«Quantos [homens] houve desde a pré-história? Ninguém sabe. O que se pode supor é que, tal como acontece agora, se bateram uns contra os outros, se mataram uns aos outros, que devem ter lutado contra os vizinhos, os grandes cataclismos cósmicos e as epidemias.
No entanto, todos, mais ou menos, pensaram o seguinte:
– O que é o homem? Quem é o meu vizinho?
Hoje em dia, a etnografia anda à procura dos vestígios desses homens de antigamente, que são, afinal, os nossos avós; nos laboratórios do mundo inteiro a biologia tenta conhecer o homem actual.
No entanto, não conhecemos as pessoas que vivem na porta ao lado, as pessoas com quem nos cruzamos diariamente na rua, com quem trabalhamos lado a lado.»
Georges Simenon, Carta Para Minha Mãe (1974), pp. 70/71
Ed. Cotovia, Lisboa, 2001. Tradução de Maria Jorge Vilar de Figueiredo

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