.