
«As mulheres não procuram o homem bonito. As mulheres procuram aquele que teve mulheres bonitas. É portanto um erro fatal ter uma amante feia.»
Milan Kundera, O Livro do Riso e do Esquecimento (1979), p. 19
Ed. Dom Quixote, 1986 (3.ª ed). Colecção Ficção Universal, n.º 7. Tradução de Tereza Coelho

O DSK que o diga

Por isso é que troco de mulher de 5 em 5 anos, quando esta começa a ficar feia arranjo outra mais nova e ainda mais bonita.
Cá temos um sério candidato a ganhar um par de cornos não tarda nada
Uma frase tão palerma como seria a que dissesse o seu contrário.
Sentido de humor em todo o seu esplendor.
Lamento desiludir mas a frase ao contrário não funciona.
Tem razão: não funciona ao contrário. Por isso seria palerma. Sucede que também não funciona na versão original, só disso se convencendo rapazes adolescentes, homens que nunca amadureceram ou velhos senis.
E como piadola, seria francamente fraquinha.
Bom fim-de-semana. 🙂
Acho que os homens feios também acreditam na frase.
Bom confinamento 😉
Um livro que li sem esforço. Que frase insólita.
Mais um que escrevia com máximas: os homens isto, as mulheres aquilo, o mar é infinito, o sol aquece até a alma de um danado e o raio que o parta. Letras para grandes superfícies.
Pacotilha de supermercado!
Isto está a chegar a um ponto, que a beleza já não é fundamental:ou tens dinheiro ou não tens dinheiro e senão tens es feio.
acontece que o homem bonito normalmente tem muitas mulheres , às vezes ao mesmo tempo -:)
e alembrei-me de uma coisa : um homem rico nunca é feio…
Tem mesmo a certeza disso, Marina?
que um homem rico nunca é feio ? tenho , disse-me o Onassis -:)
Um dos poucos livros do Kundera que não gostei. Talvez fosse muito nova. Tenho de o reler…
A Primavera de Praga: os amores adiados, traídos, oprimidos pela política – até no exílio. A política – sempre a política! Ou quando as palavras não significam nada e se tornam um mero jogo que justifica o afastamento. De alguma
forma isto acontece com todos nós – noutros lugares e noutro tempo: quando nos tornamos adultos muito respeitáveis, há uma força – talvez seja só inércia – que nos impele ao afastamento daquelas pessoas com quem partilhamos os sentimentos mais desnudados. Essas recordações assolam-nos como uma espécie de vergonha, ou simplesmente pudor; deixam-nos desconfortáveis e atiram-nos para o isolamento do esquecimento. As paixões e as amizades da juventude são muito sentimentais e cumulativas. Logo que nos tornamos adultos sentimos necessidade de apagar o histórico – de criar uma nova narrativa mais conforme com os novos desafios e expectativas, algo mais controlável, sem surpresas desagradáveis! A cola que une os jovens é a cumplicidade no sentimento; a que une os adultos é a cumplicidade no interesse – intelectual, socio-economico, profissional ou político.
(A misogenia não é declarada, é apenas uma consequência. Seria naturalmente homofobia se a disposição dos personagens fosse outra. É a política, estúpido!)
O Bem é transcendente, metafísico; em suma: é ético – está fora da totalidade do Eu. Não é um conceito, é uma ideia, é Infinito que escapa ao logos. É o descentramento do em-si-mesmo – é a leveza do ser! O Mal é ontológico, é a natural expansão da totalidade do ser em constante confronto ou guerra com a alteridade. O Bem num contexto mais existencialista é um fardo porque a ética não precede a ontologia, antes são simultâneas – é peso existencial.
Se este é algo sorumbático, já o “Livro dos Amores Risiveis” é atravessado pela luz: o bom humor e a ironia estão cheios de graça.