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«Quem conseguia adquirir a sua própria colher tratava-a como uma jóia preciosa, guardava-a com a vida, e, como não se conseguia arranjar facas, o seu uso era alargado ao afiarem o cabo numa pedra. Não havia papel higiénico nas latrinas, portanto, os restos de papel eram outro bem valioso. Sacas de cimento rasgadas podiam ser obtidas nos estaleiros e, por vezes, um jornal podia ser adquirido a um civil – talvez deixado numa fábrica e, depois, contrabandeado para dentro do campo. Os pedaços eram usados ou trocados por comida. As pessoas que sofriam esta degradação eram vistas pelos alemães como lixo humano, mas a economia de guerra da nação estava cada vez mais dependente do seu trabalho. Era esta a nova era de grandiosidade que Hitler tinha criado: um mundo em que um quadrado de papel se tornava moeda de troca, com valor tangível, fosse para gastar ou para manter o rabo de alguém limpo.»
Jeremy Dronfield, O Rapaz que Seguiu o Pai para Auschwitz (2018), p. 217
Ed. Planeta, 2018. Tradução de Patrícia Cascão

As coisas que se praticaram, atentados à dignidade humana que antes não se julgavam possíveis. O que a máquina da guerra faz às pessoas.
Os castelhanos quando chegaram ao novo mundo utilizaram umas carícias católicas/inquisitoriais nos índios, para saberem onde estava o el dorado.
Os castelhanos… e os portugueses?
Uns à procura do El Dorado, outros os grandes fazedores do negócio negreiro. Iniciadores, impulsionadores, os mais pujantes e os últimos a deixarem o negócio.
Os castelhanos e os portugueses.
Ambos excelente néctar da mesma cepa.
Deve ser por isso que passamos a chamar-lhes nuestros hermanos…