
«Há em Camões, e não tem sido notado, uma tolerância infinita, um sentido da liberdade erótica, uma consciência da dignidade última do prazer sensual qualquer que ele seja, que quase não tem par na literatura portuguesa.»
Jorge de Sena, Amor (1992), p. 66
Ed. Guerra & Paz, 2023

Um ponto de vista original e assertivo. E não estudámos Camões por tal prisma; teria de o reler para confirmar. Acontece que sou crédula em relação ao escrito por Sena. Parece-me um ser de cultura invulgar e algumas dificuldades pessoais em aceitar a realidade. Mas também julgo que os portugueses têm um bocadinho do Sena pessoa. Ou será antes, todos os homens? Ainda não pensei nisso.
Todos os homens? Não creio. Sou incapaz de imaginar, por exemplo, o engenheiro Guterres ser assim.
Não acha que o Guterres pessoa possa ter, como toda a gente, algumas dificuldades em aceitar a realidade (leia-se os homens) tal como ela se mostra?! Parece-me factor comum de todos, e que uns driblam melhor que outros. Sena queixou-se imenso, repassou a sua mágoa de escárnio e maldizer, de revolta por um país que amou sempre e o destratou ou ignorou. E talvez que, em parte por isso mesmo, tenhamos poemas e romances de grande qualidade (e digo-o não sendo sua leitora assídua). Mas cada um vive a realidade com interpretação própria. E também nisso nos diferenciamos uns dos outros.
Bom domingo
Bom domingo para si também, Bea.
Mas já o omnipresente dr. Costa tudo abarca,Camões,Guterres,política,economia,l iteratura,leis,
esquerdas unas e frentistas,Dantas e talvez Almada 1-Negreiros 0.
As nossas vidas em suma e sumo de imposto.
Reler carta-aberta de Sena ao Ministro dos negócios Estrangeiros do país e do PS.