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«Há momentos em que a necessidade mais premente de um homem é ter um objecto de amor, um foco em que centralize as suas comoções difusas. E há também ocasiões em que a irritação, o medo da vida, as desilusões, tudo isso, inquieto como espermatozóides, precisa de achar uma saída no ódio.»
Carson McCullers, Reflexos nuns Olhos de Oiro (1941), p. 50
Ed. Relógio d’ Água, Lisboa, 1989. Tradução de Cabral do Nascimento

A cópula, como facada. O pénis como lâmina afiada. E a vagina, como bainha.
A boca que quer comer, mordendo, enquanto fodendo.
E milhares de espermatozoides lutando, num desperdício letal , por um único e simples ovo.
Porque nascemos gritando? Avisados, ou recordados do castigo que é a Vida? Do que sabemos deixar para trás? A segurança do útero materno?
O grito como o primeiro som que a terra, e a Vida ouviu. E vive-se gritando. Para fora. E outras vezes para dentro.
A vida é isso. Desperdício e violência.
“Qual a crença, filosofia, ideologia, ou cultura que consiga persistir incólume ao teste da fúria do tempo humano? “
Richard Jefferies.