Leituras


Pedro Correia,

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«Nada é mais libidinoso que o olhar que um homem casado com uma mulher feia lança, disfarçadamente, sobre uma mulher bonita; e nenhum olhar é mais homicida do que aquele que a mulher feia casada lança sobre o alvo dos olhares do marido.»

Miguel Sousa Tavares, Equador, p. 443

Ed. Oficina do Livro, Lisboa, 2003

34 comentários em “Leituras”

  1. O Miguel sabe da poda!!

    Humilhante são também os casados de prata e ouro que por não quererem lançar no caixote do lixo da vida os anos perdidos continuam fingindo e enganando-se.

    A partir de uma determinada idade, quer queiramos, quer não, os recomeços são impossíveis por falta de tempo, ou por serem,apenas, risíveis. Um remédio? Que um deles ande um pouco à frente, e o detrás conserve-se cabisbaixo

    1. Que tormento então o casamento!

      Haverá na dura esteira onde os dias rolam maciez para memórias, certamente… e recomeçar é missão todos os dias, quanto mais não seja recomeçar onde ontem anoiteceu.

      Mas que sei eu…

      1. Alguns…..tenho ao meu lado uma mulher fabulosa!
        É como que um certificado que me convence não ser mau de todo.

        1. Foi o teu lado negro que vociferou contra o casamento, do mal o menos, então.

          Vejo casamentos sólidos e casamentos que nunca passaram de fotografias num álbum; sem ter passado por qualquer deles, acredito que possam ter, entre o céu e o inferno, quaisquer coordenadas. Mas nunca percebi aqueles que edificam e solidificam sobre as frágeis estacas do engano, da anulação do indivíduo até dele apenas restar um suspiro de saudade de si mesmo. E por isso me rebelar perante as frases murchas envergonhadas ensimesmadas no seu cinismo.

          Até eu sei que o casamento é construção permanente 🙂

        1. Perante o amargo destino esboçado a cínicos traços, a luz que se vislumbrava no túnel que o Vlad descreveu só podia pertencer a um comboio em pleno descarrilamento…

          Creia, V., que acredito no casamento: há casamentos felizes, há casamentos duradouros e há casamentos que seriam bem mais felizes e duradouros se tivessem sido antecedidos pelo próprio divórcio.

          1. ” há casamentos felizes, há casamentos duradouros e há casamentos que seriam bem mais felizes e duradouros se tivessem sido antecedidos pelo próprio divórcio.”

            Sabedoria poderosa!

    2. Já subi ao segundo degrau do pódium e cheguei à prata. Não vou desistir de alcançar o ouro. Não lamento nada do que fiz, não tenho uma lixeira conjugal a céu aberto e tenho ao meu lado o melhor amigo que alguma vez poderia ambicionar.
      Lamento quem tristemente não sabe dar valor às amizades imperecíveis, que continuam e fortalecem no rescaldo das grandes paixões que se vão desvanecendo, porque não passaram disso mesmo: Um grande fogo do qual restaram apenas as brasas tépidas.
      Nada no mundo supera a compreensão , a amizade e a ternura e é isso que alicerça um casamento ´daqueles ” até que a morte nos separe”.

      1. Nunca me animei a subir tal escadaria. Não que sofra de vertigens, ou que ache os degraus difíceis; mas partilhar conversas é fácil, já partilhar silêncios… uma espécie de agorafobia invertida que me leva a precisar de espaço em mim e silêncio à minha volta. Não há muito quem, nestas alturas, consiga confundir-se com a nossa pele – já ficava satisfeita se se confundisse com o ambiente, mas ai!…

        Amor e uma cabana não me encheram de palpitações – a cabana ainda ia, mas percebi que o amor pode ser imenso e ainda assim não bastar, bastarda alma que prefere a comunhão ao amor.
        É bastarda mas é minha, e não me arrependo: construo pontes de amizade com pessoas de valores distintos, mas não saberia construir degraus com um companheiro que não me equivalesse naquilo que me é mais profundo. Sem os construir, como os subir?

        Que as horas lhe cheirem a chuva e a erva fresca em cada degrau, Maria Dulce, como que a lembrar que todos os dias são dias de vida e, por isso, de deslumbramento 🙂

        1. Existe a solidão e existem as experiências solitárias. A primeira azeda cada filamento do nosso ser. Torna-nos, ao ouvido um sorriso, num insulto. Do ódio, fazemos par doentio. E da cor da tristeza tatuamos no peito vazio : Auto-comiseração.

          A segunda , a experiência solitária, é um memorando que nos recorda :

          “Happiness [is] only real when shared”
          Jon Krakauer

          1. Solidão é uma palavra imensa que aniquila sorrisos abraços sentidos.
            Insidiosa, inscreve-se sob as unhas, em letras tímidas que ao tornarem-se garrafais endurecem artérias e articulações e estrangulam o ar que começou por ser apenas vazio. Está só quem se torna papel perante tal tinta.

            Mas Estar Só não é Ser Só.

            Ser Só é ter os vazios ciosamente guardados para os ataques de claustrofobia, pequenos jardins que se visitam quando o mundo parece sair dos eixos.
            Ser Só é ter noção que o centro do mundo não somos nós nem é o outro mas o barro comum, é pintar com as nossas cores os dias de outros e acolher a luz e a sombra dos traços de quem connosco se liga. Difere apenas de Ser com Outro nas entrelinhas profundas que definem cada dia.

            Aceitar abrançando as próprias escolhas é afinal o que distingue cada Ser.
            Será mais feliz quem partilha os dias sem se partilhar?

        1. Eu nem por isso.
          Gin tónico. Uma pedra ge gelo, gin e tónica. Mais nada. Gosto de tomar como aperitivo apesar de poder ser considerado um digestivo.
          Tábua de queijos.
          Sopa de peixe.
          Linguadinhos fritos com açorda de coentros ( também pode ser petinga) . Ensopado de cabrito com ervas do campo.
          Cheesecake com frutos vermelhos.
          Café
          Deixo a escolha dos vinho a quem deles entende melhor muito mais do que eu. Mas como a festa é nossa e eu não somos de belcantices nem chapa cinco, quem não gosta come menos.

          1. Opa! Também posso???
            Troco o café por Cartuxa, o cheesecake por queijo com figos secos ou uvas frescas – levo de casa, se assim tiver que ser…

          2. Cartuxa Pêra-Manca Tinto 1980 ( que é para combinar) e figos secos. Fica combinado
            Mas um cafezinho bom sem açúcar, Delta ou Sical acabado de moer, não dispenso.

    1. V. a RTP Memória tem uma excelente programação. No outro dia ,por distração, não me sabia sintonizado no dito canal e extasiado pensei : Porra, Angola é Nossa! . ….mas depois dei por mim.

      Penso que aos sábados, pelas 15h, têm um programa de escrita automática com um fulano que se diz ser o Luís de Camões…maravilhas

      1. Aquilo é uma agremiação manhosa de vaca cornélio-tropicalistas — é só docs sobre o ultramar e não sei quê, vemos o Beira-Mar Setúbal de 1986 e o episódio 33 da Vila Faia seguido da Herman Enciclopédia e depois o Júlio Isidro filmado com meia-dúzia de pré-reformados da RTP de ténis e de t-shirt e cenas ao pescoço. Mas está bem conservado o Júlio Isidro. E além disso é bom rapaz. Por acaso gosto do Ti Júlio.

        1. E também vemos o Twillight Zone e o Hitchcock, muito menos cínicos que alguns dos episódios da ARTV 🙂

          Sempre lhe digo que prefiro o Beira Mar – Setúbal de 1986, só havia 3 substituições por equipa e os intervalos tinham na pior das hipóteses meia-hora.
          Aguardo ansiosamente a reposição dos jogos da Equipa das Quinas no Mundial do México, as únicas agressões que a Federação patrocinou publicamente. Tomara o Bush filho…

          1. Ahah. 1986 foi o ano em que os jogadores começaram a atirar-se todos para o chão de 30 em 30 segundos e ainda não pararam desde então.

  2. A mim me parece estar em causa o desamor e a insegurança, ou os olhares não fariam mossa a nenhum dos envolvidos. A beleza, quando existe, colhe naturalmente admiradores descomprometidos de desejo.
    Gostei de ler esse livro de Miguel Sousa Tavares.

  3. Creio que limpeimeiro o Rio das Flores . Gostei de ler, mas achei muito previsível. Gostei muito mais deste Equador, principalmente porque o fulcro da trama obdece a uma unidade te tempo, acção e lugar, ao melhor estilo de uma tragédia grega.

    Só as pessoas muito inseguras podem ter pensamentos homicidas porque o/a companheiro/a descansa o olhar em algo belo. O corpo humano é belíssimo, mas a mente humana tem um encanto mil vezes superior e mistérios e desafios tão empolgantes que uma vida não é suficiente para desvendar…

    1. Em “O amor nos tempos de cólera” ocorrem mortes por menos – ou talvez por mais. E a beleza existe 70 anos depois, o que permite à virgindade ser um estado de alma, não do corpo.

  4. Discordo. Os homens casados ou não, lançam sempre olhares libidinosos a outras mulheres e não se percebe muito bem o que são consideradas mulheres bonitas ou feias…

  5. Discordo. Os homens casados ou não, lançam sempre olhares libidinosos a outras mulheres e não se percebe muito bem o que são consideradas mulheres bonitas ou feias…
    DNO

    1. Ora bem. A frase de MST é uma frase rebuscada para tentar fazer literatura. Não tem qualquer profundidade. Agustina percebe mais dos olhares libidinosos dos homens e dos olhares assassinos das mulheres do que MST percebe de homens casados ou de mulheres, bonitas ou feias.

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