Ler (9)


Pedro Correia,

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Ando desde os dias de pesadelo da pandemia, em 2020, a elaborar a lista dos melhores romances universais do século XX, ano por ano. Projecto que alimentei também para funcionar como orientação para as minhas leituras. 

Tenho praticamente todos os anos preenchidos, como numa caderneta de cromos. Faltam-me dois: 1980 e 1991. Lacunas que ficarão colmatadas muito em breve.

Queria partilhar isto convosco: pode ser que funcione como incentivo para mais alguém. 

 

Mas um empreendimento destes tropeça numa dificuldade adicional: há vários anos de escolha tão farta, entre obras de inegável qualidade, que se torna muito difícil escolher apenas uma.

Apetece incluir várias, o que subverteria a regra principal deste jogo.

 

Basta mencionar três casos: 1925, 1929 e 1940.

O primeiro é o ano de obras-primas como O Processo, de Franz Kafka, Mrs. Dalloway, de Virginia  Woolf, e O Grande Gatsby, de Scott Fitzgerald.

O segundo ficou assinalado por narrativas tão marcantes como O Adeus às Armas, de Ernest Hemingway, A Oeste Nada de Novo, de Erich Maria Remarque, e O Som e a Fúria, de William Faulkner.

Em 1940 surgiram O Poder e a Glória, de Graham Greene, O Zero e o Infinito, de Arthur Koestler, e Quando os Sinos Dobram, de Hemingway.

 

Menciono estes três casos para se perceber que há quase sempre várias opções: raro é o ano em que existe uma escolha indiscutível.

O que torna esta espécie de passatempo mais difícil. Mas também mais aliciante.

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12 comentários em “Ler (9)”

  1. Tão bom ver aqui autores que gosto e cujos livros li. Erich Maria Remarque, descobri ao mesmo tempo que “Seven Hassel”, não sei se conhece, recomendo, nas mesma proporção que recomendaria todos os outros.
    Excelente partilha, muito obrigada. Bom domingo.

    1. Obrigado eu, Romi.
      Gosto de todos os livros de Remarque. Sobretudo deste e também de ‘Tempo Para Amar e Tempo Para Morrer’ e ‘A Centelha de Vida’ (este com tradução de Saramago).
      Para quem desconheça a obra deste grande romancista alemão (1898-1970), recomendo a última novela dele, intitulada ‘Uma Noite em Lisboa’. Logo pelo título se percebe que é quase uma obra portuguesa também.

      1. Acho que li e tenho todos os livros de Remarque, os que foram publicados na extinta “Europa- América” publicações. Acrescento a essa lista: “O Céu Não Tem Favoritos”, “Três Camaradas”, “Desenraizados”, etc.. Quando gosto de um escritor, sou assim.
        Vou ficar atenta às suas publicações.

    1. Agradeço, Marina.
      Mas confesso que estou a fazer duas séries.
      Uma com literatura universal, outra só com autores portugueses.
      Sendo a primeira bastante mais fácil de preencher do que a segunda, sobretudo entre 1901 e 1925.

  2. Saramago é literatura universal…entra nas duas categorias.

    o nome da rosa , publicado em 80 . pena não ser em 81 o que falta ..crónica de uma morte anunciada.

    1. Sim, em Portugal tivemos no século XX alguns “autores universais”. E já nem falo em Pessoa, que nunca escreveu um romance. Mas nessa categoria podemos incluir Eça (embora tendo falecido em 1900 houve vários livros inéditos dele editados há menos de cem anos), Ferreira de Castro (sobretudo com esse monumento que é ‘A Selva’, de 1930) e Saramago.

      1. espero que não inclua “a montanha mágica” porque é um pincel -:) comecei a ler , muita palha , passei a ler na diagonal , uma única personagem cativante , o italiano. vou morrer sem perceber porque acham o livro tãoo bom. será por ser aborrecido ?
        o mesmo me aconteceu com o Ulisses , nem consegui acabar , coisa rara em mim.

        o psicopata americano também é de 80., mas já sei que não gostou. não se esqueça do martin amis , money , money.

        1. ‘A Montanha Mágica’ é uma das maiores chatices que já me passaram pelas mãos.
          Demorei anos a ler isso. Só consegui aldrabando um pouco, acelerando dezenas de páginas sem o menor interesse – só conversa oca, sem mais nada.
          Às tantas, lia 10 páginas por dia. Assim consegui chegar ao fim após uns anos. É um livro que demora 500 ou 600 páginas a debitar o que podia ser dito em apenas 200.

  3. O Pedro Correia menciona neste post nove obras e oito delas são de literatura inglesa ou americana. Dá ideia que para o Pedro Correia (quase) só existe literatura nessa língua.

    1. Você é péssimo em contas. E chumba a literatura.
      Onde raio foi buscar essa tese de que oito destes nove romances foram escritos em inglês?
      Kafka, Koestler e Remarque escreveram em alemão as obras que menciono.

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