Leituras


Sérgio de Almeida Correia,

“The PiS left a long trail of documentary evidence of its hostility to the liberal-democratic model and its preference for paternalistic authoritarianism, probably closest to Salazar-era Portugal, perhaps: an all-pervasive state, backed by a state church, with corporatist economic and social arrangements, presided over by a “father of the nation” figure, and with the loyalty of key groups — including party functionaries, the military and security services — secured by opportunities for self-enrichment familiar from other cases of authoritarian clientelism.”

Penso que vale a pena ler o artigo do Washington Post, apesar de já ter uns dias, e aceder aos links. Os comentários ficam para os sabichões do costume.

7 comentários em “Leituras”

  1. Muito bom dia. Eu já tinha lido este artigo, muito elucidativo, pois faço pesquisa frequente cá dentro e lá por fora. Fez muito bem em recordá-lo, e será interessante observar eventuais sabichões, como e muito bem refere. Cumprimentos. António Cabral

  2. “Under normal circumstances such purges and rapid promotions would be impossible to carry out because those adversely affected could fight their dismissals in the courts. Hence the motivation — along with several others — to strip the judiciary of its independence so that this “state capture,” unfolding along lines similar to Hungary, could proceed with impunity.”

    Talvez se compreenda agora, mas em sentido contrário, aquilo que tem vindo a ser ratificado na UE retirando os poderes de decisão, também em matéria de justiça, às estruturas eleitas pelos nacionais.
    Mas também se depreenderá que o UK pretenda uma retirada estratégica da jurisdição, bem como a decisão tomada por Trump nas negociações sobre o clima, precisamente para não hipotecar a sua autonomia a terceiros por via jurídica.

    Significa isto que o dito processo de integração europeia, sob a forma jurídica, pretende forçar uma identidade sem respeitar as identidades. Não se estranhe, portanto, que os fenómenos nacionalistas se repitam.

    No caso português em apreço a ilação que se tira, e tive oportunidade de o expressar por aqui, centra-se numa percepção errada sobre a democracia simplesmente porque se ampliou o corporativismo. Isto é, confundiu-se a multiplicação de um maior número de corporações, que condicionou a participação efectiva (eu escrevi efectiva e não afectiva) dos cidadãos nos seus próprios destinos e nos destinos de sua nação, com a democracia e até mesmo com o liberalismo democrático. Sem que contudo se possa dizer que não se tivesse assistido a actos de bastante liberalidade. A liberalidade acabou por beneficiar as corporações.

    O que aconteceu a leste foi precisamente aproveitar o fenómeno ocorrido com a queda do comunismo, que demonstrou carências nas mais elementares necessidades, para conduzir essas nações em direcção de interesses de terceiros.
    Umas vez superadas essas necessidades elementares, o tempo encarregou-se de fazer emergir modelos que se julgavam superados.

    Resta saber se a seguinte equação numérica, resultante dos inquéritos elaborados, incide sobre um contexto concreto ou se explora somente sentimentos-
    Refiro-me a esta:
    “But data from surveys such as the Polish National Election Study show no decline in popular support for democracy in favor of nondemocratic alternatives, or indeed of any other kind of value shift in an “illiberal” or neo-traditionalist direction. In 2015, the most recent edition of the study, when explicitly asked to state their preference for freedom vs. equality, progress vs. tradition, and individual entrepreneurship vs. social solidarity, in each case respondents preferred the first option to the second, by roughly 55 percent vs. 34 percent.”

    Mais ainda, e concluindo: onde se encontram os restantes 11%.

  3. Penso que em Portugal já se provou que se pode estabelecer uma rede de clientelismo baseada em lealdades compradas e com objectivo final de enriquecimento pessoal dos dirigentes partindo de um modelo de sociedade democratico, liberal e de conquistas sociais. De esta forma penso que se o PiS opta por um modelo de sociedade mais “iliberal” será por verdadeira convicção.

    P.S: Radoslaw Markowski é um sociologo que diz algumas coisas bastante inteligentes mas muitas tontas como as que as eleições de 2015 foram as ultimas livres da Polonia. Penso que o problema é que tem uma parcialidade bastante visivel contra a igreja e os eleitores não urbanos que lhe distorce as análises.

  4. Penso que em Portugal já se provou que se pode estabelecer uma rede de clientelismo baseada em lealdades compradas e com objectivo final de enriquecimento pessoal dos dirigentes partindo de um modelo de sociedade democratico, liberal e de conquistas sociais. De esta forma penso que se o PiS opta por um modelo de sociedade mais “iliberal” será por verdadeira convicção.

    P.S: Radoslaw Markowski é um sociologo que diz algumas coisas bastante inteligentes mas muitas tontas como as que as eleições de 2015 foram as ultimas livres da Polonia. Penso que o problema é que tem uma parcialidade bastante visivel contra a igreja e os eleitores não urbanos que lhe distorce as análises.

  5. Sem querer armar em “sabichão” digo-lhe que considero interessante esse paralelismo porque precisamente me recordou que o modelo de Salazar foi estudado antes da guerra aliás, vi algumas fotos de militares polacos que se deslocaram a Portugal em “visita de estudo”. Visto deste prisma o PiS parece-me um duplo regresso ao passado.

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