
«É um dos três actos sem os quais, segundo diz não sei que Filósofo, nunca se foi um verdadeiro homem… Fazer um filho, plantar uma árvore, escrever um livro.»
Eça de Queiroz, A Cidade e as Serras (1901), p. 157
Ed. BIS, 2015 (4.ª ed)

«É um dos três actos sem os quais, segundo diz não sei que Filósofo, nunca se foi um verdadeiro homem… Fazer um filho, plantar uma árvore, escrever um livro.»
Eça de Queiroz, A Cidade e as Serras (1901), p. 157
Ed. BIS, 2015 (4.ª ed)
Um Ditado Antigo, na Busca pela Imortalidade…
E matar um veado.
Homofóbico!
Essa é uma daquelas que nunca entendi: fazer um filho, qualquer ser vivo não excessivamente rudimentar o faz (se quiser); plantar uma árvore, até ministros o conseguem; escrever um livro, é coisa facilmente ao alcance mesmo de uma Margarida Rebelo Pinto.
Nem todos têm alunos …
Analisemos, pois:
1- Fazer um filho é fácil (alguns até o fazem sem dar por isso); agora carregá-lo nove meses e pari-lo em dor (ou sem) já me parece um bocadinho impossível…
2- Plantar uma árvore também é fácil; agora tratá-la, cuidar dela até ser digna desse nome dá um certo trabalho, mas está ao alcance de qualquer um, e só posso louvar quem o faça.
3- Escrever um livro!
Bem, há livros e livros e há escritores e escritores. Ainda um destes dias ao ligar o smart um dos títulos em destaque era:
“Cláudio Ramos, escritor”
Fiquei a olhar para aquilo, e a pensar: Então mas este agora também é escritor?
Já sabia que ele era jornalista (😂), apresentador (🤣) opinion não sei quê (😂🤣) e agora também é escritor…
Assim sendo, tenho que reconhecer que é muito fácil ser escritor. Talvez ele tenha escrito uma tese de doutoramento em inglês técnico ou francês, sei lá… em português não me parece provável, se bem que na Portugalandia tudo é possível.
Eça é que é Eça!
🎄⛄
Maria
A citação (que não é do Eça, tem origem, provavelmente, muito mais antiga), relativamente a “fazer um filho”, não se refere à gestação nem ao parto; “plantar uma árvore” é plantar uma árvore, não tratá-la nem cuidar dela; quanto ao livro, aparentemente, estamos de acordo.
A citação é do Eça, nos termos exactos que transcrevo.
Certo. E ele próprio diz “não sei que Filósofo”. Aparentemente, virá do Talmude.
Claro que percebi o que o Eça escreveu (e bem, como sempre, aliás); ele cita os três actos necessários para se ser um verdadeiro homem, segundo um Filósofo cujo nome não sabe ou não recorda.
1- Fazer um filho é facílimo, só prazer e mais nada: então onde está o mérito?
E como saber se realmente fez um filho? Naquele tempo não havia testes de adn… como saber?
(Agora, não sei porquê, lembrei-me da Capitu, do Machado de Assis).
2- Não, tem que cuidar da árvore, tem de saber se a semente vingou, se chegou a árvore ou se não passou de um simples arbusto: caso contrário, onde está o mérito?
3- Escrever um livro fazendo uma edição de autor ou recorrendo a um ghost writer também não me parece nada difícil ou meritório.
Mesmo tendo um editor e boas vendas, por ser uma cara conhecida, pode ser uma nulidade como escritor.
Resumindo: um verdadeiro homem não pode ser avaliado por estes três actos. Pode ser um verdadeiro, um grande homem sem ter praticado nenhum destes actos; e tendo-os praticado, pode ser um miserável.
🎄
Maria