"Não há muitas pessoas que saibam das maravilhas que aguardam para serem reveladas através do recordar das histórias e das visões das suas próprias infâncias. Enquanto crianças nós escutamos, sonhamos e guardamos pensamentos incompletos que, quando mais tarde queremos recordar, já nos achamos prosaicos e murchos sob o efeito do veneno da vida. Mas alguns de nós acordamos durante a noite com estranhas aparições de colinas e jardins encantados, de fontes cantando ao sol, de penhascos dourados sobre mares murmurantes, de planícies que se estendem até às cidades adormecidas de bronze e pedra e de fantásticas companhias de heróis envoltos em neblina, galopando em adornados cavalos brancos ao longo das orlas de densas florestas, e nesse momento apercebemo-nos de que olhávamos através de portões de marfim para aquele mundo de encantamento que era nosso antes de sermos sábios e infelizes."
H. P. Lovecraft, Herbert West: Reanimador


Lindoooo, Pedro!… Aproveito para lhe desejar um 2010 com a dimensão exacta dos seus maiores desejos 🙂
Um abraço 🙂
Obrigado pelo seu voto, que naturalmente retribuo, Ana Paula.
Que beleza, Pedro. E que bela imagem a ilustrar estas palavras sábias (e felizes).
Gostei muito deste trecho de Lovecraft, que está longe de ser um dos meus autores favoritos, Ana. tratei, portanto, de partilhá-lo convosco – como sempre faço com as melhores passagens dos livros que leio. Revejo-me nestas palavras e esta imagem tem muito a ver com elas.
Há pessoas que conservam bem essa herança da infãncia e sabem tirar partido dela. Gosto de gente assim.
Essa herança é um tesouro. É um dos nossos maiores tesouros, que nos acompanha vida fora. Embora muita gente mal se aperceba disso.