Leituras


Pedro Correia,

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«Não há nada mais igual do que o mar ou o lume ou uma flor. Ou um pássaro. E a gente não se cansa de os ver ou ouvir. Só é preciso que se esteja disposto para achar diferença nessa igualdade. Posso olhar o mar e não reparar nele, porque já o vi. Mas posso estar horas a olhar e não me cansar da sua monotonia.»

Vergílio Ferreira, Contos (1976), p. 227

Ed. Quetzal, Lisboa, 2018. Colecção Obra Completa de Vergílio Ferreira

10 comentários em “Leituras”

  1. Uma Esplanada sobre o Mar, belíssimo penúltimo conto do livro.
    Também escreveu sobre este na Série dos Contos, Pedro?
    Maria

    1. Acabo de revisitar este livro, que conheço da versão original, e uma vez mais me deixo deslumbrar também pelo Vergílio Ferreira contista. Tal como em tempos gostei muito do Saramago poeta.
      Um e outro desvalorizaram até ao limite estas respectivas facetas. O mesmo fez Cardoso Pires relativamente aos contos (tem vários excelentes).
      Às vezes questiono-me até que ponto um escritor é bom juiz da sua própria obra. E sinto-me muito inclinado a responder que não.

      (Sim, Maria,este excerto é desse magnífico conto. Até agora só escrevi sobre ‘O Encontro’, mas há outros sobre os quais gostaria muito de escrever também – desde logo este, ‘Uma Esplanada sobre o Mar’).

  2. Não é monótono porque esperamos sempre ver mais qualquer coisa.
    É a esperança. E a linha do horizonte chama-nos.

  3. Comecei Vergílio, este, pelas Aventuras de João Sem Medo, e com 10 anos percebi que havia muito mais Vergílio para lá das palavras com que João saltou o muro.

    Tenho que voltar a Ferreira, a este. Ler o excerto relembrou-me como era. Obrigada, Pedro.

    1. Sarin, acho que confundiu os Ferreiras
      O João Sem Medo é do José Gomes Ferreira, grande poeta também.
      Maria

      1. Confundidíssima, Maria!!! Obrigada pelo alerta e pela correcção

        Porque o José Gomes também tem os contos e a poesia e em alguns fala de mar… e como fala do Mar!

        O Vergílio Ferreira, de quem recentemente evoquei a Manhã Submersa, certamente não me teria levado a mal o engano. Até porque de enganos vive a Aparição, e conhecemos o resultado.

  4. Um escritor que, sem o saber, escreveu para mim desde o princípio. Maravilha-me a forma que dá às ideias e ainda hei-de ter todos os seus livros. Já tenho o livro de contos.

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