«Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.»
Jesus Cristo, no Evangelho Segundo São Marcos XII, 17
18 comentários em “Leituras”
Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, não lhe negues também a túnica. (Lucas 6:29). São os dois textos mais revolucionários do cristianismo. Aqueles que impedem que o cristianismo possa ser uma teocracia. Com o Antigo Testamento, podia-se governar, impor a autoridade e aplicar justiça. Com estes dois preceitos, já não.
No início, Pontífice, Rei e Juiz, coincidiam na mesma pessoa. No Sacro-Império o Rei já não era Pontífice, nem sequer sacerdote. O seu poder era imperial, não religioso. Acreditava-se que a origem do seu poder imperial provinha de Deus, por isso imperadores e reis eram ungidos.Mas Carlos Magno instruía os jardineiros dos seus palácios sobre as flores e arbustos que queria presentes, não instruía os seus súbditos sobre as Missas e procissões a que deviam assistir. É certo que houve desvios pontuais, mais até do lado dos Papas que, esses sim, acumulavam os dois poderes, temporal e espiritual. Mas não se pode dizer que o Sacro-Império era uma teocracia. Compare-se com o moderno Irão.
No Sacro-Império o Rei já não era Pontífice, nem sequer sacerdote. O seu poder era imperial, não religioso. Acreditava-se que a origem do seu poder imperial provinha de Deus […] Compare-se com o moderno Irão.
No moderno Irão o presidente e o primeiro-ministro não são sacerdotes ou clérigos. O seu poder é temporal, não é religioso. Ninguém afirma que esse poder tenha origem em Deus.
O moderno Irão será talvez uma teocracia, mas não o é certamente por nenhum desses motivos.
(O que vale para o Irão vale também para a Arábia Saudita. O rei Salman não é um clérigo, não tem qualquer poder religioso, nem ninguém tem qualquer pretensão de que ele seja rei por vontade de Deus.)
O único país muçulmano (que eu saiba) no qual o poder temporal tem algum fundamento religioso é Marrocos, uma vez que o rei desse país se afirma descendente de Maomé e “líder dos crentes”.
O presidente e o primeiro-ministro não são religiosos mas apenas têm um poder delegado e limitado. O verdadeiro poder são os “ayatollahs”. Não foi nem um presidente nem um primeiro ministro que os serviços secretos e a diplomacia francesa com financiamento da Total instalaram em Teerão mas sim o “ayatollah” Khomeini. Ainda hoje, o “ayatollah” Khamenei usa o título de líder supremo do Irão. Outro motivos existem quer na legislação quer quer nos costumes quer na execução de ímpios – por exemplo, enforcamento de homossexuais – quer, talvez sobretudo, na existência de uma Polícia Religiosa que actua sem controlo judicial cívil. Não vejo a que propósito chama à colação a casa de Saud ou o rei de Marrocos. Mas, entre os dois, a casa de Saud está mais ligada à religião pois a sua “raison d’être” é a protecção da peregrinação a Meca, que, ainda hoje tem substrato real, enquanto o título de “Líder dos Crentes” não tem qualquer conteúdo prático. E a descendência de Maomé, é partilhada por inúmeros líderes muçulmanos, desde o Aga Khan a qualquer “ayatollah” que, por isso, usa o turbante negro. Por esse critério, a Grã-Bretanha seria uma teocracia. De facto o soberano tem o título de Defensor da Fé (Anglicana) e até é restritiva e sectária, pois um católico não pode ser soberano.
Como habitualmente temos o balio a defender o regime dos Ayatollahs. O Líder Supremo do Irão é sempre um Religioso. No presente é Ali Khamenei. Está cima do presidente e do governo e tem o poder sobre todos os orgãos do regime.
Na Constituição até está estabelecido como missão controlar o mundo: …intends to establish an ideal and model society on the basis of Islamic norms. … the Constitution provides the necessary basis for ensuring the continuation of the Revolution at home and abroad. In particular, in the development of international relations, the Constitution will strive with other Islamic and popular movements to prepare the way for the formation of a single world community (in accordance with the Koranic verse ‘This your community is a single community, and I am your Lord, so worship Me’ [21:92]), and to assure the continuation of the struggle for the liberation of all deprived and oppressed peoples in the world.[41] in Wikipedia
O meu argumento é o seguinte a Igreja sobreviveu porque embora não tivesse o poder directo tinha o poder de legitimar César e de influenciar César. Esse seu poder manteve a sua existência relevante num contexto em que a tecnologia tinha uma evolução limitada. Perdendo esse poder de legitimar César e de influenciar César não digo que regresse ás catacumbas mas não é o mesmo.
A Igreja sobreviveu porque Cristo assim o assegurou. Cristo não garantiu a eternidade a príncipes ou nações mas garantiu-a à Sua Igreja.. Perdido o poder directo, a Igreja manteve influência porque as pessoas, príncipes incluídos, eram devotos. Não sei, nunca pensei nisso nessa perspectiva, se a diminuição da devoção se deve à evolução técnica. Dito isto, deixo-lhe a minha perspectiva pessoal. O poder é afrodisíaco. É a maior pulsão conhecida. Mesmo crimes como violações, prepotências por abuso de poder políticos e chefias, etc., têm muitas vezes por motivo o desejo de dominar, no fundo um exercício perverso de poder. Ora a Igreja, pode ser referida como o Corpo Místico de Cristo, como o conjunto de todos os crentes, bispos, presbíteros e fiéis mas também como organização eclesial, uma organização de homens e gerida por homens. E homens também sujeitos à pulsão do poder. Nos tempos em que o poder era o príncipe, lutava-se pelo cargo de confessor. Quando o poder foram os partidos políticos, a experiência triunfante da Democracia Cristã em Itália, inspirou tentativas de réplicas. Quando o poder foram os sindicatos, vimos S. João Paulo II a abraçar Lula no Brasil e Lech Walesa na Polónia. Hoje o poder é difuso mas tem forte componente na rua – onde manifestações, objectivamente ultra-minoritárias, obtém resultados que superam os eleitorais – vimos S. João Paulo II e Francisco em banhos de multidão e o último a trazer para a praça pública a questão da pedofilia a abusos sexuais que, alterada a Lei Canónica (hoje bem mais proactiva do que a lei civil), estava a ser activamente tratada em cada bispado, desde Bento XVI. Será um percurso longo e difícil mas hoje já muito melhor do que quando o poder se concentrava na Cúria e dois terços dos cardeais eram italianos, boa parte das mesmas famílias que produziam cardeais desde a idade média. Hoje, económica e demograficamente, a Europa está em decadência, a América do Sul na confusão e Ásia primeiro, África em segundo, em ascensão. A Igreja acompanha essas tendências. Na Europa, a Igreja não irá regressar às catacumbas mas os católicos viverão numa quase clandestinidade. Exactamente como previu Ratzinger, ainda cardeal.
« São Marcos Evangelista, foi um discípulo de São Pedro» César agora chama-se AT
Isto que digo é polémico,sujeito a contraditório óbvio. De nada irá valer a Jesus o estar de bem com todos.Politicamente claro.O representante de César assinará uma das piores sentenças de morte reservada a criminosos e insurrectos. Em meu precário entender Jesus terá sido supliciado por insurreição e não devido ao argumentado pelas variadas igrejas. Roma e seu representantes não “lavavam mãos” em sentenças destas.Eram plenamente assumidas.Ou vida ou morte. Os evangelhos foram escritos e reescritos muito depois dos acontecimentos,chegaram-nos em grego que Jesus não falava nem decerto os discípulos. Quanto à ideologia ou “filosofia” do Sermão da Montanha que é o que mais me toca qualquer pessoa “de boa mente” concordará.
acontece que é tudo de Deus , aos césares deste mundo deveríamos dar nada. ou fazer chacota , porque são ridículos. “vanidad , todo es vanidad” Eclesiastés 1-6
O Senhor estabeleceu o seu trono nos céus, e como rei domina sobre tudo o que existe. Salmos 103:19
e , ó Pedro , nunca percebi o que isso quer dizer , nunca . e já pensei bastante sobre ” a césar o que é de césar ” . desde que tenho uso de razão que tenho claro que “acima de mim , só Deus”. não condigo sentir-me obrigada a nada a nenhum césar mundano. chateiam-me , impedem a evolução do ser humano,com a sua sede de poder e exemplo malévolo. salvo raras excepções , como o Pepe Mujica , é tudo escória psicopata.
a césar para cortar a cabeça e a deus para arranjar lugar para a sua alma. e tem sido assim há 2023 anos pelo menos, e nunca saberemos o lugar que deus arranja para as almas. embora seja um deus complicado que manda um filho à terra e o deixa morrer na cruz como um ladrão.
Cristo é Deus….que se fez homem e veio à Terra ver se ganhávamos vergonha e juízo. falhou, infelizmente teimamos em comportamentos miseráveis com resultados bem piores que qualquer catástrofe natural.
Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, não lhe negues também a túnica. (Lucas 6:29).
São os dois textos mais revolucionários do cristianismo. Aqueles que impedem que o cristianismo possa ser uma teocracia.
Com o Antigo Testamento, podia-se governar, impor a autoridade e aplicar justiça. Com estes dois preceitos, já não.
Sábias palavras, também as suas, a merecerem franco elogio.
Sacro Império Romano-Germânico?
Consegue-se mandar sem poder?
No início, Pontífice, Rei e Juiz, coincidiam na mesma pessoa. No Sacro-Império o Rei já não era Pontífice, nem sequer sacerdote. O seu poder era imperial, não religioso. Acreditava-se que a origem do seu poder imperial provinha de Deus, por isso imperadores e reis eram ungidos.Mas Carlos Magno instruía os jardineiros dos seus palácios sobre as flores e arbustos que queria presentes, não instruía os seus súbditos sobre as Missas e procissões a que deviam assistir.
É certo que houve desvios pontuais, mais até do lado dos Papas que, esses sim, acumulavam os dois poderes, temporal e espiritual. Mas não se pode dizer que o Sacro-Império era uma teocracia. Compare-se com o moderno Irão.
No Sacro-Império o Rei já não era Pontífice, nem sequer sacerdote. O seu poder era imperial, não religioso. Acreditava-se que a origem do seu poder imperial provinha de Deus […] Compare-se com o moderno Irão.
No moderno Irão o presidente e o primeiro-ministro não são sacerdotes ou clérigos. O seu poder é temporal, não é religioso. Ninguém afirma que esse poder tenha origem em Deus.
O moderno Irão será talvez uma teocracia, mas não o é certamente por nenhum desses motivos.
(O que vale para o Irão vale também para a Arábia Saudita. O rei Salman não é um clérigo, não tem qualquer poder religioso, nem ninguém tem qualquer pretensão de que ele seja rei por vontade de Deus.)
O único país muçulmano (que eu saiba) no qual o poder temporal tem algum fundamento religioso é Marrocos, uma vez que o rei desse país se afirma descendente de Maomé e “líder dos crentes”.
O presidente e o primeiro-ministro não são religiosos mas apenas têm um poder delegado e limitado. O verdadeiro poder são os “ayatollahs”.
Não foi nem um presidente nem um primeiro ministro que os serviços secretos e a diplomacia francesa com financiamento da Total instalaram em Teerão mas sim o “ayatollah” Khomeini. Ainda hoje, o “ayatollah” Khamenei usa o título de líder supremo do Irão.
Outro motivos existem quer na legislação quer quer nos costumes quer na execução de ímpios – por exemplo, enforcamento de homossexuais – quer, talvez sobretudo, na existência de uma Polícia Religiosa que actua sem controlo judicial cívil.
Não vejo a que propósito chama à colação a casa de Saud ou o rei de Marrocos. Mas, entre os dois, a casa de Saud está mais ligada à religião pois a sua “raison d’être” é a protecção da peregrinação a Meca, que, ainda hoje tem substrato real, enquanto o título de “Líder dos Crentes” não tem qualquer conteúdo prático. E a descendência de Maomé, é partilhada por inúmeros líderes muçulmanos, desde o Aga Khan a qualquer “ayatollah” que, por isso, usa o turbante negro. Por esse critério, a Grã-Bretanha seria uma teocracia. De facto o soberano tem o título de Defensor da Fé (Anglicana) e até é restritiva e sectária, pois um católico não pode ser soberano.
Como habitualmente temos o balio a defender o regime dos Ayatollahs.
O Líder Supremo do Irão é sempre um Religioso. No presente é Ali Khamenei. Está cima do presidente e do governo e tem o poder sobre todos os orgãos do regime.
Na Constituição até está estabelecido como missão controlar o mundo:
…intends to establish an ideal and model society on the basis of Islamic norms. … the Constitution provides the necessary basis for ensuring the continuation of the Revolution at home and abroad. In particular, in the development of international relations, the Constitution will strive with other Islamic and popular movements to prepare the way for the formation of a single world community (in accordance with the Koranic verse ‘This your community is a single community, and I am your Lord, so worship Me’ [21:92]), and to assure the continuation of the struggle for the liberation of all deprived and oppressed peoples in the world.[41]
in Wikipedia
O meu argumento é o seguinte a Igreja sobreviveu porque embora não tivesse o poder directo tinha o poder de legitimar César e de influenciar César.
Esse seu poder manteve a sua existência relevante num contexto em que a tecnologia tinha uma evolução limitada.
Perdendo esse poder de legitimar César e de influenciar César não digo que regresse ás catacumbas mas não é o mesmo.
A Igreja sobreviveu porque Cristo assim o assegurou. Cristo não garantiu a eternidade a príncipes ou nações mas garantiu-a à Sua Igreja..
Perdido o poder directo, a Igreja manteve influência porque as pessoas, príncipes incluídos, eram devotos.
Não sei, nunca pensei nisso nessa perspectiva, se a diminuição da devoção se deve à evolução técnica. Dito isto, deixo-lhe a minha perspectiva pessoal.
O poder é afrodisíaco. É a maior pulsão conhecida. Mesmo crimes como violações, prepotências por abuso de poder políticos e chefias, etc., têm muitas vezes por motivo o desejo de dominar, no fundo um exercício perverso de poder. Ora a Igreja, pode ser referida como o Corpo Místico de Cristo, como o conjunto de todos os crentes, bispos, presbíteros e fiéis mas também como organização eclesial, uma organização de homens e gerida por homens. E homens também sujeitos à pulsão do poder.
Nos tempos em que o poder era o príncipe, lutava-se pelo cargo de confessor. Quando o poder foram os partidos políticos, a experiência triunfante da Democracia Cristã em Itália, inspirou tentativas de réplicas. Quando o poder foram os sindicatos, vimos S. João Paulo II a abraçar Lula no Brasil e Lech Walesa na Polónia. Hoje o poder é difuso mas tem forte componente na rua – onde manifestações, objectivamente ultra-minoritárias, obtém resultados que superam os eleitorais – vimos S. João Paulo II e Francisco em banhos de multidão e o último a trazer para a praça pública a questão da pedofilia a abusos sexuais que, alterada a Lei Canónica (hoje bem mais proactiva do que a lei civil), estava a ser activamente tratada em cada bispado, desde Bento XVI.
Será um percurso longo e difícil mas hoje já muito melhor do que quando o poder se concentrava na Cúria e dois terços dos cardeais eram italianos, boa parte das mesmas famílias que produziam cardeais desde a idade média.
Hoje, económica e demograficamente, a Europa está em decadência, a América do Sul na confusão e Ásia primeiro, África em segundo, em ascensão. A Igreja acompanha essas tendências. Na Europa, a Igreja não irá regressar às catacumbas mas os católicos viverão numa quase clandestinidade. Exactamente como previu Ratzinger, ainda cardeal.
« São Marcos Evangelista, foi um discípulo de São Pedro»
César agora chama-se AT
Isto que digo é polémico,sujeito a contraditório óbvio.
De nada irá valer a Jesus o estar de bem com todos.Politicamente claro.O representante de César assinará uma das piores sentenças de morte reservada a criminosos e insurrectos.
Em meu precário entender Jesus terá sido supliciado por insurreição e não devido ao argumentado pelas variadas igrejas. Roma e seu representantes não “lavavam mãos” em sentenças destas.Eram plenamente assumidas.Ou vida ou morte.
Os evangelhos foram escritos e reescritos muito depois dos acontecimentos,chegaram-nos em grego que Jesus não falava nem decerto os discípulos.
Quanto à ideologia ou “filosofia” do Sermão da Montanha que é o que mais me toca qualquer
pessoa “de boa mente” concordará.
Já Cristo pregava a separação dos poderes.
A César o que é de César, a Deus o que é de Deus.
acontece que é tudo de Deus , aos césares deste mundo deveríamos dar nada. ou fazer chacota , porque são ridículos. “vanidad , todo es vanidad” Eclesiastés 1-6
O Senhor estabeleceu o seu trono nos céus,
e como rei domina sobre tudo o que existe.
Salmos 103:19
e , ó Pedro , nunca percebi o que isso quer dizer , nunca . e já pensei bastante sobre ” a césar o que é de césar ” . desde que tenho uso de razão que tenho claro que “acima de mim , só Deus”. não condigo sentir-me obrigada a nada a nenhum césar mundano. chateiam-me , impedem a evolução do ser humano,com a sua sede de poder e exemplo malévolo. salvo raras excepções , como o Pepe Mujica , é tudo escória psicopata.
Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
Que é como quem diz: César que fique com todo o seu império, menos com a terra dos judeus, que essa é só deles porque lhes foi dada por Deus.
a césar para cortar a cabeça e a deus para arranjar lugar para a sua alma.
e tem sido assim há 2023 anos pelo menos, e nunca saberemos o lugar que
deus arranja para as almas.
embora seja um deus complicado que manda um filho à terra e o deixa morrer na cruz como
um ladrão.
Cristo é Deus….que se fez homem e veio à Terra ver se ganhávamos vergonha e juízo. falhou, infelizmente teimamos em comportamentos miseráveis com resultados bem piores que qualquer catástrofe natural.