
«O comunismo português, aparentemente brando, está para o estalinismo e o grande comunismo oriental como o salazarismo está para o grande fascismo europeu: uma versão doméstica e paroquial.»
António Barreto, Três Retratos – Salazar, Cunhal, Soares, p. 152
Ed. Relógio d’ Água, 2020

O Salazarismo não tinha suficiente Socialismo para ser considerado próximo do Fascismo. O regime de Salazar não vendeu armas a União Soviética como o Fascismo Italiano o fez.
A Ditadura Salazarista foi uma gestão conservadora – nem propriamente se pode falar em ideologia tal a parcimônia da coisa – muito diferente do Fascismo que tem origem no Socialismo e Marxismo. A ignorância história provocada pela propaganda a volta do 25 de Abril e da 2GM continua.
Segundo erro da analise de António Barreto:
Salazar chegou ao poder por isso sabemos o seu grau de opressão e violencia.
Sobre os Comunistas Portugueses não sabemos, por ex. os regimes do MPLA, PAIGC etc foram muito mais violentos e com muito mais opressão sobre a vida da pessoas. Lembrar ainda que o PCP apoiou todos os actos da URSS. Até a aliança Nazi-Comunista.
Deve ser verdade, já que é dito pelo mui doméstico e paroquial cientista social António Barreto.
Até a capa do livro dele é doméstica e paroquial.
Somos todos é uma cambada de pastores é o que é — tomem lá um abraço
Matar milhões para dominar o mundo já é cosmopolita.
Não sei se tem relação uma coisa com a outra… O mundo nunca foi pacífico e as grandes civilizações foram sempre sítios de mortes em massa. É a espécie, é assim. Aliás, tenderia a dizer que não há império ou expansionismo, desde o Egipto, Antiguidade, Islão, etc que não tenha sido erguido dessa maneira.
O meu ponto é que paroquial não é mau como se aparenta apresenta aqui. A Suiça é paroquial, e por isso deve ser das sociedade onde menos pessoas morreram violentamente no ultimos 200 anos. Os Checo e Eslovacos separaram-se sem uma guerra. Note como estes bons exemplo não estão presentes na boca e na narrativa marxistoide , logo messianica do jornalismo dominante que precisa e reduz o mundo a “exploradores e explorados” para se sentir alguma coisa e dar justificação a sua própria existência.
Sim, eu percebi. E concordo. Eu acho que ser pequeno não é mau, pelo contrário. Por isso é que “mandei” um abraço.
Mas receio que a maioria das pessoas não veja o potencial — preferem lusofonias e sonhos universalistas requentados ou preferem pensar que Portugal tem uma missão no mundo (não tem e nunca devia ter fingido que tinha).
Sempre defendi o fechamento ao terceiro mundo — o corte sócio-político com o tropicalismo e a viragem para o galicismo — para o atlântico norte e um “regresso às árvores”, a um destino visigótico que a ocupação da península interrompeu — e continuo a defender isso. Não há outra coisa que justifique a existência de Portugal se não isso mesmo.
Li o livro há pouco tempo. Não foi certamente o que mais gostei de António Barreto mas nem define o salazarismo como uma versão do fascismo, nem lima arestas ao PCP. Nesse sentido diria que a frase publicada no postal, é mais um efeito literário do que um definidor do livro.
É liminarmente claro que Barreto detesta Salazar e Cunhal o que sempre provocará algum viés, mas para mim inexplicável é a enorme empatia, quase devoção por Soares, de quem omite e adoça algumas coisas.
Mal toca no facto de ter sido ministro da Agricultura de Soares em circunstâncias difíceis e do mesmo Soares lhe ter literalmente puxado o tapete. Aliás foi essa certamente uma das causas de ter abandonado o PS e, com o grupo dos Renovadores, ter aderido à AD.
P.S. Concordo com o 2º comentário de LuckLucky na parte em que constata que não sabemos o que seria Cunhal se alcançasse o poder. E em relação à URSS relembro o facto de ter sido o primeiro dirigente comunista mundial a declarar o apoio à invasão da Checoslováquia.
O comunismo português politicamente, no passado, não chegou até aonde desejaria mas todos os anos mantem prova de vida ao ajudar a aprovar os Orçamentos de Estado do seu comparsa PS.
Será isso “versão doméstica” ou domesticada?.
O Salazarismo foi a versão frugal da democracia hoje implementada em Portugal e no mundo Ocidental.
Sim e não.
É certo que a violência do regime foi sempre inferior à da 1ª República e que a tendência foi sempre no sentido de diminuir. É igualmente certo que a Constituição de 1933 era formal e juridicamente mais equilibrada do que a actual e que, à excepção do Artº 8º, era cumprida e foi plebiscitada. É igualmente certo que a justiça funcionava muito melhor – Joana Marques Vidal é de opinião contrária mas não me convence – e mesmo o Tribunal Plenário vinha tendencialmente permitir algumas garantias aos acusados (note-se que quer na PIDE quer no Plenário existia uma diferença abissal no tratamento de comunistas e de não comunistas(*)).
Também os direitos materiais, saúde, ensino e economia vinham sempre a melhorar, embora mais devagar do que o desejável e do que parecia possível (*). E já se tinha inculcado, tarde e incipientemente, é certo, algum conteúdo social no sistema (estranhamente mais por iniciativas da Câmara Corporativa do que do Parlamento).
É certo que havia uma auscultação prévia e que foi assim em todas as grandes opções que ao regime se puseram, por exemplo a escolha entre a EFTA e a CEE e a defesa de Angola em 1961.
Mas o esquema de decisão era sempre o mesmo. Deixavam-se os mais envolvidos discutir, às vezes publicar e, em certos casos fazia-se uma auscultação directa (p.ex. na crise Botelho Moniz em 1961(*)). Mas, quando entendia onde estava a maioria ou pelo menos, se tinha apoio suficiente, Salazar anunciava a sua decisão.
Ora uma decisão monárquica sobre consensos aristocráticos, nada tem a ver com as modernas democracias em que o voto universal e directo e a existência de partidos são estruturais.
(*) Estes pontos constam no livro de António Barreto.
Salazar tinha uma visão própria do que era um conselho. Reunindo com 1 interlocutor e decidindo em função dessa conversa, o conselho tinha deliberado. A sua visão paternalista da sociedade tinha razão de ser, porque a sociedade era e é paternalista.
Os carroceiros parlamentares que hoje existem, igualmente este dito governo, também são paternalista. Os gajos e as gajas dizem-se democratas pelo facto de existir uma lei que permite o voto, em que a maioria da população não vota. Porém apoderam-se da estrutura do poder legislativo e lá vão surgindo, entre muitas outras, as leis estalinistas, neo-fascistas e neo-nazis, como é o caso da cartilha dos direitos humanos na internet, agora aprovada, que nada mais é que a promoção da censura, da libertinagem do género e da adulteração científica e natural da condição humana em matéria de sexo e da sexualidade.
Portanto as democracias são fontes de totalitarismos, corrupção e promiscuidade para permitirem que promíscuos, corruptos e totalitários exerçam sua influência paternalista sobre todos os demais.
Salazar até pôde contrariar os interesses de alguns. Mas exerceu seu governo pelo interesse de todos os demais que eram a maioria. Os ditos antifascistas que apareceram depois de Abril estavam aí só para folclore e para encher o circo nas ruas.
Entre Salazar e a dita democracia-estalinista, eu votaria Salazar.
“…em que a maioria da população não vota…”, pois já percebeu há muito que não há nada, ninguém, em quem votar.
Quem elaborou esta Lei Eleitoral tinha a faca, o queijo, os bolinhos e a champanhe mão. E claro, ainda andam por aí.