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Pedro Correia,

Crimeia: o precedente do Kosovo. Do Paulo Gorjão, na Bloguítica.

Sobre como não convencer os portugueses. De Luís Miguel Rosa, n’ Um Blog Fashionável.

O fim da cadeia alimentar. De Rui Albuquerque, no Blasfémias.

Precisamente por isso. de Miguel Botelho Moniz, n’ O Insurgente.

Há dinheiro. Do Mr. Brown, n’ Os Comediantes.

Medeiros Ferreira, um homem da liberdade e do futuro. Do João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.

Escrita íntima. De Sofia Loureiro dos Santos, no Defender o Quadrado.

Aqueles velhos rijos. De Nuno Gonçalo Poças, no Estado Sentido.

Pai há 5 anos. Do Luís Aguiar-Conraria, n’ A Destreza das Dúvidas.

Hipóteses de futuro. Do Rui Bebiano, n’ A Terceira Noite.

Prefácio para a Copa. Da Helena Ferro de Gouveia, no És a nossa Fé.

4 comentários em “Ler”

  1. Caro Pedro Correia,
    Leitor atento dos seus posts, dos quais gosto muito e quase sempre de acordo, acabo sempre a discordar nesta “guerra” da Crimeia. A hipocrisia é muita e de ambos os lados.
    A Crimeia, historicamente, nunca foi da Ucrânia. Genovesa, Veneziana, Turca e Russa, sim.
    O Kosovo é o coração da Sérvia.
    A situação de uma e de outra não são comparáveis.
    Se comparações pudessem haver seria com o Texas.
    A hipocrisia é daqueles que não reconhecem ao inimigo o direito a defender os seus interesses estratégicos quando estão sempre dispostos a invocá-los quando o cerco lhes bate à porta.
    Ainda me lembro do Sudão, e os 13 mísseis sobre uma fábrica. Treze mísseis sobre aquele imenso país sem direito a carpideiras.
    Não reconheço em Putin o estadista ideal, como não reconheço em Kiev um governo legítimo. Mas reconheço a ambos o direito de se defenderem.
    Eu, se por acaso do destino ou ironia da reencarnação, me visse sentado no Kremlin, jamais deixaria a NATO aproximar-se da planície central europeia. A importância da Ucrânia na invasão da Rússia por Hitler foi vital. Não foi há muito. É disto que estamos a discutir. Que o nosso inimigo possa usar das mesmas armas que nós costumamos usar. Fora disto é só hipocrisia!

    1. Meu caro:

      A Crimeia, no primeiro censo realizado no século XX, tinha ainda maioria de população tártara. Esta população foi alvo das maiores atrocidades – incluindo deportações em massa que em muito se assemelharam às dos judeus feitas pela Alemanha nazi.
      Ou seja: primeiro expulsam-se os habitantes autóctones; depois proclama-se o princípio da soberania com base num critério etno-racial, que nos faz retroceder alguns séculos. Um pouco como aquele indivíduo que matou os pais e procurou depois invocar como atenuante em tribunal a sua condição de órfão.
      É uma mistificação histórica, e uma inaceitável manipulação, fazer o que Putin faz: justificar a anexação da Crimeia para fazer coincidir poder do estado com nacionalidade, à semelhança do que sucedia no século XIX. Não poupemos nas palavras: estamos perante um claro retrocesso civilizacional.
      Neste caso há um agressor e um agredido. O agredido é o estado ucraniano. O agressor é Putin, que procura legitimar-se politicamente perante a opinião interna com este anacrónico exercício de musculatura.
      Confundir agressor com agredido é abrir todas as portas (e todas as janelas) à pura arbitrariedade, condenando o direito internacional a tornar-se letra morta.
      É por este “novo mundo” que pugnamos? A minha resposta é não.
      Se começamos a invocar tudo em nome dos sacrossantos “interesses estratégicos” – que são sempre interpretados à luz da conveniência de quem agride – acabaremos por justificar (é só um exemplo) a anexação de Cuba pelos Estados Unidos, cujos “interesses estratégicos” não toleram um regime hostil a escassos 150km de distância da sua costa.
      O paralelo não é descabido pois os EUA até têm uma base militar em território cubano (Guantánamo) tal como a Rússia tinha uma base em território ucraniano (Sebastopol). Basta partir da base… para o topo.

      1. A história das atrocidades cometidas naquelas regiões do globo dariam para encher uma biblioteca. Não faço a apologia do regime de Putin. Limitei-me a realçar toda a hipocrisia que está por detrás de toda esta movimentação a começar pelo golpe que foi feito à margem da lei e da democracia pelos revoltosos de Kiev. E a argumentar em favor do direito da Rússia (não de Putin) em defender-se de um cerco da NATO não se sabe em nome de quê.
        A questão da Crimeia não se esgota nas deportações. De facto aquela região foi, depois de andar de mão em mão (os Tártaros também foram invasores), russa e nunca ucraniana até que a ofereceram à Ucrânia há cinquenta anos. Essa oferta é também lesiva dos interesses das populações da região, Tártaros ou outros que fossem. Apesar de todo despotismo de Putin é difícil, senão impossível, com critérios justos, argumentar contra a anexação da Crimeia pela Rússia em detrimento da Ucrânia, uma vez que para além de um presente russo, este país nada tem a ver com aquela região. A não ser que os Ucranianos sejam tártaros!

        1. Meu caro, a Rússia tem todo o direito de se defender de todos os cercos, reais ou imaginários. E os outros países não terão por sua vez o direito de se defenderem do cerco russo? Ou afinal acabamos por conceder validade à chamada lei do mais forte, em nome de um darwinismo social transposto para as relações internacionais, abdicando por completo do primado da legalidade?
          A questão essencial para mim é esta. Se concedemos à Rússia o direito a abocanhar uma parte da Ucrânia, à revelia do direito internacional, por que motivo a Hungria e a Polónia não abocanharão também parcelas da Ucrania ocidental que já fizeram parte dos seus territórios? E porque não há-de a Alemanha fazer o mesmo à Polónia? E a França não terá direito a ficar com a Valónia? E o que espera a Áustria para reaver o Tirol do Sul, agora em posse da Itália? E o que espera a Grécia para tomar à Trácia à Turquia?
          Já viu onde essa lógica de ‘apaziguamento’ russo – semelhante à que foi usada por Chamberlain e Daladier em Munique, em Setembro de 1938 – poderá conduzir a Europa?

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