
«Tal como no momento de vir ao mundo, ao morrer temos medo do desconhecido. Mas o medo é algo interior que não tem nada a ver com a realidade. Morrer é como nascer: uma mudança apenas.»
Isabel Allende, A Casa dos Espíritos (1982), p. 225
Ed. Sábado, 2008. Colecção Biblioteca Sábado, n.º 26. Tradução de Carlos Martins Pereira

Será?
Não me lembro do que senti quando nasci, desconheço o que sentirei na hora da morte.
O Fernando António Nogueira dizia que a morte é só deixar de ser visto, quando dobramos a curva no fim da estrada…
Não sei, apenas sei que nada nos consola quando perdemos quem amamos.
🎄
Maria
desconheço o que sentirei na hora da morte
A hora da morte propriamente dita não interessa muito. O que interessa são os dias que a antecedem, em que acreditamos poder vir a morrer em breve e o tememos. Eu já estive nessa situação, e recordo-me de que tive medo.
O medo é a outra face do nosso instinto de preservação. Sem ele tudo se tornaria mais difícil.
meh…
Sobre a morte o Umberto Eco disse coisas mais interessantes.
Acho eu
“disse coisas mais interessantes.”
É impossível dizer coisas interessantes sobre a morte (exceptuando o que estou agora dizer).
Exacto. O que ele disse de interessante é que só o Ser é e que portanto não há nada para dizer sobre o não-ser.
Não me lembro desse excerto, vi o filme primeiro e só muito mais tarde li o livro e este depois de um interregno de largos anos após romper com a escritora na sequência da depressão que apanhei ao ler Paula.
“Paula” nunca li. E basta-me este seu comentário para ter a certeza de que não lerei.
Não leia, Pedro, até porque julgo saber que tem uma filha.
Eu li-o na minha fase Isabel Allende, em que li tudo o que estava editado por cá.
Paula era a filha dela, que morreu muito jovem com uma doença rara.; é um livro profundamente triste, comovente, mas cheio do inigualável amor de mãe.
Não sei como ela conseguiu escrevê-lo, penso que foi uma espécie de catarse, mas quando o li, há trinta e muitos anos, soube que nunca mais voltaria a lê-lo e doei-o à biblioteca.
🎄
Maria
Detesto mudanças…

Prefiro uma viagem sideral
Eu, mudanças, só para melhor.
Bom livro. Li-o quando rodaram cá o filme. O meu irmão mais novo fazia figuração e acompanhei-o ao set na esperança de ver o Jeremy Irons. Não tive sorte nenhuma. O filme foi bem adaptado, mas falta-lhe o “espírito” que se percebe presente durante toda a leitura.
Bom dia, Dulce. Ando a fazer a lista dos melhores romances do século XX – de todos os anos, sem falhar um. Este é o melhor romance de 1982.
Aliás não é uma lista, mas duas. Uma só para autores portugueses, outra só para autores estrangeiros.
A lista “estrangeira” está mais adiantada. Só tem três anos por preencher.
Boa Iniciativa, Pedro. Ler é sempre bom e com boa recomendação ainda é melhor😊