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Pedro Correia,

Rodrigo Adão da Fonseca: «Cavaco Silva, o presidente que gosta de gerir os silêncios, abriu a boca. Assim de repente, não percebi mesmo o que é que queria dizer-nos. Acho que nisso estou bem acompanhado.»

 

Mr. Brown: «Se bem entendi e apesar de algumas zonas cinzentas, que não podiam deixar de existir, posso ser tentado a gostar da posição de Cavaco Silva. Deixo de gostar a partir do momento em que seja a antecâmara para um governo de iniciativa presidencial liderado por uma personalidade escolhida pelo próprio presidente.»

 

Bruno Sena Martins: «Cavaco acaba de empossar uma nova forma de poder pastoral: a hiper-estabilidade. Trata-se de um desejo tão intenso de estabilidade que cria as condições de uma instabilidade duradoura. Trata-se de um medo tão intenso da escolha popular que elege o populismo de um consenso inverosímil.»

 

Paulo Gorjão: «Não tem sentido o Presidente recusar a remodelação ao mesmo tempo que sinaliza eleições legislativas para 2014. (…). As duas coisas é meio caminho andado para o reacender da crise política se o Governo reagir e, naturalmente, tem toda a legitimidade para o fazer. Crise política essa que lhe pode rebentar nas mãos, passando ele próprio a ser um factor de instabilidade.»

 

Bruno Alves: «Depois da sua inacreditável declaração de hoje, fica mais do que claro que o Presidente da República não faz a mínima ideia do que se está a passar, e muito menos do grave problema que acabou de criar.»

 

Vital Moreira: «Com que convicção e autoridade é que Passos & Portas podem governar, com a corda ao pescoço, condenados ao açougue eleitoral a curto prazo?»

 

João Lamy da Fontoura: «Xeque a toda a gente numa única jogada e a criação de uma nova figura jurídico-constitucional: a dissolução da Assembleia da República sujeita a termo suspensivo incerto. O que seria se o Presidente não tivesse uma interpretação supostamente minimalista dos seus poderes?»

 

João Lisboa: «A campanha eleitoral, que hoje se inicia, não vai condicionar um bocadinho a salvação da pátria?»

 

(actualizado)

12 comentários em “Ler”

  1. Basicamente, o que se disse e já era previsível, foi:««Apesar da palhaçada que se passou, não estamos em condições de acrescentar uma palhaçada política a a uma palhaçada económica, pelo que o circo vai continuar ».

  2. Isto basicamente prova que a natureza política do povo português tem pouco a ver com democracia sólida, o que não provém da natureza do povo em si, mas da natureza pouco rigorosa do sistema político que foi instituído em Portugal e que se prova agora ser um colete de forças sufocante: ninguém tem soluções. Porquê? Porque nenhuma da inteligência política em que desgraçadamente temos de votar sabe fazer dinheiro; apenas sabem gastá-lo. E gastá-lo para todo o sempre.

  3. Se percebi bem, Cavaco calçou um par de patins quer a Passos Coelho, quer a Paulo Portas, e disse que ia convocar eleições no outono de 2014, e que para acabar de cumprir o memorando e preparar essas eleições quer um governo apoiado pelos três partidos, chamando-lhe, e repetiu, de “salvação nacional” ou seja, controlado por ele.
    Há muito quem diga que Cavaco é avesso a este tipo de solução, mas eu acho que ele desde junho de 2011 que não pensa noutra coisa.
    Também penso que a irresponsabilidade é o máximo denominador comum da “fauna de Lesboa”, que inclui politicos, jornalistas, comentadores da tv, fazedores de opinião, politologos, etc etc. Para quem já se esqueceu onde é que estamos metidos, façam o favor de olhar para o que se está a passar na Grécia, que anda tão silenciado nos media portugueses…

  4. Uma coisa é mais que certa. Os tristes partidos políticos a que temos direito há muito se deviam ter entendido para encurtar radicalmente os prazos dos processos eleitorais. Entre convocar eleições e haver um governo vai uma eternidade.

    E passávamos lindamente sem campanhas com comícios, arruadas, bombos, cartazes, pendões, outdoors, bandeirinhas, o raio.

    1. Absolutamente. Campanhas eleitorais de 3 meses além de absurdo só serve para distribuir lugares, promessas e potenciar a corrupção. Aliás, a ideia de um comício é uma coisa bastante sub-desenvolvida. Nada impede que não se possa votar ao fim de uma semana depois de cair um governo.

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