
«Seremos tão sem valor que ninguém pode dizer se nos rege o acaso, um destino ou a indiferença com que Deus risca as linhas por onde encarrila a existência de cada um de nós? Certo é que com um passo, um atraso, uma hesitação, tudo pode radicalmente mudar; volta-se à esquerda e a vida inteira seria outra se tivéssemos parado um momento ou virado à direita.»
José Rentes de Carvalho, Ernestina (1998), p. 51
Ed. Quetzal, 2018

Este é do tempo em que já não há capas. Qual é a piada “daquilo”? A sério, olhem bem. Abre a pestana, Francisco, faz como o chinês do Alentejo.
Há muito tempo que tenho a ideia de lançar aqui uma série sobre capas de livros. Há-de acontecer.
Quando reparo num livro, em primeiro lugar analiso a capa a ver se o livro me apetecerá. Esta capa levou-me à época dela e, respectivamente, à época em que se desenrolava a história. E não me desiludi. Adorei a história, que é baseada em factos verdadeiros e, pela fidelidade da narração , comecei a ler os livros de J.Rentes de Carvalho.
J. Rentes de Carvalho assume que se trata de uma obra memorialística. Nomes, datas, lugares, correspondem todos à realidade.
Só não foi apresentada como autobiografia porque, no entender da editora, livros assim rotulados vendem menos do que os romances.
Em qualquer dos casos, e rótulos à parte, é uma excelente narrativa – na forma e no conteúdo. Uma espécie de viagem sentimental do autor pela sua infância mais remota e pelo pequeno-grande mundo em que então viveu.
“Esta capa levou-me à época dela e, respectivamente, à época em que se desenrolava a história. “
Não faço ideia como é que uma cara inglesada feita em 3D e depois photoshoppada numa indumentária inglesa de finais do séc XVIII o transportaram para Trás-os-Montes em 1930. Acho que você têm aí um problema de transportes.
Apenas sou transmontana também, tenho uma capa parecida com aquela em casa e um toucado igual àquele, de ir à missa nesse tempo, que eram de minha avó, transmontana.
Lá o 3D etc, isso já só será para peritos. Peritos tecnológicos . O que interessa é que a capa me convidou para a “história”… – E foi só uma apreciação …
A capa é muito Wuthering Heights, mas ok não se fala mais nisso. PS. tb sou transmontano (metade) e não estava a par das indumentárias, mas acredito que sim. É só um detalhe, em todo o caso.