Quando a frota grega se aproximava de Tróia, fazia-o num movimento apenas perceptível aos ouvidos de Cassandra que via, como se fossem presentes, as noites futuras de cidade e o seu fim.
À filha de Príamo tinha sido dado o poder de predizer o futuro, porém o deus Apolo, senhor dos oráculos, despeitado com a recusa da princesa em aceitar as suas atenções, fez com que a palavra dela, ainda que participasse da verdade, não fosse persuasiva.
A adivinhação, entre os antigos, decorria de uma realidade estabelecida pelos oráculos e que não se fundava em acontecimentos previamente determinados, mas em visões míticas ou simbólicas. Essa realidade, que era afinal a aletheia, a verdade, não podia impor-se por si mesma porque carecia da organização dada pelo logos de modo a que se pudesse apresentar como um enunciado persuasivo e motriz.
Cassandra precede os momentos de catástrofe e deles fala sem poder ser ouvida. Todos os momentos de catástrofe iminente produzem Casssandras porque há uma verdade à espera de ser ordenada pelo poder persuasivo da palavra.
Eu diria, até, que há muitas verdades. E muitos graus de participação na verdade. E que nunca sabemos tudo.
Mas, se não pudermos evitar a entrada do cavalo de madeira na cidade, tentemos, ao menos, não nos deixarmos morrer no chão do palácio dos Atridas.

O cavalo de troika…
Qualquer semelhança é pura coincidência …
Não tem nada a ver (ou talvez tenha), mas gostava de pôr esta boa notícia algueres:
http://economiafinancas.com/2011/10/a-me lhor-noticia-do-ano-portugal-regista-exc ente-comercial-em-agosto-de-2011/