Ler em férias


Pedro Correia,

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O Sapo, muito simpaticamente, quis saber que livros levarei para estas férias e que leituras posso recomendar.

Respondi assim:

 

Este ano tracei como meta essencial ler autores portugueses – designadamente romances e novelas do século XX. Assim, na bagagem para férias levarei três livros que há muito constam da minha lista: A Casa Grande de Romarigães (Aquilino Ribeiro), A Torre da Barbela (Ruben A.) e Um Deus Passeando Pela Brisa da Tarde (Mário de Carvalho). Pena não encontrar em lado nenhum Trabalhos e Paixões de Benito Prada, de Fernando Assis Pacheco – há muito esgotado. Seria o quarto volume a incluir na bagagem.

Seguindo o mesmo raciocínio, recomendo três romances de autores portugueses editados pela primeira vez no século XX: A Cidade e as Serras, de Eça de Queiroz, Sinais de Fogo, de Jorge de Sena, e Hotel Lusitano, de Rui Zink. Cada qual a seu modo, são três livros em que o tema férias está presente. Férias no campo, com Eça. Férias na praia, com Sena. Férias em Lisboa, com Zink. Três formas de ver Portugal. E de aproveitar muito bem o tempo.

40 comentários em “Ler em férias”

    1. Começam este fim de semana, embora já tenha tido duas pausas mais curtas. De leituras não faço férias: este meu plano centrado em romances e novelas de autores portugueses do século passado já me levou a ler (ou reler) 15 livros. Outros tantos me aguardam.
      Por aqui irei dando nota dessas leituras. No final estarei enfim habilitado a elaborar a lista dos dez melhores romances portugueses do século XX.

      1. “…No final estarei enfim habilitado a elaborar a lista dos dez melhores romances portugueses do século XX.”

        Na sua muito clarividente opinião claro.

        Carlos C.

          1. Como não tenho o hábito de ler seria incapaz de tão árdua tarefa.

            Carlos C.

          2. O tempo que perderia a ler disponho a observar discretamente. É uma forma de aprender. Deveria experimentar; ser discreto.

  1. Excelentes opções. Não li o livro de Ruben A.
    O de Assis Pacheco, li quando saiu e é um dos livros que quero reler: “Os trabalhos e as paixões de Benito Prada” só o título é todo um programa.
    Boas leituras.

    1. De Ruben conheço ‘O Mundo à Minha Procura’, obra-prima (em três volumes) que li dum fôlego.
      Tive ‘A Torre da Barbela’ mas “mão amiga” fez o favor de me desviar esse livro, que deixei por ler. Este ano decidi-me a comprar enfim a mais recente edição, com chancela Assírio & Alvim, na Feira do Livro.
      Vai ser desta.

      Como diz, só o título do romance de Assis Pacheco (único que publicou) é já todo um programa.

  2. Permita-me sugerir onde pode encontrar Trabalhos e Paixões de Benito Prada, talvez ainda a tempo de o levar também de férias: na rede de Bibliotecas de Lisboa (BLX), de onde pode levar livros de forma gratuita, e guardá-los até 6 semanas (tem que renovar a cada 2 semanas, e se o entregar depois do prazo, fica inibido de requisitar outro livro pelo número de dias do incumprimento do mesmo). É muito simples, prático e barato. Só tem que fazer um cartão, também gratuito, e pode fazer muita coisa pela net. Mas as bibliotecas são espaços muito agradáveis, até para ficar a ler revistas ou jornais, também disponibilizados. Este livro em concreto, está disponível, neste momento, nas bibliotecas do Palácio Galveias, Penha de França, São Lázaro, Marvila, Camões, Coruchéus e até no Quiosque do Jardim das Amoreiras.
    Eu uso-as imenso, e adoro!

    Filipa

    1. Muito lhe agradeço, Filipa.

      Estará nos meus planos em último caso. De resto, conheço o Palácio Galveias desde os meus tempos de estudante universitário – sempre foi um local do meu agrado. E saber que foi ali que o José Saramago fez grande parte da sua aprendizagem enquanto esforçado e meritório autodidacta ainda mais valoriza essa biblioteca municipal.
      Utilizo a expressão “em último caso” porque gosto de sublinhar os livros e de ir fazendo breves anotações de leitura nas páginas que vou lendo. Ficam como auxiliar de memória para consultas futuras e para me facilitar a tarefa caso pretenda escrever sobre eles.
      ‘Os Maias’, ‘Os Lusíadas’, a própria Bíblia: três exemplos de livros que tenho em casa, totalmente anotados.
      O que me permitiu escrever aqui no DELITO textos como estes:
      https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/grandes-romances-25-10438112
      https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/o-gloria-de-mandar-o-va-cobica-9317757
      https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/1126413.html

      Irei seguir a sua sugestão não tenha mesmo acesso ao livro de Assis Pacheco – intriga-me, confesso, estar há tanto tempo fora do mercado editorial. E quero até registar-me como leitor na biblioteca dos Coruchéus, bem perto da minha casa.

      Obrigado, novamente.

  3. E eu a pensar que desta é que era, finalmente lá vinha a leitura do “Eu Bruno” e que só estava à espera de tempo aprazível para lhe dedicar toda a boa vontade literária sem nada a desviar-lhe a atenção para horizontes de somenos importância, e afinal, não. Ainda não é desta.

      1. Oh diabo! Pedro.
        Isso defrauda as minhas melhores expectativas.
        Estava mesmo a pensar oferecer-lhe livros meus, e o Pedro, implacável, condena a escrita lampiónica.
        Então se lhe enviar mail a pedir-lhe uma direcção para envio, o Pedro vai recusar?
        Pode fazer assim: abjura da religião, aceita, lê e depois volta a professar a religião impeditiva de leituras lampiónicas.
        Mais ou menos ao jeito da irrevogabilidade do Paulo Portas.

        1. Agradeço a oferta, mas recuso-a com as minhas saudações desportivas.
          Fará melhor em endereçá-la ao destituído e exonerado presidente do Sporting, pessoa que já demonstrou ter imenso apreço por livros com autoria de benfiquistas.

    1. Muito obrigado pela dica. Encomendei pela Bertrand: dizem-me que no prazo máximo de 15 dias me avisarão se ainda têm algum exemplar de sobra.

      Hei-de acabar por encontrar este romance (que já procurei, em vão, na Feira do Livro, no pavilhão da Assírio & Alvim e até nos alfarrabistas) nem que seja no mercado em segunda mão.

      Continua a intrigar-me por que raio este “Trabalhos e Paixões de Betino Prada” permanece fora do alcance do público. Se alguém souber esclarecer-me – eventualmente até algum familiar do escritor – ficarei muito agradecido.

    1. Agradeço, meu caro, mas para já ficam fora dos meus planos.

      Somos submergidos a toda a hora por letras, imagens e sons dos EUA. Basta ver isto: outros internautas que responderam ao mesmo inquérito do Sapo já só invocam autores norte-americanos. Como se não houvesse língua portuguesa, cultura portuguesa, tradições portuguesas.

      Eu remo na direcção contrária. Com vontade e gosto.

  4. Tem aqui um Benito Prada à venda por 2 euros

    https://www.facebook.com/Leiloamos.Leiloeira/photos/ms.c.eJxFlNmRA0EIQzPaam7IP7EtI1v8vhJC0MxozZMQj8pMsfnTL2iAJMg3M15KUFDUD0S5mdY4QW9JPoKBgh4JD6FHvS3xJpAtaXoUkj4mLXi880CXS9oKxQEHoGkjejL6yEfxxghmQQdBbVKVL1CRBcyhYltSp9joL4cAbc0J5uNhQ4UqQBLAI06RAE3QACwxePQBlHDJamhbNHXdYO8ASqwPoEQJMMvjLLFPacmScHg8Asyi7IL7SN6Hpi9o7jQDgLPggh4vSCu2rduBVdws1VAwR9sCCwK0TZr2Z6cx9wxdKOHbDkqCJYMFqR5Yj~_Y~_pgB~_JfaQQ4LAAZwAHtUHoPh1MXEoHoECnMI2KZ~;SVFaRRrCvn3wX0w2mw2B7hTG8QjMDEALkCOZw5HDm8B1Oi8N5ADAHbkwvemyw4OdhgbZ8BguHgjuNPW29pDipuK0Xxhe2TeSIA9i6cGOF4YTDFZLecPgHxUXv~;RrU~_h~;3HBu9.bps.a.2790151407666144/2790152460999372/?type=3&theater

      1. Para os três meses de verão: Vergílio Ferreira, Promessa; Rentes de Carvalho, La Coca; Conrad, Lorde Jim; Camus, O Mito de Sísifo (releitura); Tolstoi, Anna Karenina.

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