![27394461._SY475_[1].jpg 27394461._SY475_[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2020/21932548_dgq2U.jpeg)
«Em todo o homem há o homem e o fantasma, e o fantasma é que é o nosso verdadeiro ser.»
Raul Brandão, El-Rei Junot (1912), p. 29
Ed. Círculo de Leitores, 1991. Colecção Obras Completas de Raul Brandão, n.º 4
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«Em todo o homem há o homem e o fantasma, e o fantasma é que é o nosso verdadeiro ser.»
Raul Brandão, El-Rei Junot (1912), p. 29
Ed. Círculo de Leitores, 1991. Colecção Obras Completas de Raul Brandão, n.º 4
Aí está como se pode dizer uma coisa sem parecer uma sentença ou um epigrama como as tiradas self-aggrandizing de Lobo Antunes e de 99% dos escritores portugueses — que arrancam logo com uma tirada tipo “o homem é isto: pumba” e eia que monumento.
Mas evidentemente o RB é outra loiça.
Ultimamente li três livros dele. Este é, francamente, o melhor. Interessantíssimo livro de História, por vezes apresentado (erradamente) como romance.
Li o Húmus há muitos anos, naquela colecção Mil Folhas do Público.
Em 2014 adorei ler As Ilhas Desconhecidas, adorei mesmo.
Em 2017 comprei as Memórias (três volumes reunidos) e, para minha vergonha, ainda não o consegui ler: meteram-se outros (muitos outros) pelo meio…
Bom fim-de-semana.
🌿🍂
Maria
Vergílio Ferreira considerava “Húmus” um dos três melhores livros da ficção portuguesa do século XX.
Eu, que tenho andado a fazer esse levantamento há mais de um ano, de modo nenhum concordo nisto com o grande escritor beirão que tanto admiro.
“Húmus”, tal como “A Farsa”, é um livro dificilmente catalogável. Chamar-lhe romance é controverso. E aderir àquele imaginário do agoiro e da lamúria e das sombras nocturnas não é, seguramente, para todos os leitores.
Dos três livros dele que conheço, destaco precisamente este “El-Rei Junot”, ensaio biográfico bem-sucedido que nos transporta a uma época crucial da História portuguesa, ainda muito ignorada.
Deliberadamente ignorada, por óbvias razões. Afinal, na escola ensinaram-me que os franceses trouxeram as luzes, não que levaram as pratas e foram responsáveis pela morte de 200 mil portugueses. E dificilmente alguém que estude o fenómeno continuará a considerar o Freire um herói e o Forjaz um vilão. Li o livro este ano. Recomendo Ainda o Acúrsio das Neves.