Leituras


Pedro Correia,

 

«Os amanuenses, os reis e os pensadores falam, e com o seu falar governam o mundo. Os camionistas, os construtores de pirâmides e os soldados rasos, aqueles que não sabem falar, constroem o mundo a partir da sua própria mudez, constroem-no para que os faladores possam falar acerca do modo de o governar e daqueles que o constroem. E quando o destroem com a sua conversa, o camionista e o soldado raso voltam a construí-lo, simplesmente, porque andam à procura de um meio de expressão.»

James Jones, Até à Eternidade

Publicações Europa-América (colecção Livros de Bolso)

4 comentários em “Leituras”

  1. apesar das nossas ilusões, as coisas não mudaram assim tanto.

    apenas nos expressamos mais livremente, Pedro, para lá dos campos do futebol.

    mas a “mudez” mantêm-se no essencial (é mais sentirmo-nos de mãos e braços atados…).

    e é tão triste as pessoas quererem votar e não terem um preferido, por saberem que as diferenças muitas vezes passam apenas pelos tiques, pela maneira de vestir e pelo modelo de carro que se fazem transportar.

    1. De acordo, Luís. Aproveito para chamar a atenção para este fabuloso livro de James Jones, que rivaliza com ‘Os Nus e os Mortos’, de Norman Mailer, como o melhor romance sobre a II Guerra Mundial. No último ano tive a oportunidade de ler excelentes obras de ficção – esta foi um deles. Recomendo-a a todos quantos ainda não a conheçam. Deu, aliás, um filme célebre, galardoado com o Óscar. Mas o livro é francamente melhor do que o filme.

  2. Entre um bom livro, e um bom filme feito a partir do livro, confesso que tenho dificuldade em dizer qual é melhor. Defeito meu concerteza porque vejo um e outro com olhos diferentes.
    “Até à Eternidade” é um classico que faz parte da galeria dos grandes filmes da Historia do Cinema, e é tão bom que até o Frank Sinatra ganhou um Oscar, com um inesquecivel soldado Maggio.
    Quanto ao excelente livro, já o li há bastantes anos. Mas depois do seu post, fiquei cheio de vontade de o reler.
    Cumprimentos
    ACS

    1. O filme é bom, tem excelentes interpretações – sobretudo do Sinatra e do Montgomery Clift. Mas os patrões da Columbia Pictures suavizaram muito o romance, que é uma crítica devastadora à instituição militar americana – e, num certo sentido, a qualquer universo concentracionário em geral. É um dos melhores romances que li nos últimos anos, um livro que se lê com interesse crescente de capítulo para capítulo. Sentimos vontade de que não acabe.

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