Leituras


Pedro Correia,

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«A mulher, quando ama, tem heroísmos e abnegações de que o homem – o ser mais egoísta do reino animal – é incapaz.»

Camilo Castelo Branco, A Viúva do Enforcado (1877), p. 107

Sistema Solar, Lisboa, 2015

10 comentários em “Leituras”

    1. Eça sabe descrever o ser humano, não conheço Camilo da escrita, apenas de séries e filmes talvez as componentes desenvolva virtudes como abnegação, a doação, o sacrifício pelo outro, enquanto Queirós escrevia para criticar vícios da sociedade e optava por ser satírico nos tiques das suas personagens.

      1. Sempre fui contra essas dicotomias: Eça ‘versus’ Camilo, Antunes ‘versus’ Saramago, etc.
        Podemos perfeitamente gostar de Camilo e de Eça em simultâneo, como é o meu caso. E por motivos diferentes, naturalmente.

      2. Não ligue. Considero Eça um grande artesão da língua portuguesa, sem dúvida, mas sou apaixonado por Camilo. Depois tenho tendência para ligar as pessoas às obras. É um erro, bem sei. Mas Camilo teve uma vida (e uma morte) digna das personagens dos seus romances. Eça criticava, e sobretudo caricaturava, a sociedade portuguesa e julgo que muitas vezes se veria a ele próprio representado no que criticava. Viveu muitas vezes da mesma forma que criticava nos outros. Não lhe perdoo que tendo visitado o Médio Oriente a única coisa que de lá trouxe foi uma combinação de prostituta. Camilo teria trazido o serralho inteiro do Sultão. 🙂

      1. Até hoje estou para saber quem verdadeiramente era Carlos da Maia. Mas isto já é embirração. Sempre que vou a Sintra não me esqueço das queijadas como o Cruges, e imagino o bom que seria comer ovos com chouriço na Porcalhota mesmo sem toalha.

    1. Vale a pena ler Camilo, claro. Desde logo pela linguagem, pelo imaginário, pela capacidade efabulatória, pelo carácter documental de muito do que escreveu.
      Mas a sua intuição está certa, Carlos: o melhor mesmo é não começar pela sua obra mais célebre, o ‘Amor de Perdição’.

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