![25158731_770x433_acf_cropped[1].jpg 25158731_770x433_acf_cropped[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2018/21254929_01yzk.jpeg)
Graça Fonseca, a recentíssima titular da pasta da Cultura, acaba de deixar bem claro, no México, o que pensa dos periódicos que por cá se publicam: «Uma coisa óptima de estar em Guadalajara é que não vejo jornais portugueses», disse sem pestanejar, como se vivêssemos num tempo anterior à generalização da Internet. Acontece que esta ministra – a terceira a assumir a pasta da Cultura em três anos de “geringonça” – tutela também a comunicação social pública, designadamente a RTP e a agência Lusa.
A frase que proferiu no estrangeiro, mais do que ser profundamente deselegante, roça o insulto à generalidade dos profissionais portugueses do sector. A cidadã Fonseca tem todo o direito de se vangloriar, alto e bom som, de prescindir da leitura dos jornais, instituídos do dever deontológico de escrutinar o poder político. Mas a ministra de uma democracia liberal como é a nossa devia abster-se destas declarações, próprias de alguém com um perfil inadequado às funções que desempenha.
Noutros tempos, com outros editorialistas, tais declarações mereceriam um coro indignado da classe jornalística. Ainda recordo as vergastadas que Cavaco Silva recebeu, enquanto primeiro-ministro, por dizer que não dispensava mais de cinco minutos diários à leitura dos jornais: anos depois ainda lhe cobravam o desaforo em letra de imprensa.
Vou esperar agora pelas reacções dos opinadores de turno nos diários e semanários que vão restando. Mas esperarei sentado, numa cadeira bem confortável: comer e calar, por estes dias, é a atitude corrente nas redacções. A ministra, que anda há vários anos na política e é muito próxima de António Costa, sabe isso melhor que ninguém. Hoje, no jornalismo de orelha murcha e rodinhas baixas que genericamente se pratica, o desaforo leva-se para casa.

Vinha eu botar sobre isto e antecipaste-te, e ainda bem porque o fizeste como eu não o faria e, para além disso, com a autoridade de seres profissional do ramo. As declarações são inaceitáveis. E o silêncio da corporação e dos apoiantes é uma vergonha.
Não faltará até quem subscreva, dentro da corporação. Transformando o dislate em sabedoria profunda.
com a autoridade de seres profissional do ramo
?!
Que eu saiba, o Pedro Correia já já uns bons anos que não exerce o jornalismo nem tem profissão nesse ramo.
Você é especialista em escrever sobre aquilo de que nada sabe. Não admira que o seu blogue tenha caducado por absoluta falta de leitores.
Pedro só agora, via email, reparei neste comentário do Lavoura e respondi-lhe sem ter lido a tua prévia resposta. Que tornara a minha resposta desnecessária. Mas, ainda assim, deixo-a estar.
Fazes muito bem.
Ó Lavoura você um dia ainda (se) há-de explicar porque raio optou por ter como regular ocupação acampar num blog (quiçá noutros também, mas desconheço) para comentar a generalidade dos postais com constante acinte, tantas vezes deselegante. Para quê? Ainda para mais quando diante de um blog sem uma agenda específica que o possa agravar (um colectivo benfiquista que o agrida como hipotético portista, um católico que você enfrentaria como iurdiano, um liberal que você, marxista-leninista feroz, fosse forçado a invectivar, por exemplos).
Este seu comentário é mesmo disso exemplo-mor. Desnecessário, deselegante, despropositado. E infundado. Eu referi algo que é pacífico, goste-se ou não do Pedro Correia (e você deve apreciar, visita diária, constante mesmo, do blog que ele coordena e anima): é um profissional com vasto currículo, apreciado, com trato plácido e elegante. Mais, se um jornalista, por opções próprias ou por constrangimentos laborais, interrompe a sua actividade jornalística não deixa, por isso, de merecer a qualificação de “profissional do ramo” – seja como conhecedor das questões que a actividade levanta, seja como dotado de uma particular sensibilidade sobre o que diz respeito ao exercício profissional.
E mais, até para aquilo que a si lhe deveria causar algum constrangimento (e até mesmo vergonha) enquanto constante leitor e comentador, o Pedro Correia está no activo, num jornal interessante no qual ele tem papel importante. Algo que, com raríssima elegância e discrição, ele não tem enfatizado – como lhe seria perfeitamente legítimo fazer – neste seu blog (porque é mesmo ele a “alma” do DO).
Mude lá de atitude, pá. Que isto só lhe fica mal.
Onde é que você vê o constante acinte, jpt? Eu por vezes elogio os posts, e na maior parte dos comentários não digo nada de mal.
Onde é que você vê um marxista-leninista? Eu nunca na vida fui marxista, muito menos leninista. Você anda a tomar drogas ou quê, jpt?
se um jornalista, por opções próprias ou por constrangimentos laborais, interrompe a sua actividade jornalística não deixa, por isso, de merecer a qualificação de “profissional do ramo”
Discordo totalmente. Se uma pessoa tinha uma profissão qualquer e muda para outra profissão qualquer, deixa de ser profissional da profissão original. É óbvio.
Que eu saiba (posso estar errado), o Pedro Correia foi jornalista até 2011 e nessa altura deixou de ser. Já não é. (E não tem nada de mal que tenha deixado de ser, porque os jornais hoje em dia são coisas bem pouco recomendáveis.)
Você insiste em falar daquilo que não sabe e em espalhar-se ao comprido com tanta bacorada.
Percebo cada vez melhor por que motivo o seu blogue deu o berro.
você não me parece bem pois não está a ler bem, e quando se treslê (propositadamente ou por incapacidade momentânea) isso é mau sinal – eu disse-o tanto marxista-leninista como portista ou iurdiano, é óbvio, e você lendo em bom estado de espírito entenderá isso, e não só óbvio como explícito, que eu dei como exemplos ilustrativos essas hipóteses que pudessem congregar a sua constantes atitudes antipáticas: “(um colectivo benfiquista que o agrida como hipotético portista, um católico que você enfrentaria como iurdiano, um liberal que você, marxista-leninista feroz, fosse forçado a invectivar, por exemplos)” – nem aqui mora um colectivo benfiquista, nem um aglomerado católico, nem um grupo liberal, tal como você não será (ou pelo menos não o explicita ser) portista, iurdiano ou marxista-leninista. Treslê e torce e eu só posso lamentar, pelo que isso denota.
Quanto ao resto, independentemente da sua opinião sobre o que é ou não é a condição de “profissional” de um qualquer ramo, há dois factos, com os quais termino a conversa sobre este seu triste comentário: 1) o que você julga saber sobre a actividade profissional do bloguista que você tanto visita está errado, isso é factual e bem que podia deixar de elaborar sobre o assunto; 2) independentemente – e isto é o fundamental – da condição profissional actual do bloguista que você tanto visita, o seu comentário é extremamente desagradável, de enorme azedume, com malevolência até. E o facto de você não perceber isso é bem sintomático da atitude perversa (quiçá desequilibrada mas com toda a certeza perversa) que o conduz nas interacções aqui.
Para mim este assunto acabou, o seu comentário inicial foi pérfido e desrespeitador de sensibilidades alheias e a sua réplica intelectualmente desonesta. E não vou dar mais azo a este seu despropósito.
O meu comentário foi
“Que eu saiba, o Pedro Correia já já uns bons anos que não exerce o jornalismo nem tem profissão nesse ramo.”
Você classifica este texto como “triste”, “desagradável”, “azedume” e “malevolência”. Eu de facto não vejo absolutamente nada de malevolente, de desagradável nem de azedo em dizer que uma pessoa já há alguns anos que não é jornalista (independentemente de quem seja essa pessoa e de ser ou não verdade que ela já não é jornalista). E certamente que eu não tinha qualquer má intenção nem quaisquer maus sentimentos quando escrevi o meu comentário.
Mas prontos. O jpt imagina coisas.
Três vezes seguidas a insistir na bacorada. De manhã à noite, em casa alheia, a falar sobre o que não sabe.
Disparando disparate atrás de disparate.
Por isso teve um blogue que entrou em colapso.
Caro Pedro Correia,
Os seus últimos parágrafos só dão razão às palavras da ministra:
“Vou esperar agora pelas reacções dos opinadores de turno nos diários e semanários que vão restando. Mas esperarei sentado,…”
Um abraço,
A Vaz Tomé
Sorte a dela, meu caro, não ser de Boliqueime. E os anos 90 já estarem tão distantes.
..por mim não faria a comparação.
O problema é que se olha os elencos de ministerios, e é tudo tão “poucochinho”..Dão dó!
Esta ministra então, uma “cronie” medrada em fretes ao chefe e amigos do chefe no Municipio do Costa, ainda é mais penosa de mirar quando foi uma ampla parte da “xuxa prensa” da capital que a andou a “vender” como ariete de renovado ‘zeitgeist”!
Na antiga União Soviética, já haveria extenso anedotário que deliciaria certamente um saudoso Ronald Reagan!
Jorg
A Ministra poderia ter acrescentado que também acha óptimo não ter nesses quatro dias que ler livros ou ver teatro, cinema ou televisão em Portugal. Esta pelos vistos tem perfil para tutelar a cultura portuguesa.
Parafraseando Costa, na frase em que apontou a porta de saída a João Soares, «nem à mesa do café os ministros podem deixar de se lembrar que são membros do Governo».
Mas que raio de jornalismo é esse?! G.F. nem se aproximou de uma mesa de café, e Costa nada disse sobre esplanadas…
Eheheh… Nem sobre tequila ou mariachis.
Enfim, GF e as palavras speedy gonzalez.
Acrescentaria ainda que fazer essas declarações depois da entrevista tão fofinha que lhe fizeram no Expresso, sem lhe terem feito uma única pergunta sobre a polémica que lançou no país, revela uma profunda ingratidão.
Isso não se faz. Ela é uma ingrata.
Tivesse nascido a “Menistra” em Boliqueime e o que a classe “coltural” não diria. O que vale é que a senhora não é uma reles aldeã que desvaloriza o conhecimento.
Já tivemos o cromo “vivam (liguem a luz) dentro das vossas possibilidades”, só falta mesmo um que defenda suspender a democracia 6 meses para completar a caderneta Todos Diferentes, Todos Iguais.
A “menistra”, ao que consta, não usa peúga branca. É quanto basta para ser superior ao tal das berças e receber tratamento vip nas folhas do reino.
Apreciei particularmente revisitar a memória da suspensão por um semestre 🙂
O Problema é mesmo esse: Todos Diferentes, todos iguais, raras serão as excepções…
Eu acho que a ministra Fonseca tem toda a razão. Sendo os jornais portugueses uma caca pegada, é bom não os ter à frente.
Ela tutela a RTP e a agência Lusa, mas nem uma coisa nem a outra são jornais.
Já cá faltava o “liberal” sempre pronto a socorrer socialistas.
Desta vez chegou algo atrasado.
Foi mais rapidinho na defesa da ex-ministra Constança pós-Pedrógão e do ex-ministro Lopes pós-Tancos.
As dobradiças devem estar enferrujadas. Não admira.
Esse Lavoura tem profissão conhecida, além de tapete ?
A.Vieira
Tapete não sei. Mas topete tem.
” instituídos do dever deontológico de escrutinar o poder político. “
Isso é uma tarefa que cabe aos cidadãos, até porque, e posso dizer isso porque não sou ministro, não são raras as situações em que esses mesmos jornais andam de mãos dadas com determinado poder político. Aliás, com a questão dos editorialistas o Pedro confirma isso…
Talvez a ministra tenha razão, quiçá 🙂
Não confundamos direito de cidadania com dever deontológico, meu caro.
O cidadão tem todo o direito de escrutinar o poder político.
Já os jornalistas têm esse dever, que lhe é imposto por um código deontológico. E cumprem o dever fazendo perguntas incómodas aos titulares do poder – não fazendo perguntas inúteis e fofinhas.
As declarações da ministra são ainda mais graves por se encontrar no México, em missão oficial, numa iniciativa de âmbito internacional destinada à promoção da leitura – o que inclui, obviamente, a leitura de jornais. De resto, como sabemos, muitos escritores, antes de publicarem livros, começaram por publicar textos em jornais. Vários deles, até, foram jornalistas.
Enfim: por menos que isto, andou o Cavaco a levar chibatadas da “inteligência nacional” anos a fio.
Os jornalistas têm o dever de relatar factos como eles são e sabemos Pedro, que cada vez mais, tal é uma miragem… E também sabemos que existem muitas formas de não fazer perguntas inúteis e fofinhas, mas de fazer perguntas agressivas e rudes no sentido de chegar a algo que por vezes não existe. O jornalismo que cada vez mais clama liberdade é também um dos que contribuiu para que essa mesma liberdade seja contestada… E por arrasto, vão também os bons jornalistas… Infelizmente.
Mas sim, a Ministra disse algo em público que, quando muito, poderia ser partilhado em privado e sim… Fosse Cavaco Silva e já os “esganiçados(as)” andariam por aí a debitar a sua baba raivosa nos… Jornais…
Se fosse com Cavaco, as esganiçadas e os esganiçados andavam rouc@s de tanto gritarem.
O facto de, no passado já muito distante, os media terem criticado injustamente Cavaco Silva, não justifica que agora os media devam criticar injustamente Graça Fonseca.
Os meida cometeram contra Cavaco Silva muitos erros (que aliás recentemente Miguel Esteves Cardoso reconheceu), que não devem ser repetidos.
Você não se cansa de passar tanto lustro aos botins dos governantes? Caramba, nem um serviçal se comporta assim.
Esta tipa até a função (oficial) inverte…
JSP
Vou dizer mais uma coisa politicamente incorreta – não me lembro de, alguma vez, ler ou ouvir, claramente visto, que os opinadores instalados, mais ou menos oficiais ou oficiosos, fazem parte do núcleo duro dos herdeiros privilegiados e ferozmente zelosos do 25 de Abril.
João de Brito
É politicamente correcto escrever “politicamente incorreto”.
Ou seja, a ministra até tem razão. Só não foi lá muito inteligente dar a entender a falta de respeito que os carteiros das redacções lhe merecem, sendo ela do grupo dos remetentes.
A ministra é, no fundo, uma cavaquista ‘après la lettre’.
Actualizou o velho conceito cavaquista, “não gastar mais de cinco minutos diários na leitura do jornal”, observando que os jornais não merecem sequer isso. É como aquele careca russo: avança, recuando.
Jornais portugueses, note-se. A imprensa estrangeira, começando pela mexicana, merece-lhe certamente leitura atenta.
Entretanto ficámos a saber que a titular da Cultura não dispõe de “telefone esperto” para uso oficial. Terá sido vítima das cativações do colega Centeno?
Noutra perspectiva:
A Ministra da Cultura foi ao encontro de outra cultura. Largou a cultura que tinha – para melhor absorver a local.
É, português que vai à Escócia come haggis e não morcela!
Até entendo a senhora. De facto, é uma valente chatice uma ministra arriscar-se a ler coisas como esta e a ter de se fingir preocupada…
https://www.cmjornal.pt/cultura/detalhe/o bra-desaparece-do-mosteiro-de-alcobaca?r ef=HP_Grupo1
Felizmente a Internet ainda não foi inventada e, portanto, a senhora ministra permanece em amena ignorância lá no México: m-guadalajara-ja-saberao-disto-10394517
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/e
Caro Pedro, de acordo com tudo o que é dito, mas antes dessas considerações há um facto importante: a ministra não está de férias … e enquanto for ministra não tem o direito de se alhear do que acontece quer no país, quer no mundo. Pode não ler jornais portugueses no papel, mas tem ampla informação nas versões digitais.
jcd
não tem o direito de se alhear do que acontece no país
Um texto (chamemos-lhe assim) qualquer aparecer num jornal pode ser considerado algo que acontece?
Todos os dias milhares de portugueses escrevem textos. Uns são publicados em jornais, outros em blogues, outros em redes sociais, etc etc etc. Uma ministra não tem o direito de se alhear desses textos todos? Lá por um texto (chamemos-lhe assim) aparecer publicado num jornal, a ministra tem que lhe dar atenção? Acha que a ministra não tem mais nada que fazer do que prestar atenção a tudo aquilo que dá na veneta a jornalistas (digamos assim) escrever?
Tenhamos tento. Os jornalistas são portugueses como os restantes. Nessa medida, são na sua imensa maior parte parvos. Uma ministra não tem que andar a prestar atenção a todas as parvoíces que parvos escrevem.
Chiça. Que capacho.
O lavoura deve estar a caminho de receber alguma posição “importante” na vara do costa….
A.Vieira
Nem mais.

Apresse-se, a Sr.ª jornalista Mª Flor e Sr. Nicolau já fizeram o caminho.
Todo o ser, por mais analfabeto que seja, sabe que há jornalistas que são “pela hora da nossa morte”…, mas , graças a Deus, há-os ainda com integridade e honradez!
-Ó Senhora Ministra, nunca se diz mal da prata da casa !!
Portugal é sempre o nosso orgulho! …
Raspa-se o verniz da “modernidade” e logo surge a velha arrogância de quem “manda”.
Tão antiga como o mundo.
Entretanto a ministra esclareceu as suas palavras dizendo “Não estava obviamente a criticar a comunicação social, mas a responder a uma pergunta sobre touradas”. Pelo que, supostamente, este post perde a sua razão de ser.
Outra vez o fiel escudeiro. Nunca falha.
Claro que não era uma crítica, todos com meio cérebro percebem.
Ela diz é que se está ca*ando (qual Ferro) para o povão analfabruto fala e que os jornais transmitem.
Ela é ministra da cultura, está acima da prole básica, quer lá saber de bois e bandarilhas.
Fora com a bruxa palha de aço. Scotch-brite ao poder !!!
Muito bem exposto, Pedro. Por muitas amargas e sinuosas que sejam as ruas que os nossos media frequentem, não é politica ou socialmente correcto a ministra do governo vigente que ocupa a pasta da cultura e tutela a comunicação, desdenhar por muito veladamente que fosse , do estado a que a sua tutelada comunicação pública e social chegou. É lamentável que um governo que fabrica abalos tectónicos de grandiosidade tal que produzem derrocadas lentas como o supracitado colapso, não se abstenha de cuspir para o ar…
A queda nem é a pior sina , desde que haja vontade, objectividade, integridade e inteligência para o reerguer.
Se esta senhora em vez de Graça se chamasse João já teria um belo par de patins debaixo das solas, Maria Dulce.
Deve ser a isto que alguns chamam “discriminação positiva”.