Não posso dizer que tenha simpatias por José Sócrates. Não votei nele nem teria intenções de o fazer. Para mim, a única coisa que fazia dele um socialista era a sua palavra e sabemos qual o valor que tem (quase nenhum, mas superior ao de qualquer actual ministro).
Seja como for, as reacções à sua ida para comentador são geralmente ridículas. Variadíssimos comentadores sem qualquer qualidade ou credibilidade populam os nossos media e nós não pedimos a sua exoneração, iniciamos petições para boicotar o media em questão ou de uma forma geral fazemos muito barulho. Sei que muita desta indignação é fabricada para poder desviar atenções daquilo que o governo vai fazendo. É estratégia tão velha que Carbono-14 não serve para a datar. E funciona.
Há, no entanto, uma forma muito mais simples de evitar ouvir as opiniões de José Sócrates: desliguem a televisão. Também se evita assim muito outro lixo televisivo bem pior que as declarações de um ex-governante.

Nem mais! Assunto resolvido e cabeças mais frescas!
Não será assim tão fácil lidar com o assunto. Continuará a haver muitos que quererão ver Sócrates na fogueira.
Sim, também é verdade!
A RTP não é uma estação privada … o caso seria diferente se fosse a SIC a contratar o tal Sócrates …
O contribuinte tem (julga ter) o direito de escolher que lixo aceita nos canais de televisão públicos … e de tolerar ou aceitar outro lixo televisivo bem pior que as declarações de um ex-governante.
Eu tolero outro lixo (ainda que possa ser bem pior que as declarações de um ex-governante) mas não tolero que os meus impostos sirvam para dar tempo de antena a esse José Sócrates. Veementemente.
«não tolero que os meus impostos sirvam para dar tempo de antena a esse José Sócrates»
Como Sócrates não será pago, os seus impostos servirão apenas para colocar no ar Sócrates em vez de outro. Por outro lado, “esse” Sócrates, para o bem e para o mal, usa o seu nome, pelo que ver anónimos a não tolerarem as suas opiniões tem a sua piada.
Quando a opinião pública se indignar com o Preço Certo ou outros lixos que tais, talvez eu ligue a essa indignação. De outra forma é só ruído.
Para o bem e para o mal, Sócrates foi eleito primeiro-ministro duas vezes. Não foi condenado por nenhum crime (ao contrário de outros que continuaram a ter tempo de antena contínuo). Ter sido bom ou mau primeiro-ministro é indiferente. Foi primeiro-ministro e faz sentido qualquer televisão contratá-lo para lhe ouvir a opinião. Também faz sentido não o ouvir se não se quiser (como será o meu caso).
Quanto aos seus impostos, eles já financiam tanta coisa vergonhosa (por causa deste e outros governos) que indignar-se com esta só lhe fica mal.
“Quanto aos seus impostos, eles já financiam tanta coisa vergonhosa (por causa deste e outros governos) que indignar-se com esta só lhe fica mal.”
Rídiculo comentário ao comentário. Ou seja sem perfeição nada… não surpreende vindo de extremistas.
extremistas? vindo de si é divertido. mas pelo que escreve já percebi que a sua compreensão das minhas opiniões não prima sequer pela mediania. talvez não seja questão de inteligência, no entanto.
Uma bancarrota é algo extremo. E quem quer ainda mais Estado que Sócrates = uma vez que para si até os 50% de Sócrates não foram suficentes para ele ser chamado de Socialista é mais um sinal de extremismo.
Como escrevi acima, V. não percebe minimamente o que escrevo. Como não me parece que seja questão de inteligência mas sim de não querer perceber, não volto a repetir-me. Leia os posts anteriores e os meus comentários caso tenha paciência e queira aprender quais as minhas posições. De outra forma comente a essência dos posts e não aquilo que pensa de mim. De certeza que errará se optar pela segunda hipótese.
O meu comentário (o primeiro neste blog, que agora com maior assiduidade frequento) tem que ver com dois pontos:
i) O assunto em questão, o do comentador, e em relação ao qual não poderia estar mais de acordo com a essência do exposto pelo João André. Apesar de tudo este programa tem tudo para ser um enorme sucesso em termos de audiência (economicamente poderá ser ainda mais interessante o que com certeza não deixará Miguel Relvas indiferente) , ainda que ninguém o vá ver!
ii) Este foi o ponto que realmente me fez escrever este comentário; gostei realmente da forma como respondeu a mais um anónimo que vagueia pela internet e dispara em todos os sentidos protegido pela capa do anonimato .
Cumprimentos,
João Silva
É sem dúvida um ponto interessante meu caro: será um dos programas com mais audiências. Toda a gente gosta de um “mau da fita”. Estou para ver como Relvas tratará do assunto.
Há muitos anónimos e sempre tive o hábito de lhes aprovar o comentário (usar um nome não obriga a que o nome seja verdadeiro). Isso não me inibe de apontar as incoerências de quem não gosta da opinião de quem dá a cara pela sua.
Abraço e que venham mais comentários, serão sempre bem vindos aqui no blogue, seja nos meus posts ou nos outros.
desligar a televisão… algo que fiz há pouco, quando na rtp1 um comentador (?) apresentado com o nome de abel xavier comentava o recente jogo azerbeijão-portugal.
E desliguei a televisão porque me lembrei que ainda não há muito tempo este cidadão, então com o nome de faisal, tinha sido entrevistado na rtp1, pela judite de sousa, porque tinha mudado de religião e de nome (de abel xavier para faisal)…
então a rtp1, a nossa televisão pública, comete agora um erro destes? chama abel xavier ao sr. faisal?
ou não me digam o sr. ex-abel xavier áfinal também é ex-faisal?
será um abel xavier aka faisal ou um faisal aka abel xavier?
enfim, vou reclamar para a “voz do cidadão” da estação pública de televisão, para tentar esclarecer este importantíssimo assunto.
Nem sabia que Abel Xavier tinha mudado de religião e/ou de nome. É uma questão pessoal e por isso não me interessa. Se mudou o nome para Faisal, o acrescentou ou o escolheu de forma não oficial, é assunto que não me aquece nem arrefece. Se mudou o nome e passa a usar Abel Xavier como “nome artístico” está à vontade para isso. Numa entrevista com Muhammad Ali Howard Cosell reconheceu-lhe o direito de não mais ser chamado por Cassius Clay mas sim pelo nome escolhido. Quem sou eu para rejeitar essa escolha a Abel Xavier/Faisal?
Por outro lado, nunca lhe ouvi nada de jeito a sair dos lábios. Como tal, mesmo que quisesse ver o jogo, acabaria por tirar o som. As soluções são sempre tão simples.
por mim, tal e qual quanto ao faisal. o meu comentário aplica-se ao tal canal público.
Caro João André tens toda a razão. Hoje quem quiser ouvi-lo ouve. Quem não quiser muda de canal.
Como vejo pouca tv sou capaz de me esquecer dele. Num ponto, parece, estamos todos de acordo: a programação da RTP tem muito pouco de serviço público. Assim sendo…
Mesmo muito pouco de serviço público Helena. Apesar de ter acesso à RTP apenas pela net, fora um ou outro noticiário (e normalmente apenas o da meia-noite, que não tenho paciência para 2 horas de notícias sem interesse), raramente a vejo. Tenho opções mais interessantes nas estantes daqui de casa.
Como eu te entendo…
E, no entanto, basta comparar a programação da RTP com a dos restantes canais abertos para se perceber como o cenário seria infinitamente mais desolador sem uma RTP pública. Podia ser melhor? Podia. Mas ainda assim…
Quanto a isso nada contra. A meu ver a RTP tem que continuar pública. Especialmente sob a lógica de RTP2.
O que eu gostava era de ver essa gente toda muito indignada pelos seus impostos servirem para pagar um salário a Jorge Silva Carvalho, por exemplo. Mas isso já não dá tanto “IBOPE” (como dizem os brasileiros, não é? Pois…
E já agora, dos assinantes das petições visando impedir o cidadão José Sócrates de exprimir livremente a sua opinião, quantos estiveram nas manifestações pela liberdade de expressão de Mário Crespo?
Só me ocorrem perguntas difíceis por estes dias, bolas…
Já agora, antes que venham as acusações da treta do costume sempre que o assunto é este indivíduo, informo que partilho com o autor do post o facto de nunca ter votado em Sócrates, nem nunca ter tido intenção de o fazer. Basta-me ainda ter dois neurónios a funcionar. E não ser um democrata de aviário, como afinal me parecem ser cada vez mais portugueses.
Gosto da expressão “democrata de aviário”.
Também não gosto do uso dos meus impostos para muita coisa. Infelizmente em muitos casos não posso evitar as consequências. Pelo menos no caso de Sócrates sempre podemos evitar ouvi-lo.
Caro João André,
Ferpeitamente!
Não querem ouvir o indivíduo, é simples, mudem de canal, desliguem a TV. E deixem-se de palhaçadas.
Quanto aos “democratas de aviário”, foi expressão que me surgiu “ao correr do teclado”, mas (perdoe-me a imodéstia!) que me parece ser das mais felizes que já me percorreram as sinapses. Aplica-se na perfeição a uma larga fatia da população deste arremedo de país.
Sr. anónimo, claro que toda a gente está indignada em pagar o ordenado a Jorge Silva Carvalho, mas adivinhe lá, quem fez a lei que obriga a reintegra-lo e a dar-lhe o salário, claro o inarrável estudante de filosofia, prestes a sair de Paris.
Mentira!!!
A regra que permite aos agentes dos serviços secretos poder adquirir o direito a vínculo definitivo ao Estado consta de diplomas aprovados no Governo do bloco central:
• No caso do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), o artigo 27.º, n.º 1, do Decreto-Lei n.º 224/85, de 4 de Julho;
• No caso do Serviço de Informações de Segurança (SIS), o artigo 30.º, n.º 1, do Decreto-Lei n.º 225/85, de 4 de Julho.
Já lá vão 28 anos!
Posteriormente, com a criação do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa e Militares (SIEDM), o primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva fez questão de manter a mesma regra (cf. artigo 28.º, n.º 1, do Decreto-Lei n.º 254/95).
Assim sendo, o que é que José Sócrates tem a ver com a integração do ex-chefe das secretas?
Não concordo consigo, embora respeite a sua opinião. Não concordo com a escolha de José Sócrates porque foi ele o principal responsável pelo estado em que o país está. Penso que este seja motivo mais do que suficiente para nunca mais ver tal pessoa, pelo motivo de que não realizou as reformas necessárias.
Por outro lado, se acha que é igual termos a comentador um Marques Mendes ou um Marcelo Rebelo de Sousa, para mim não é. Simplesmente porque estes não são tão importantes para as pessoas como José Sócrates, porque este foi Primeiro Ministro, e responsável pelos sacrifícios que passamos no presente.
Portanto, para mim a indignação com a nomeação de José Sócrates para comentador da RTP é mais do que natural e justa.
Com os melhores cumprimentos!
Eu não discuto se Sócrates é o principal responsável. Do meu ponto de vista não o é. Foi um primeiro-ministro autoritário e com sede de poder, mas não foi o “principal responsável”. Esse está actualmente no Palácio de Belém. Mas deixemos o assunto, aceito a sua opinião sem problemas, não me incomoda minimamente.
Agora, se ser um mau político é razão para se impedir alguém de ser comentador, a cada ciclo político lá tinham de vir outros. Não é questão de responsabilidades, é uma questão moral: porque razão se deve impedir alguém de comentar? Eu não vejo nenhuma, tal como não vejo razões para ter de o ouvir.
Já indignações compreendo, é mesmo a questão da censura que me faz espécie.
Cumprimentos.
Bem dito, João.
Obrigado Bandeira.
Concordo 100%. Muito bem!!!
Não é muito habitual caro Luís, mas de tempos a tempos lá tem de ser :).
Não concordo, João. Não tenciono ver o Sócrates a debitar opiniões, o homem faz-me urticária. Mas não é por isso, que é só uma reacção pessoal. Defendo (não só em relação a Sócrates mas a todos na mesma situação) é que só deveriam ser comentadores televisivos os políticos que estão definitivamente afastados da política activa. De outro modo, e mesmo que o pagamento não seja em dinheiro (há tantas formas de pagamento, e algumas bem mais rentáveis…) o que estão a fazer é utilizar uma tribuna privilegiada em proveito próprio, para fazer lobby político e influenciar votos. Uma questão de ética apenas, que devia partir dos próprios se a tivessem. Pior ainda quando isto se passa na televisão pública, paga por todos os contribuintes.
Ana, se o problema é ver políticos potencialmente activos a debitar opinião, não concordo contigo (já lá vou) mas compreendo perfeitamente os motivos. Personalizar a questão em torno de Sócrates é aquilo que me incomoda.
A razão de não concordar é o facto de, com tal conceito, se excluir automaticamente alguém da política activa. Imaginemos alguém que após ter sido primeiro-ministro e presidente começava a fazer comentário político. Essa pessoa, segundo tal conceito, passava a ficar impedida de concorrer a cargos políticos. No entanto porque razão se haveria de desbaratar a experiência dessa pessoa? Se a mesma pessoa quisesse mais tarde concorrer a presidente, deputado ou simplesmente a deputado à assembleia municipal, porque razão não o poderia fazer?
Personalizemos: é pouco provável que Cavaco Silva queira voltar a ir a eleições para o quer que seja após terminar o seu mandato. Mas se, após ser presidente, passasse a ter uma tribuna de comentários, porque razão não poderia mais tarde ser eleito deputado? Não poderia o PSD (e o país) usar a experiência e os conhecimentos dele? Falo sem suspeitas de simpatia por ele, de quem gosto ainda menos que de Sócrates.
Ou Marcelo, não poderia ele candidatar-se a presidente? E como definimos os media? Um blogue ou um website não é um meio de comunicação social? E se começarmos a entrar por esse caminho não estamos a retirar a possibilidade de conhecer as opiniões políticas de alguém que se candidatará?
É um facto que as televisões, jornais ou outros são palcos para a notoriedade. E embora eu perceba que há excessivas promiscuidades entre media e política, a verdade é que a política é um dos principais assuntos dos media. Retirar deles a opinião de alguém só porque poderá um dia querer voltar à política activa seria reduzir o leque de escolhas, retirar aos eleitores a possibilidade de conhecer o pensamento da pessoa em causa e diminuir a qualidade do comentário político disponível.
No final de ocntas há apenas e só uma forma de escrutínio dos políticos: o voto. Se Sócrates voltar um dia a ocupar cargos políticos (espero bem que não), é porque os eleitores decidiram voltar a confiar nele. Retirar-lhe qualquer tribuna é menorizar o eleitor.
Percbo o que queres dizer e sei que as fronteiras da ética são pouco claras para alguns (demasiados se falarmos de políticos, infelizmente). Por isso disse que não gosto da ideia de ter comentadores políticos que já tiveram responsabilidades públicas e estão a planear voltar a terreno, usando a televisão como campanha eleitoral. Com frequência demais para o meu gosto, criticam alegremente e com todo o desplante, do alto da sua cátedra de actual imunidade, a ineficácia das soluções de quem ocupa os mesmos lugares em que eles foram igualmente ineficazes. Preferia que fossem eles mesmos a delimitar essas fronteiras de ética, ninguém melhor que o próprio sabe as intenções que tem ao usar a tribuna de luxo que é um programa de comentário político. Mas, como já disse, confio pouco na noção de ética da maioria dos políticos. Já na sabedoria do povo português confio muito mais, se queres saber. Mas o meu ponto não é esse.
Só em Portugal é possível colocar o incendiário a comentar o trabalho dos bombeiros!
Quanto à indignação, somente a esquerda radical tem direito a manifestar-se ? Aos democratas fica mal ?
Houve muitos incendiários e estes bombeiros usam a terra queimada para parar o fogo. No entanto não é só em Portugal, vá pelo mundo fora e verá o mesmo. Não discuto as causas do incêndio, apenas digo que se o “incendiário” não cometeu crimes, não vejo porque razão deva ser censurado.
Acho piada ao comentário de “esquerda radical” vs “democratas”. Mostra a cultura política de quem o profere. Seja como for eu não retirei qualquer direito de indignação a ninguém, apenas critico a mesma por estar mal concebida (e ser falsificada). Já a vontade de censura (dos tais “democratas”, tem piada) é criticável e de forma simples. Seja por esquerdas, direitas ou centros “radicais”.
Caro João, é o amigo que afirma que o “incendiário” não cometeu crimes. Terei que lhe dizer que pelo facto da Justiça não condenar alguém, porque a isso não foi chamada, isso não é prova que não há crime. Acho curioso dizer que não discute as causas do incêndio. porque isso é que é o mais importante. João ainda tem dúvidas que a esquerda radical, e eu dou nomes PCP, BLOCO e CGTP não sejam democratas ? Claro a contragosto têm de se sujeitar ás regras da democracia mas isso não está no seu ADN.
Meu caro: se tem conhecimento dos crimes de Sócrates, faça o favor de os dar a conhecer à polícia. De outra forma está apenas a levantar suspeitas sem fundamentos (as suas suspeitas sê-lo-iam, porque não fundamentadas). Terá Sócrates cometido crimes? Talvez, mas nunca foi (que me lembre) sequer por eles indiciado. Por isso mesmo para mim não os cometeu. Eu cá também tenho as minhas suspeitas sobre muita gente que está e esteve no governo e na presidência da república, mas não sendo mais que suspeitas deixo-me ficar quieto. Se se quer indignar com essas coisas, faça-o em relação a um Isaltino Morais que já deve ter gasto mais dinheiro em advogados na pós-sentença do que aquele que recebeu como autarca ao longo da sua carreira.
Não discuto agora quaisquer responsabilidades governativas de Sócrates na situação do país porque não me apetece. Tenho mais que fazer. Talvez o faça num post. Mas se crê que Sócrates (e o seu governo) é (são) O(S) responsável(is) pela situação do país, então não me parece que eu lhe altere a sua perspectiva.
Já quanto a considerar o BE, o PCP e a CGTP como não-democratas, isso envolveria uma pequena discussão do que é a democracia. Sinceramente, começar por dizer que se submetem a ela a contragosto deixa-me logo sem vontade de discutir o assunto consigo. Suponho que para si a democracia está apenas e só à direita do PS, não?
Seguindo o seu raciocínio temos que Hitler, Estaline, e Mao nunca cometeram crimes, pois que eu saiba nunca foram condenados judicialmente. Quanto aos democratas, são aqueles que tendo maioria e o Poder exercem a protecção dos direitos humanos fundamentais, tais como as liberdades de expressão, de religião, a protecção legal, e as oportunidades de participação na vida política, económica , e cultural da sociedade. Os cidadãos tem os direitos expressos, e os deveres de participar no sistema político que vai proteger seus direitos e sua liberdade, podendo e devendo por meio de eleições totalmente livres escolher os seus representantes.
Lamento desiludi-lo, mas também considero o PS um partido democrata e muito essencial ao País.
Não discuto sob a falácia do espantalho.
Ao menos reconhece a importância do PS. Um pouco mais de esforço e reconhecerá a dos outros partidos.
MUITO BEM DITO J. ANDRÉ!
O PROBLEMA É QUE A MAIOR PARTE DAS PESSOAS QUE VÊM TELEVISÃO E COMENTAM AQUI NÃO TÊM O TAL BOTÃO ” OFF ” NA TV.
NA VERDADE TODOS VÃO VER, MAS POUCOS VÃO DIZER QUE VIRAM, AH AH AH …
Agradeço o comentário, mas pode talvez da próxima vez desligar o “caps lock” do teclado? É desagradável ler maiúsculas. Como diria o querido João Carvalho, é como copnversar com alguém aos berros.
Pedido aceite, mas acredite que não estava aos berros com ninguém, o uso das maiúsculas deveu-se a outras limitações que não vem aqui para o caso.
Boa Páscoa.
Já tentei por duas vezes responder a um comentário que me questiona se me incomoda que a lei que permite que os meus impostos sejam usados para pagar um vencimento de Jorge Silva Carvalho date do período de governação Sócrates. Vou tentar mais uma vez responder:
Corre por aí outra versão, enunciada por António Vitorino, na Sic Noticias, de que as leis que levam à reintegração de Silva Carvalho datam de 1985 e 1995. Não sei se é verdade, mas o que me incomoda é nenhum orgão de Comunicação Social – a começar pela Sic – se mostre preocupado em averiguar qual das versões está correcta. Caso António Vitorino tenha razão, andam a vender-nos mais uma patranha. Caso esteja a mentir, há que dizê-lo. sobretudo, num caso de tão fácil verificação (são leis, estão publicadas em DR).
Além disso, estamos aqui perante um exemplo da atitude futeboleira como se encara a política e a governação neste país. Uma lei, quando é formulada, é-o no abstracto; uma decisão específica de governação é feita para casos concretos. Portanto, desculpabilizar uma decisão de um governante com base na lógica de que a culpa é de quem escreveu a lei significa um atropelo lógico de todo o tamanho. A menos que se sugira que Sócrates já tinha como interesse a reintegração futura de Silva Carvalho, o que penso que será demais, mesmo para os espíritos mais conspirativos.
Não sei, de acordo com as notícias dos últimos dois anos, se Silva Carvalho será a figura mais adequada a desempenhar um cargo tão importante no Conselho de Ministros. E seguramente que os problemas judiciais e éticos que o envolvem deveriam chegar para o Governo encontrar uma forma de contrariar a reintegração. Só estranho que, em vez de discutir este aspecto, se tenha passado directamente para culpabilizar quem alegadamente aprovou a lei, quando convenientemente essa é a mesma pessoa que tem servido convenientemente para justificar tudo, sem que ninguém se detenha na questão propriamente dita desse caso.
Mas esse é o motivo para este país estar tão anémico mentalmente, a forma como se revela incapaz de discutir as matérias de facto, para entrar em todo o tipo de manobra de diversão ou de passa-culpas, sem que ninguém sequer verifique se as coisas batem certo.
O comentário ainda não tinha sido aprovado porque eu não tinha tido possibilidade de o ver. Lamento, mas a minha vida não me permite rever os comentários com muita frequência.
Peço desculpa, João. Não estava a insinuar qualquer pulsão censória, pensei apenas que existisse alguma falha no sistema de comentários. Ou então, se preferir uma versão mais conspirativa, que Silva Carvalho já andava ao serviço e a limpar a imagem pública!