O auto-caravanismo como modo de viajar livremente e fazer turismo em Portugal está definitivamente ameaçado.
O novo Código da Estrada, que entrou em vigor no início de 2021, proíbe no seu artigo 50.º-A a pernoita no interior de uma auto-caravana. Continua a ser permitido pernoitar dentro de um carro de passageiros, dentro de um pesado de mercadorias, sobre um veículo de tracção animal e até no chão em cima de uns cartões, mas passou a ser proibido fazê-lo dentro de um veiculo equipado para dormir no seu interior.
Na literatura juvenil dos meus tempos, lembro-me do livro “Os cinco e o circo”. É o quinto livro da colecção, que guardo com gosto, e que ando a ler, um capítulo por serão, à minha filha. Nessa história, que no dia que os donos do discurso correcto dela tiverem conhecimento não hesitarão em inclui-la no novo index, os quatro jovens e o seu cão passeiam em duas roulotes de tracção animal e cruzam-se com uma companhia de circo. No longínquo tempo em que a acção decorre, imagino que seja algures nos anos 50, a ausência de supermercados faz com que eles vão de quinta em quinta comprar comida. Mesmo sendo menores de idade, as personagens conduzem os animais que puxam pelas roulotes, decidem onde dormir e comer, e passam vários dias sem dar notícias à família. Nos dias de hoje, apenas pais irresponsáveis e potencialmente sinalizados pela Segurança Social permitiriam tal coisa.
Bem sabemos que o mundo mudou. Apenas o título do nono livro da colecção, “Os cinco e a ciganita”, tinha hoje potencial para abrir um telejornal. Durante a acção, o David – Dick no original – anda aos murros com o sujo e desgrenhado João, e só mais tarde entende que o João é afinal uma Maria João. Fica embaraçado porque não se deve bater em raparigas. O seu maior incómodo não resulta do facto de se tratar de uma cigana, mas sim o facto de ser uma rapariga. Enid Blyton, a autora, que hoje seria igualmente proscrita, consegue assim nesta personagem misturar vários ingredientes que agora exigem a maior delicadeza e pudor. Esse arrojo, certamente involuntário, ainda é mais central pela forma como trata a personagem principal que é a Zé, a Maria José – Georgina no original. Quem leu os livros recorda-se bem de que se trata de uma rapariga que, por se recusar à fragilidade associada ao sexo feminino, tenta passar-se por rapaz.
Nesse tempo longínquo uma pessoa com mau feitio e teimosa não era mais que uma pessoa com mau feitio e com forte personalidade. Saltando para actualidade, essa mesma pessoa foi reduzida a uma enciclopédia de psicologia dentro de umas peças de roupa.
Este é nosso tempo. É o tempo em que um governo gasta dinheiro suficiente para desenvolver um projecto espacial, numa empresa como a TAP, com o argumento de que é esta empresa que nos garante a entrada de turistas no país, e no mesmo dia defende a construção de um novo aeroporto porque o actual não é (não era) suficiente para a forte procura das companhias aéreas estrangeiras. Diz ainda que o turismo é tão importante para a nossa economia que é necessário proibir os auto-caravanistas de pernoitarem dentro das suas auto-caravanas, salvo em locais permitidos e formatados para tal efeito.
As queixas deste artigo 50.º-A tem sido muitas. Cristina Mendes da Silva, em nome do governo e do PS concorda que o auto-caravanismo é muito importante para o nosso país mas a lei que temos é esta. Com a honestidade intelectual a que estamos habituados, mistura o combate à pandemia com a nova lei, como se o auto-caravanismo não fosse, até em termos epidemiológicos, uma forma segura de passear.
Entende-se que a hotelaria não aprecie o turismo itinerante e que possa aplaudir esta nova lei, mas será que após o confinamento, o que restar da nossa excelente restauração, nomeadamente fora dos grandes centros turísticos, não lamentará que estas casas sobre rodas, nacionais ou estrangeiras, possam escolher ficar ou dirigir-se apenas para Espanha e para lá deixarem o IVA e ISP dos seus consumos?
Preocupados em salvar o turismo e em combater a pandemia, só no primeiro mês desta nova lei, as autoridades “detectaram” 60 infracções e arrecadaram uns bem pedagógicos 3.540€.
Para quem conhece o espírito de liberdade associado ao turismo itinerante, tudo isto não é mais que (mais) um atentado à liberdade.

’tá-se mesmo a ver quem forçou esta lei.
Bom é uma grande chatice, depois do outro ter proibido “turismo de pé descalço” agora o estacionamento do caravanismo fora dos parques.
Paulo Sousa não o via defensor deste turismo, e os milhões para o nosso PIB?
Ou é só pra chatear o governo.
Não me estava a ver mas até acha que consigo chatear o governo… apesar de achar que os anónimos são sempre vozes com dono, tenho de lhe agradecer o elogio.
Paulo Sousa, o identificar-me ou não vai dar ao mesmo. Só se envia-se uma certidão de nascimento autenticada e mesmo assim podia ser a do vizinho.
Lembro-me no início dos anos de 1980, antes seria quase a mesma coisa, do acampamento selvagem na Fonte da Telha, Portinho da Arrábida, na Serra da Estrela e mais locais interessantes. Depressa esses campistas começaram nos anos seguintes a fazer primeiro barracas, depois com pequenas casas com tijolos, chegando a vivendas e nascendo urbanizações clandestinas, até passou a haver alugueres. Foi um problema para deitar tudo abaixo e uma vergonha para o governo as mandou destruir por acaso até era da AD.
Agora com as caravanas iria acontecer o mesmo, aliás na zona sul da Costa Vicentina já estava a acontecer a haver caravanas a servir de habitação com um “anexo”. O problema é ser este governo a dizer não pode ser, que tinha já tinha levado porrada do MST por facilitar o estacionamento.
Compreende, mais aquilo que dizem os da indústria hoteleira, não haver que chatice não se poder dormir nas autocaravanas sem ser em parques próprios. Tá bem que o Quinkas vive dentro do seu velho carro que já não circula há cinco anos, mas isso é outra coisa.
apenas relativamente ao primeiro paragrafo.
Tem toda a razao.
Alias nao se compreende como insistem na tecla absurda de se ser anonimo.
Inclusivamente, por mais de uma vez expliquei que para mim, neste caso o Paulo Sousa, mas todos os outros detentores de blogues , para mim, dizia, sao anonimos. Nao conheço o Paulo, nem sei onde o procurar, portanto trata-se de um anonimo.
Conclusao : somos todos anonimos.
Vejo com agrado que não sou o único a considerar o assunto comentador anónimo versus comentador “identificado” como um não-assunto. De facto, somos todos anónimos aqui. Acresce ainda a vantagem de reduzir ataques ad hominem para quem é figura pública e não se “identifica”. Não é o meu caso, diga-se.
Eu acho que a lei tem razão. É permitido pernoitar em autocaravanas, desde que estas estejam parqueadas em locais estabelecidos para o efeito. Tal e qual como é permitido dormir numa tenda somente se esta estiver montada num parque de campismo.
O autocaravanismo selvagem é fonte de muitos estragos ambientais e de muita perturbação para muitas populações.
Não assinando, não clarifica quais os seus interesses.
A maior perturbação que as auto-caravanas causam prende-se com a última palavra d’Os Lusiadas.
Assino, sou balio.
Não tenho interesses nenhuns no assunto. Quando era jovem fiz campismo selvagem, o que era e continua a ser ilegal.
O que constato é que as autocaravanas conspurcam a paisagem e o ambiente. Devem portanto ser confinadas em parques próprios, tal e qual como as tendas de campismo.
Gostava que me explicassem qual o processo que decorre da entrada de uma auto-caravana num espaço designado para pernoita. Os seus ocupantes tornam-se civilizados? O seu sistema digestivo fica mais ou menos activo? Começam por magia a depositar o lixo nos respectivos caixotes? Qual a diferença?
Não precisa de responder. Eu sei que se trata apenas de embirração.
Eu até concordaria com o autocaravanismo selvagem, em que se pode escolher o local onde pernoitar. Mas bastava ir aqui tão perto, à Fonte da Telha, para ver que os caravanistas selvagens gostavam de esvaziar as suas retretes de caravana na fronteira entre a beira da estrada e a praia. À falta de fiscalização destas tristes descargas, paga o justo, que até respeita o ambiente, pelo pecador badalhoco.
Como respondi a outro comentário, existem de facto uns badalhocos que lançam lixo pela janela do automóvel. Esta lei equipara-se a proibir por isso todos os automóveis de abrir as janelas. É disforme e exagerado.
E penso que é proibido por lei deitar lixo pela janela de um carro. Mas tenho quase a certeza de que, se fosse costume deitar o conteúdo de uma retrete pela janela fora, proibiram a abertura das mesmas…
Quantas queixas foram apresentadas na Raia ou no Pinhal Interior? Eram destinos regulares para nacionais e estrangeiros que agora para o poder fazer irão pernoitar a Espanha.
Tudo a que disse mas só entre as 21 e as 7 h.
Estamos de acordo, no resto do tempo viva a liberdade, é isso.
Ou seja liberdade entre as 7 e as 21 h depois uma lei de Salazar, proibir a liberdade.
Uma lei Salazar…. as leis socialistas agora chama-se leis Salazar! Parafraseado alguém, diria….E esta heim?
Realmente o socialismo nem é assim, mas as leis que dele emanam, sim! Viva o socialismo! Abaixo as leis socialistas e os deputados e legisladores que as legislam.
A utopia socialista é excelente, mas a sua aplicação é péssima.
se eu passar a sua porta durante a noite e não tiver onde dormir uma vez que não posso dormir na caravana
da-me cama ?
Valeu a pena ver aqui referência ás minhas mais valiosas e entusiasmantes cartilhas de infância, ao “pôr-do-sol” deste longo dia! Valeu a pena…
Há décadas a encantar os jovens…
Caro Paulo Sousa,
Não sei a sua idade, eu já passei os 50 e as minhas primeiras leituras foram os livros de Blyton (os cinco, os sete, os 5 descobridores e o seu cão, etc, etc). Blyton hoje estava “lixada”. Sei bem que os tempos são outros mas nessa altura era tudo bem mais puro. Acredite que ainda hoje conheço quase todas as histórias de cor e salteado
Parabéns pelo post
Os Cinco e as suas aventuras mereciam, e provavelmente irão merecer, um post próprio.
Estou poucos anos atrás da sua idade e espero demorar muitos a o poder “alcançar”
A pureza que refere não é mais que uma liberdade de antigamente, hoje cada vez mais difícil, mas que no fundo é apenas a liberdade, inteira.
Obrigado
Peço desculpa por não me ter identificado no primeiro “postal” (um descuido) – O meu nome é Pedro Cunha. Agradeço a sua resposta
`bora lá um poster sobre os “CINCO”!
Obrigada…
Com o cintilar do dinheiro trazido pelo Turismo, muitos milhares de pequenos e médios negócios (restauração, alojamento local, lojas, etc.) deixaram de querer os pelintras das caravanas, que não lhes compram nada de jeito.
Houve uma mudança de paradigma, a partir de 2010.
Cada centímetro quadrado do (dito) “espaço público” tem um preço, é vigiado por uma câmara, localizado por GPS, e pago como na Emel.
Chama-se “Democracia”, dizem.
Usufruo insuficiente e irregularmente de uma auto-caravana de família, e sei que parte do atrativo da mesma resulta da imprevisibilidade do local da próxima pernoita. São aqueles impulsos espontâneos que nos fazem decidir que “este é um bom sítio para dormir” que são erradicados com esta lei. Daí a última frase do meu texto.Trocar isso por interesses deste ou daquele é apenas espuma.Deixamos de poder pernoitar onde nos carrega e isso não é mais que um retrocesso.
A pernoita em auto-caravana fora dos locais apropriados (estacionamentos próprios e parques de campismo) já não era proibida?
É permitido estacionar uma autocaravana vazia numa fila de carros estacionados.
Dormir lá dentro… é proibido
Boa noite
Como sempre respeito as opiniões de outrem, concorde ou não com elas. Isto dito, compreendo o post mas, por outro lado, tenho bem presente o estado lamentável de algumas áreas de estacionamento selvagem (no sentido fora de parques) de auto caravanas que tenho observado ao longo dos anos. Algumas áreas na costa Vicentina ou Altura e zonas antes de chegar a VRSAntónio, só para referir o que vi em 2020 entre Junho e Setembro.
Quanto a Camões. ……….
de sorte que Alexandro em vós se veja,
Sem à dita de Aquiles ter inveja.
Eu gostava de ter uma auto-caravana, e podia, e as actuais são espectaculares, mas a cara metade não esteve nunca para aí virada. E gostava para poder ir a certos sítios. Alternando com os belos locais onde gosto de me hospedar periodicamente. Saúde.
António Cabral
Existem labregos que lançam lixo pela janelas dos automóveis. Esta lei equipara-se a proibir todos os automóveis de abrirem as janelas.
Este turismo itinerante é económico, no limite as despesas são idênticas às de viver numa casa, e permitem mudar regularmente de zona, de paisagem, de sotaque, e de gastronomia.
Os legisladores não regulam em condições.
Claro que esta forma de turismo itinerante é económica e tem todas essas vantagens para quem o pratica. As desvantagens ficam para a sociedade em geral, que vê lugares públicos privatizados e paisagens desfeadas.
Compreendo perfeitamente que quem pratica autocaravanismo seja mais sensível aos seus benefícios para si mesmo do que aos prejuízos para a sociedade.
Acho muito bem que quem possui uma autocaravana a utilize para dormir, desde que o faça em terrenos que sejam da sua propriedade ou, então, que pague para a estacionar em parques designados para esse efeito. No espaço público, não!
balio
A que prejuízos para a sociedade é que se refere?
Turismo itinerante supõe cumprir as regras de estacionamento quando se para para visitar um local, ir a um restaurante, a um museu ou quando se pquer dormir.
Há mitos anos que é proibido estacionar nos Parques Naturais pelo que a atual introdução do conceito de pernoita no código da estrada é um absurdo jurídico por ser inconstitucional. É não é por acaso que em toda a Europa se pode pernoitar numa autocaravana bem estacionada.
Campismo é outra coisa bem diferente e isso só mesmo nos parques de campismo.
Vamos perder cerca de meio milhão de turistas itinerantes por ano, que ficarão por Espanha.
Junte também mais uns milhares de portugueses que lá até encontram combustível mais barato.
O objectivo do Estado Socialista é controlar tudo, destruir tudo o que não seja DEFINIDO
Na China será pior, mas aqui andam a apurar-lhe o gosto de controlar tudo.
Por enquanto ainda estão proibir actividades específicas. O pior virá quando for proibido tudo o que não for permitido e essas permissões já foram chamadas “as mais amplas liberdades democráticas”.
O fluxo de idiotices a sair das mãos de uma multidão de funcionários envolvidos na imensa teia burocrática instituída como ‘serviço público’, deve ser tão avassalador que não é de esperar que possa ser controlado por governos cada vez maiores e com cada vez mais incompetentes!
Dia que não “deslarguem” 15 leis não è dia. Em pouco tempo metade das leis desmentem as restantes. E estes já la estão há uns 20 anos…
Tanto querem controlar que, estavam se a preparar, para nos obrigar a ter uma aplicação, covid não sei das quantas nos telemóveis… aliás somos controlados sempre que metemos NIF nas faturas, mais, desde que temos telemóveis…
Está lei é um atentado aos direitos liberdade e garantia, inscrito na Constituição da República.
E acresce a descriminação.
Portugal tem várias leis feitas à meda almas são de direitos ao capital como o art 50, leis feitas a medida, e para os empresários, não é uma lei justa para rico e pobre como seria de esperar de um governo socialista.
Eu até diria que é uma lei estúpida, que ao proibir uns, e outros não revolta até mais dos serenos serenos.
Os gumentos de deixarem lixo de fazer barulho, são falacias, mas como em tudo e em todos os bairros têm do mesmo, tem limpos e tem porcos e até tem os que fazem barulho, até tem outra coisa tem roupa a janela que tamben já vi argumentar que os camping car tem a roupa no seu carro a dar espectáculo o mesmo que se vê por essas aldeias vilas e cidades, vasta alhar na rua, e olhar para o chão para ver muito e pior que junto aos autocaravanista, mas são olhares diferentes olhares com falta de liberdade.
O PR ao promolgar está lei a tentou contra a constituição que jurou, e vai voltar a fazer,
Os veículos em causa são inspecionados para poder circular. Só estando aptos podem ser utilizados para a respectiva função… é tudo uma parvoíce.
Bom dia. Tenho 53 anos e sou auto-caravanista à perto de 5 anos. Há muito para dizer sobre esta questão. Como sempre o problema é colocar todos no mesmo saco. O principio do auto-caravanismo é a liberdade. É o poder fazer um piquenique 2.0. Conheço pessoas que nunca fizeram uma refeição na auto-caravana e pessoas que não fazem uma refeição fora da auto-caravana. A questão é colocada por causa da Costa Vicentina, local que não frequento. Mas é frequentado desde sempre por estrangeiros. E em carros sem condições de armazenamento de lixo/dejectos/águas sujas. Quantas áreas de serviço para AC há na zona da Costa Vicentina? Devia começar-se por aí. Comentou-se aqui a Fonte da Telha que conheço perfeitamente por ser na minha área de residência. A minha esposa tem dificuldades de locomoção por ter sido operada aos dois joelhos. Eu não posso descer com a minha AC para a F. daT. Sou cidadão de 2ª? Estou de acordo, não querem que durma nesse sitio, mas nem posso ir para a praia? O meu carro ocupa o mesmo lugar que outro carro, paga impostos como os outros e não posso sequer ir á praia? Termino: o condutor que atira a beata pelo vidro é mau condutor ou mau cidadão? O condutor que despeja o lixo na rua é mau condutor ou mau cidadão? Puna-se o mau cidadão. Para isso já existe legislação.
Esses casos da Costa Vicentina, de veículos mal adaptados e poucas condições, que ocupam o mesmo espaço durante parte do ano, e que deixam os cães à solta para afastar quem pense em aproximar-se, não são mais do que excepções no auto-caravanismo.
Penalizar milhares de utilizadores, muitos que pouparam uma vida para poder passar uma reforma activa, é simplesmente estúpido.
Se tivesse uma autocaravana dormia lá dentro e se me batessem à porta era como se não estivesse. É fácil. Quanto à medida do governo, é patética
Em janeiro foram em média 2 por dia que já renderam 3.540€.
Em geral os legisladores não compreendem as realidades para quais estão a legislar. É há sempre esta questão de pagar o justo pelo pecador.
Se não querem autocaravanas em frente às praias na costa Vicentina, ou noutros local muito frequentados (o que eu acho legítimo), legislem nesse sentido. Agora proibir a actividade porque há um par de zonas problemáticas é totalmente abusivo. Os caravanistas que vêm a Portugal fazem gastos em comida e restaurantes, logo dão lucro a essas actividades.
Eu nunca fiz caravanismo e não tenho intenção de fazer. Não faz de todo o meu género. Mas faço pernoita em campismo. O que não é o mesmo que abancar num local e ficar lá uma semana a acampar. É proibido pernoitar em tenda fora de um parque de campismo, claro. Mas não deveria ser em certas condições (por exemplo distância às habitações mais próximas). Eu faço pernoita em tenda, mas nunca iria acamparia num parque de campismo. Se fosse cumpridora da lei não acamparia de todo em Portugal (iria para locais onde se pode pernoitar na Natureza dentro de certas condições).
Claro que há autocaravanistas que abusam. Como há cidadãos que abusam em todos os campos. É punir esses e deixar os outros em paz.
É exatamente essa a ideia.
Esta lei é comparável a usar napalm para controlar um ninho de formigas.
Temos governantes e deputados tacanhos e comprometidos. Preferem manter o que está a mudar o que está mal. Quando se tem tudo na mão, é óptimo não deixar fazer nada. Dá-se a uns, tira-se a outros, depois dá-se a outros e tira-se aos uns. Equilibram-se as forças em parada e fica tudo na mesma. Os lituanos, os letões, os romenos, os búlgaros e outros que andavam atrás de nós, passam-nos à frente. O objectivo é claríssimo. Empobrecer a populaça, mantê-la sob forte subsidiação para lhe condicionar o voto e assim conseguir a sucessiva reeleição e a perpetuação no poder, que permite a extração dos recursos dos contribuintes. Isto é como a mineração das criptomoedas. O governo não governa, faz mineração. Os deputados não legislam vigiam, regulam e regulamentam a mineração de recursos. O PR assina e manda publicar em DR. Tudo a bem da nação. A indigência eleitoral do povo inculto, atávico e que prefere viver esta liberdade amordaçada faz o resto. A mina é o bolso dos contribuintes. Resta uma solução. Sair de Portugal e ir ganhar dinheiro para outro país e pagar o menos possível de impostos por aqui, que o destino a que estamos condenados é sermos indecentemente roubados todos os dias. Eu vivo num sítio onde o turismo em auticaravana foi um pilar do consumo e da manutenção das pequenas actividades. Com a imbecilidade dos nossos governantes foram todos literalmente expulsos a pretexto da pandemia. O resultado foi um desastre económico para 80% das pessoas. E continua. Governo e seus aliados e PR? Estao-se positivamente nas tintas para as pessoas e para as empresas. O que interessa é não parar a mineração, essa actividade é a única que não pode fechar.
A culpa é da doença, diz a Ministra mas de outra que não do COVID.
Não aprecio discriminações, já que se fala dos 5, que se fale também dos 7.
Não se esqueça do Noddy
ao ver o titulo, estava longe de imaginar tal conteudo.
Áparte a cena dos Cinco, e apesar de a dado passo reconhecer que é permitido nos espaços autorizados, quem nao conhecia o proposito da lei, continua sem saber.
Inclusive diz o logico, que a hotelaria aplaudirá esta lei.
E no entanto , logica e realidade podem ser bem distintas.
continuo a desconhecer o que motivou a lei, mas o meu dedinho diz-me que o Paulo sabe mas nao nos disse.
Desconhecimento da realidade e paixão por decretar coisas. Se não entendeu foi certamente falha minha.
outra coisa que, o post me fez ate esquecer.
Sou amante da liberdade, invejo e defendo o autocaravanismo, ate sou utilizador de campismo selvagem. (como o que existiu a 2 passos da praia da rocha )
É igualmente proibido.
O aparente assunto do texto parecia interessante mas logo resvalou para a ladaínha saudosista da liberdade amordaçada. Passo.
Sobre a legislação em si, presumo que concordasse com o espetáculo das autocaravanas estacionadas em Belém, Lisboa, quando isso não era proibido.
Já nem falo da Costa Alentejana.
Belém sem auto-caravanas, Lisboa sem turistas e Portugal se portugueses.
Eu conheço mais quem defenda isso.
Pois é. Estamos a caminho de nos tornarmos uma Venezuela. Ou uma Coreia do Norte.
Convém referir que sou autocaravanista vai para 10 anos e nunca tive qualquer problema com forças policiais, mencionar ainda que quando assim o entendo, vou para parques de campismo.
Posto isto não consigo entender o que foi legislado no art.º 50-A, considerando-o inconstitucional.
Tenho um smart, posso estacionar o carro devidamente e dormir lá dentro, tenho um camião TIR, estando ele devidamente estacionado posso dormir lá dentro, tenho um comercial e acontece exatamente a mesma coisa, mas se tenho uma autocaravana e ela está devidamente estacionada, não existe qualquer tipo de problema, mas se eu pretender dormir lá dentro, estou a prevaricar. No entanto se tiver vontade de dormir debaixo dela ou em cima do tejadilho, já não estou a cometer nenhuma ilegalidade.
Será que esta legislação não foi “encomendada” por algum lobby?
Estou plenamente de acordo que nos parques naturais, nas arribas e em todos os locais sensíveis em termos ambientais se proíba o estacionamento e pernoita fora dos locais autorizados, mas no restante território nacional desde que a autocaravana esteja devidamente estacionada, deve de ser permitida a pernoita.
Para finalizar sou da opinião que o atual governo de Portugal deve de ser coerente, e se proibiu a pernoita em autocaravana fora dos locais devidamente autorizado, porque alguns autocaravanista prevaricaram, então também devem de encerrar as autoestradas uma vez que muitos condutores prevaricam ao circularem com velocidade superior aos 120 km/h permitidos
Eles legislaram porque todos os dias tem de decretar 20 leis, ou mais. Ganham por objectivos.
Obrigado pelo comentário.
Boa noite,
Para se conseguir perceber o que foi feito aqui às autocaravanas, vou utilizar um exemplo simples: Toda a gente conhece o fenómeno que é proibido dos street racers na Ponte Vasco da Gama, o que já proibido por lei, mas só não está erradicado por questões de falta de fiscalização. Se o governo tivesse uma acção semelhante para resolver uma questão, que teve com o autocaravanismo, a resolução passaria para a partir das 21:00 fechar todas as pontes do país ao trânsito automóvel. Claro que seu fosse utilizador em exclusivo, de bicicletas e transportes público, aplaudiria essa lei, o que seria semelhante a alguns comentários que eu vi aqui em relação às autocaravanas. Sejamos sérios na análise, esta lei penaliza um veículo, pela má utilização de alguns proprietários, será isto certo? É o que vêm acontecer nas outras classes de veículos. Calcula-se que em Portugal existam mais de 12.000 autocaravanas, e quantas cruzam a fronteira (ou antes cruzavam, porque a maioria vai deixar de vir), é esse o número que vêm com mau comportamento junto ás praias? Quem comenta terá a noção que uma grande dos maus comportamentos é por veículos sem homologação e que com esta lei, vão poder continuar a fazer o mesmo, já que a lei incide sobre as autocaravanas? Aliás hoje em dia as autocaravanas pelos POOC, já não podiam pernoitar junto ás praias o que faltava era fiscalização?
Os autocaravanistas partilham à bastante tempo as preocupações ambientais, a autocaravana quando bem utilizada (tal como é feito pela maioria dos seus utilizadores), é um veículo amigo do ambiente, em que a energia elétrica utilizada provem de paneis solares (energia renovável portanto), em que um deposito de água de 100 litros dá para utilização por duas pessoas para 3/4 dias, estamos assim perante uma utilização frugal dos recursos naturais.
Alguns números relacionados com o autocaravanismo:
1. Calcula-se que existam em Portugal 12.000 ou mais autocaravanas, sem contar com os milhares que nos visitavam.
2. Até agora as áreas de serviço promovidas e inauguradas pelo Turismo de Portugal, têm uma lotação total inferior a 100 lugares. Ou seja primeiro proíbe-se depois cria-se alternativas.
3. Ou seja como é lógico de perceber se somarmos os lugares que sobram nos camping’s (muitos deles quase de lotação completa com residentes), que nem todos os lugares são adequados para as autocaravanas, mais as áreas de serviço, o número é manifestamente insuficiente para o parque de autocaravanas existente, se fosse estas as regras vigentes quando adquiri a autocaravana é óbvio que não a tinha adquirido.
Quero ainda deixar mais uns exemplos, para que compreendam melhor de que forma este novo artigo do Código da Estrada, nos impede uma utilização normal, do veículo autocaravana que somos proprietários e que não conseguimos ter:
1. Tenho que referir que tenho a autocaravana corretamente estacionada na via pública, junto ao domicilio. Num qualquer normal fim-de-semana, pensando em sair a uma sexta-feira e regressando num Domingo, se me atrasar, nos compromissos laborais, tenho de desistir do fim-de-semana, porque a partir das 21:00, estando no interior da autocaravana a arrumar o necessário para o fim-de-semana passo a estar em transgressão da alínea c) do nr. 2.
2. Se conseguir arrumar e sair antes das 21:00, tenho de fazer a viagem direta em relação ao destino planeado, lá chegado o que posso fazer se se encontrar com a lotação esgotada? Continuo a andar sem descanso, até encontrar um local autorizado e com lugares vagos? Ou volto para casa sem pausas de conduções e respetivo perigo causado por viagens sem pausa?
3. No Domingo, dia do regresso a casa, o que posso eu fazer se apanhar por exemplo um engarrafamento e chegar a casa depois das 21:00? É que assim que acabo de estacionar, e para não estar em infração, tenho de a abandonar de imediato, se não o fizer estou novamente em transgressão da alínea c) do nr. 2. Como faço para retirar os pertences necessários do interior? E retirar por exemplo os alimentos que sobraram e estão no frigorifico? Ao fazer isto estou em infração.
É difícil debater isto ignorando a ideologia e sem considerar a forma como um socialista no poder vê e interage com o mundo.
Eu prefiro a liberdade.
Um destes dias acenar-lhe-ei se nos cruzarmos. Aproveite e obrigado pelo comentário.
Ja estamos em agosto de 2022 .a lei ja foi alterada, ja se pode dormir na altocaravana, mas (kkkk) os sinais de transito,que proíbem a CIRCULAÇÃO das mesmas tripicou(no minimo), não só em estacionamentos, mas em estradas de unico acesso a praias, por exemplo,. Um camião, uma carrinha (identico a altocaravana) ou até um autocarro, pode circular, mas uma altocaravana ou roloute, não pode . Ok, mas a lei ainda prevê que as Autarquias disponibilizem zonas próprias para paragem( até 72 horas), com condições para as descargas de aguas e sólidos, e acesso a agua potável..mas não encontrei nem uma, e percorri grande parte da costa vicentina, toda a sinalização que encotrei, referente as autocaravanas,foi apenas de proibido circulação. É claro que as caravanas acabaram por se acomodar, no meio das vilas, onde ainda encontram alguns estacionamento disponivel e liberado, em frente as casas . Só um desabafo, depois de uma pequena e rara aventura do género. Ass. Dora F.
Boas.
Já chego tarde á “discussão” sobre o autocaravanismo,mesmo assim vou deixar o meu testemunho.
Primeiro,estou totalmente contra as autocaravanas aparcar junto ás praias,acho que neste caso deviam ser obrigados a sair,já dormir na autocaravana em viagem estou certo que não haverá policia que me possa multar,esplico:
Sou grande adepto de viajar pelo nosso Paìs de lés a lés,não tenho autocaravana,tenho uma carrinha Renault Kangoo que adaptei para dormir e guardar roupas para os dias que costumo passar fora,recentemente fiz a estrada EN2 são cerca de 750Km desde Chaves a Faro,decidi meter-me nessa louca e fascinante aventura,os gastos que tive foram”aoenas”combustivel porque á comida não se faz contas porque temos de comer todos os dias quer estejamos em casa quer não estejamos,logo,o meu dinheiro foi canalizado para compras em supermercados que como sabem encontramos um ao dobrar da esquina onde aproveitava para fazer as necessidades fisiologicas,banho era na estrada em locais mais tranquilos,tinha um jerrican de 50 litros com uma torneira onde adaptei um ralo de um regador de plástico e assim tomava o meu duche diário