Paris sous l’ attaque. Do João Pedro Pimenta, n’ A Ágora.
La Palice. Do Luís Novaes Tito, n’ A Barbearia do Senhor Luís.
La nausée. De António Araújo, no Malomil.
A guerra explicada às criancinhas. De Vítor Cunha, no Blasfémias.
Paris. De Francisco Seixas da Costa, no Duas ou Três Coisas.
Medo. Da Cristina Nobre Soares, no Em Linha Recta.
Surrealismo… De Rita Carreira, n’ A Destreza das Dúvidas.
Popper e Cristo em Paris. De Pedro Norton, no Escrever é Triste.
Ser e fazer tudo aquilo que eles detestam. Da Daniela Major, no Aventar.
Carry on. Do Luís M. Jorge, na Vida Breve.

Em maré de citações, acrescento uma:
«Eloquence after Auschwitz would be a kind of obscenity», escreveu George Steiner num pequeno ensaio intitulado «The Long Life of the Metaphor: An Approach to the “Shoah”».
Para o velho professor, diante do Holocausto a única reacção apropriada era o silêncio, concebido como protesto moral e como metáfora contra a “minimização” pela linguagem já que qualquer tentativa de abordar ou interpretar a natureza do evento tropeçaria na ausência de uma “forma”, de um “estilo” ou de um “modo de articular” adequados à “expressão inteligível” dos factos. O resultado final do esforço empreendido, advertia, não poderia evitar a simplificação e, com ela, a profanação do retrato do horror.
Steiner estava certo. Confirma-o o ruído boçal destes dias em que ninguém – desde os mais altos dignitários (ou candidatos a tais) à habitual plêiade de eminências e “especialistas”, passando pelos “tudólogos” de serviço que afanosamente se vão sucedendo nos estúdios de televisão – se furta a emitir a sua prédica, a oferecer as suas ponderadíssimas razões, a estabelecer as mais inusitadas teorias causais. Uma tagarelice penosa que nem a sequência de rostos compungidos consegue manter aquém do limiar do bom gosto.
O rodopio mediático, mesmo quando convencido da sua pertinência, equivoca-se se julga contribuir para explicar coisa alguma. Paris, como Auschwitz, está para lá do que pode ser dito em linguagem humana.
E ontem como hoje a barbárie não requer eloquência. Requer, antes do mais, silêncio e pudor.
Excelente comentário. Os meus parabéns.