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«Nada é mais libidinoso que o olhar que um homem casado com uma mulher feia lança, disfarçadamente, sobre uma mulher bonita; e nenhum olhar é mais homicida do que aquele que a mulher feia casada lança sobre o alvo dos olhares do marido.»
Miguel Sousa Tavares, Equador, p. 443
Ed. Oficina do Livro, Lisboa, 2003

Profundo, muito profundo…
O Miguel sabe da poda!!
Humilhante são também os casados de prata e ouro que por não quererem lançar no caixote do lixo da vida os anos perdidos continuam fingindo e enganando-se.
A partir de uma determinada idade, quer queiramos, quer não, os recomeços são impossíveis por falta de tempo, ou por serem,apenas, risíveis. Um remédio? Que um deles ande um pouco à frente, e o detrás conserve-se cabisbaixo
Que tormento então o casamento!
Haverá na dura esteira onde os dias rolam maciez para memórias, certamente… e recomeçar é missão todos os dias, quanto mais não seja recomeçar onde ontem anoiteceu.
Mas que sei eu…
Alguns…..tenho ao meu lado uma mulher fabulosa!
É como que um certificado que me convence não ser mau de todo.
Foi o teu lado negro que vociferou contra o casamento, do mal o menos, então.
Vejo casamentos sólidos e casamentos que nunca passaram de fotografias num álbum; sem ter passado por qualquer deles, acredito que possam ter, entre o céu e o inferno, quaisquer coordenadas. Mas nunca percebi aqueles que edificam e solidificam sobre as frágeis estacas do engano, da anulação do indivíduo até dele apenas restar um suspiro de saudade de si mesmo. E por isso me rebelar perante as frases murchas envergonhadas ensimesmadas no seu cinismo.
Até eu sei que o casamento é construção permanente 🙂
Que tormento então o casamento!
Rima poderosa!
Perante o amargo destino esboçado a cínicos traços, a luz que se vislumbrava no túnel que o Vlad descreveu só podia pertencer a um comboio em pleno descarrilamento…
Creia, V., que acredito no casamento: há casamentos felizes, há casamentos duradouros e há casamentos que seriam bem mais felizes e duradouros se tivessem sido antecedidos pelo próprio divórcio.
olaré: uma observação muito refinada para o 3° caso
” há casamentos felizes, há casamentos duradouros e há casamentos que seriam bem mais felizes e duradouros se tivessem sido antecedidos pelo próprio divórcio.”
Sabedoria poderosa!
Já subi ao segundo degrau do pódium e cheguei à prata. Não vou desistir de alcançar o ouro. Não lamento nada do que fiz, não tenho uma lixeira conjugal a céu aberto e tenho ao meu lado o melhor amigo que alguma vez poderia ambicionar.
Lamento quem tristemente não sabe dar valor às amizades imperecíveis, que continuam e fortalecem no rescaldo das grandes paixões que se vão desvanecendo, porque não passaram disso mesmo: Um grande fogo do qual restaram apenas as brasas tépidas.
Nada no mundo supera a compreensão , a amizade e a ternura e é isso que alicerça um casamento ´daqueles ” até que a morte nos separe”.
Nunca me animei a subir tal escadaria. Não que sofra de vertigens, ou que ache os degraus difíceis; mas partilhar conversas é fácil, já partilhar silêncios… uma espécie de agorafobia invertida que me leva a precisar de espaço em mim e silêncio à minha volta. Não há muito quem, nestas alturas, consiga confundir-se com a nossa pele – já ficava satisfeita se se confundisse com o ambiente, mas ai!…
Amor e uma cabana não me encheram de palpitações – a cabana ainda ia, mas percebi que o amor pode ser imenso e ainda assim não bastar, bastarda alma que prefere a comunhão ao amor.
É bastarda mas é minha, e não me arrependo: construo pontes de amizade com pessoas de valores distintos, mas não saberia construir degraus com um companheiro que não me equivalesse naquilo que me é mais profundo. Sem os construir, como os subir?
Que as horas lhe cheirem a chuva e a erva fresca em cada degrau, Maria Dulce, como que a lembrar que todos os dias são dias de vida e, por isso, de deslumbramento 🙂
Existe a solidão e existem as experiências solitárias. A primeira azeda cada filamento do nosso ser. Torna-nos, ao ouvido um sorriso, num insulto. Do ódio, fazemos par doentio. E da cor da tristeza tatuamos no peito vazio : Auto-comiseração.
A segunda , a experiência solitária, é um memorando que nos recorda :
“Happiness [is] only real when shared”
Jon Krakauer
Solidão é uma palavra imensa que aniquila sorrisos abraços sentidos.
Insidiosa, inscreve-se sob as unhas, em letras tímidas que ao tornarem-se garrafais endurecem artérias e articulações e estrangulam o ar que começou por ser apenas vazio. Está só quem se torna papel perante tal tinta.
Mas Estar Só não é Ser Só.
Ser Só é ter os vazios ciosamente guardados para os ataques de claustrofobia, pequenos jardins que se visitam quando o mundo parece sair dos eixos.
Ser Só é ter noção que o centro do mundo não somos nós nem é o outro mas o barro comum, é pintar com as nossas cores os dias de outros e acolher a luz e a sombra dos traços de quem connosco se liga. Difere apenas de Ser com Outro nas entrelinhas profundas que definem cada dia.
Aceitar abrançando as próprias escolhas é afinal o que distingue cada Ser.
Será mais feliz quem partilha os dias sem se partilhar?
Sim. Se existir amizade existirá sempre o respeito. Não há amor sem amizade
Parabéns! Não se esqueça de me convidar para as Bodas d’Oiro !! Adoro Leitão e Camarão
Eu nem por isso.
Gin tónico. Uma pedra ge gelo, gin e tónica. Mais nada. Gosto de tomar como aperitivo apesar de poder ser considerado um digestivo.
Tábua de queijos.
Sopa de peixe.
Linguadinhos fritos com açorda de coentros ( também pode ser petinga) . Ensopado de cabrito com ervas do campo.
Cheesecake com frutos vermelhos.
Café
Deixo a escolha dos vinho a quem deles entende melhor muito mais do que eu. Mas como a festa é nossa e eu não somos de belcantices nem chapa cinco, quem não gosta come menos.
Opa! Também posso???
Troco o café por Cartuxa, o cheesecake por queijo com figos secos ou uvas frescas – levo de casa, se assim tiver que ser…
Cartuxa Pêra-Manca Tinto 1980 ( que é para combinar) e figos secos. Fica combinado
Mas um cafezinho bom sem açúcar, Delta ou Sical acabado de moer, não dispenso.
Pêra Manca só branco!
Em não havendo de 1980., não faz pendant com a efeméride, por isso marcha tinto.
Pedro, hoje bebi Campelo! Doi -me a cabeça. Já me tinham avisado , mas sou teimoso.
Está em linha com as banalidades que debita às 2as feiras no tele-pasquim das ex-colónias.
V. a RTP Memória tem uma excelente programação. No outro dia ,por distração, não me sabia sintonizado no dito canal e extasiado pensei : Porra, Angola é Nossa! . ….mas depois dei por mim.
Penso que aos sábados, pelas 15h, têm um programa de escrita automática com um fulano que se diz ser o Luís de Camões…maravilhas
Nem só de dor de cabeça vive o Campelo! 😀
Aquilo é uma agremiação manhosa de vaca cornélio-tropicalistas — é só docs sobre o ultramar e não sei quê, vemos o Beira-Mar Setúbal de 1986 e o episódio 33 da Vila Faia seguido da Herman Enciclopédia e depois o Júlio Isidro filmado com meia-dúzia de pré-reformados da RTP de ténis e de t-shirt e cenas ao pescoço. Mas está bem conservado o Júlio Isidro. E além disso é bom rapaz. Por acaso gosto do Ti Júlio.
E também vemos o Twillight Zone e o Hitchcock, muito menos cínicos que alguns dos episódios da ARTV 🙂
Sempre lhe digo que prefiro o Beira Mar – Setúbal de 1986, só havia 3 substituições por equipa e os intervalos tinham na pior das hipóteses meia-hora.
Aguardo ansiosamente a reposição dos jogos da Equipa das Quinas no Mundial do México, as únicas agressões que a Federação patrocinou publicamente. Tomara o Bush filho…
Ahah. 1986 foi o ano em que os jogadores começaram a atirar-se todos para o chão de 30 em 30 segundos e ainda não pararam desde então.
A mim me parece estar em causa o desamor e a insegurança, ou os olhares não fariam mossa a nenhum dos envolvidos. A beleza, quando existe, colhe naturalmente admiradores descomprometidos de desejo.
Gostei de ler esse livro de Miguel Sousa Tavares.
Creio que limpeimeiro o Rio das Flores . Gostei de ler, mas achei muito previsível. Gostei muito mais deste Equador, principalmente porque o fulcro da trama obdece a uma unidade te tempo, acção e lugar, ao melhor estilo de uma tragédia grega.
Só as pessoas muito inseguras podem ter pensamentos homicidas porque o/a companheiro/a descansa o olhar em algo belo. O corpo humano é belíssimo, mas a mente humana tem um encanto mil vezes superior e mistérios e desafios tão empolgantes que uma vida não é suficiente para desvendar…
Em “O amor nos tempos de cólera” ocorrem mortes por menos – ou talvez por mais. E a beleza existe 70 anos depois, o que permite à virgindade ser um estado de alma, não do corpo.
Bom exemplo de relacionamentos efémeros e sublime paciência 🙂
Discordo. Os homens casados ou não, lançam sempre olhares libidinosos a outras mulheres e não se percebe muito bem o que são consideradas mulheres bonitas ou feias…
Discordo. Os homens casados ou não, lançam sempre olhares libidinosos a outras mulheres e não se percebe muito bem o que são consideradas mulheres bonitas ou feias…
DNO
Ora bem. A frase de MST é uma frase rebuscada para tentar fazer literatura. Não tem qualquer profundidade. Agustina percebe mais dos olhares libidinosos dos homens e dos olhares assassinos das mulheres do que MST percebe de homens casados ou de mulheres, bonitas ou feias.