Leituras


discutindoopinioes,

«Uma coisa que aprendi no último ano da vida de Brenin é que os lobos, e já agora os cães, conseguem passar no teste existencialista de Nietzsche de uma maneira que os humanos raramente conseguem. Um humano teria dito: "Outra vez a mesma volta? Nãooo! Não podíamos ir a um sítio diferente? Estou farto da praia. E não compres mais pains ou chocolat – já não os posso ver à minha frente." E por aí adiante. Ora fascinados, ora repelidos pela seta do tempo, a nossa repulsa leva-nos a procurar a felicidade no que é novo e diferente, num qualquer desvio da seta do tempo. Mas o nosso fascínio significa que qualquer desvio da linha da seta cria simplesmente uma nova linha, e a nossa felicidade exige agora que nos desviemos também. A busca humana da felicidade é por conseguinte regressiva e vã. E no final de cada linha está apenas o nunca mais. Nunca mais sentir o sol na cara. Nunca mais ver o sorriso nos lábios de quem amamos ou o pestanejar dos seus olhos. O conceito que temos da nossa vida e o significado dessa vida estão organizados em torno da ideia de perda»

 

Mark Rowlands. O Filósofo e o Lobo. O que a Selva nos pode ensinar sobre o Amor, a Morte e a Felicidade. Lua de Papel, Setembro de 2009, p. 199.

3 comentários em “Leituras”

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *