Há alguns que ao chegarem perto do fim conseguem ver tudo mais claro. A idade tem os seus demónios e é cada vez mais prescindível nos tempos correntes; pode, no entanto, trazer uma lucidez impossível antes de muita água passar debaixo as pontes. Só é pena aprendermos tão pouco com estas coisas que já foram ditas tantas vezes, quer com a constatação tardia de Léo Ferré: “Avec le temps / va tout s’en va // et l’on se sent floué par les années / perdues”, quer com a conclusão a que chegou Johnny Cash, quando gravou a sua última canção, “Hurt”, meses antes da sua morte: “And you could have it all, / My empire of dirt, / I will let you down, / I will make you hurt”.
Se tiver coragem para enfrentar a realidade, que não é o vendaval de ninharias com que perdemos tempo, pode ouvir.

Duas obras primas da canção de todos os tempos. ‘Avec le Temps’ já por cá passou: foi uma das primeiras ‘canções do século’. ‘Hurt’ há-de aparecer. Não podia faltar.
Gostei de voltar a ouvi-las, Zé. Nunca é de mais ouvir o que é (muito) bom.
Só uma nota: a Hurt não é um original do Mr. Cash. É dos Nine Inch Nails.
Obrigado pela correção.
Maravilhosos, ambos, embora eu tenha um fraquinho pelo Ferré. “Avec le temps” é uma canção imortal, com um poema belíssimo.