
«O terramoto [de 1755] não tinha sido o primeiro em Portugal (os de 1531 e de 1597 tinham sido terríveis, como Pereira de Figueiredo notara), e sentira-se também em toda a Europa: fisicamente, chegando a Espanha, a Marrocos, a Itália, mas sobretudo nas mentalidades. Todos o sentiram, desde o pastor dos Pirenéus que vira a água da fonte em que bebia transformar-se em sangue, aos filósofos e escritores que sobre ele reflectiram, de Kant a Voltaire, passando por Rousseau. O Século das Luzes integrou o horror do terramoto identificando Deus “com a Razão e a Natureza”, e procurando as explicações naturais que lhe deram origem. (…) Lisboa e o país estavam remergulhados em medo, crendice e fanatismo.»
Pedro Sena-Lino, De Quase Nada a Quase Rei, p.343
Ed. Contraponto, 2020

Do Terramoto de de Lisboa, de 1755, há vestígios/fissuras na Catedral de Tuy, na Galiza, assim como o registo de transbordar a água dos canais, como vem assinalado no livro sobre a História de Breda, cidade do sul dos Países Baixos, a cerca de 50 km do mar do Norte.