
«Eu assisti (deixemo-nos de partes – eu também fui presa da crença…) a pessoas altamente qualificadas a fazer o elogio da União Soviética e das maravilhas que lá pululavam. Difícil saber onde, que não estavam patentes ao visitante ocasional, mas, porventura, atrás de quaisquer montanhas, atravessados infindáveis desertos.»
Mário de Carvalho, De maneira que é claro…, pp. 156-157
Ed. Porto Editora, 2021

Li todos os livros dele, este é o que menos gostei… talvez pelo género. Por curiosidade, fotografei-o a descer a Av da Liberdade no 25 de Abril… com a idade já a pesar . Diz que foi este o último livro a sair. Espero que não…
Mas relativamente a este excerto, não esqueçamos que a União Soviética não existe há muito… o que há por essas bandas é uma ditadura de oligarcas que nada tem a ver com comunismo. Basta referir que na Av Karl Marx se implantaram até há pouco tempo a Louis Vuitton, a Dior, a Chanel…
Gosto muito deste escritor, mas confesso que também este livro me decepcionou. Boa ideia, não muito bem concretizada.
o que há por essas bandas é uma ditadura de oligarcas que nada tem a ver com comunismo.
E a ilusão continua…
Só se ilude quem quer… basta ver a propaganda da Rússia, da UE e dos EUA, compará-la com os canais dos diversos jornalistas independentes que não passam nas tv (desligar estás é sempre uma boa opção) e acabam as ilusões.
Não sabia que Mário de Carvalho já tinha fechado o comunismo na gaveta. O mesmo não se pode dizer da filha Ana Margarida.
Mário desligou-se do partido há 20 anos. Foi até uma notícia que dei em primeira mão no DN. Com palavras desassombradas, que bem recordo.
Aliás um excelente livro dele, de 1995, já prenuncia esse afastamento: “Era Bom que Trocássemos umas Ideias Sobre o Assunto”.